Autor Arquivo: Guy Manuel

Tecnologia em campo na Copa

Pouco se tem falado a respeito do olho digital durante os jogos da Copa do Mundo de futebol. São tantas as polêmicas sobre o evento, que esses detalhes ficam esquecidos.

Mas o árbitro terá uma ajuda relevante para evitar possíveis erros, aqueles quando há dúvidas se a bola entrou, ou juiz e bandeirinha não estejam bem posicionados ou com a linha de visão obstruída por algum jogador.

teaser_001A empresa alemã GoalControl foi escolhida pela Fifa, dentre outros competidores, para fornecer a solução tecnológica que permite avisar ao árbitro quando a bola ultrapassar a chamada linha fatal. Fatal para o goleiro, ou para o time que sofre o gol, mas isso é outra história!

Baseada em imagens de câmeras ultra-rápidas de alta definição, espalhadas pelos estádios elas são capazes de seguir com precisão a bola, determinando se ela entrou ou não, e avisando o juiz em menos de 1 segundo.

Uma vantagem da solução GoalControl 4D sobre as demais é que ela não requer bolas, gramados ou traves especiais, cheios de fios e sensores. Funciona nos estádios existentes. Assim, ficam para trás as idéias de bolas com chips, sensores nas linhas de gol e outras alternativas exóticas.

A exibição de onde a bola chegou, no entanto, não será no formato que hoje vemos em replays na TV. Será parecido com o que aparece nas partidas de tênis em grandes torneios, com o desenho da trajetória da bola e onde ela chegou. Mas o time não pode questionar o árbitro, que continuará soberano em sua decisão.

Resolvida a questão do foi-não-foi-gol, todos os outros lances que requerem intervenção do árbitro e de seus auxiliares continuarão sem monitoramento: faltas, laterais, escanteios, impedimentos, lances desleais…

Tudo bem que o gol é o orgasmo do futebol, como diria Nelson Rodrigues, e merece tratamento diferenciado.

Mas acresce custos, assim será agregado ao já polêmico Custo-Copa, e, provavelmente, não será adotado em larga escala, nem aqui, no país do futebol, sem que os preços despenquem, o que depende de escala.

Mas assim é a tecnologia. E, no caso do futebol, dar um alívio para a mãe do juiz é salutar, embora diminua as apaixonadas discussões entre torcedores. Se o GoalControl diz que foi gol, Habemus Gol!

Ranking da internet

Cingapura, a cidade-estado-ilha da Ásia, tem uma área de 716.1 km2; Hong Kong, 1.104 km2. Compará-los com os 8.5 milhões de km2 do Brasil não faz sentido, salvo se… falamos de internet.

Para efeitos de comparação e ordem de grandeza, a cidade de Curitiba tem 440 km2 e a ilha de Santa Catarina, onde fica parte da cidade de Florianópolis, 424.4 km² (163.9 mi²).

Mas, quando o assunto é internet…

(Olhar Digital)

A velocidade média da conexão à internet no Brasil foi de 2,7 Mbps no terceiro trimestre do ano passado e cresceu 10% em relação ao mesmo período de 2012, segundo o estudo “State of Internet“, publicado pela empresa Akamai. Mesmo assim, o Brasil ainda está abaixo da média global, que aponta conexão média de 3,6 Mbps, e ocupa a 84ª posição entre 122 países.

O desempenho brasileiro também fica aquém do resto do mundo no que diz respeito aos picos de conexão. Enquanto a média é de 17,0 Mbps – com a taxa mais elevada em Hong Kong (65,4 Mbps),  o país registrou 16,7 Mbps de velocidade de acesso, queda de 10% em relação ao ano anterior.

2013VelocidadeInternetAmericasCom o resultado, o Brasil caiu da 71ª para a 73ª posição no ranking global que avalia picos de conexão. Na América Latina, os índices variaram de 8 Mbps, na Venezuela, a 18,5 Mbps no Equador, que ficaram na 130ª e 64ª posições, respectivamente. Mundialmente, os que tiveram o menor índice são Namíbia (1,1 Mbps) e Egito (1,2 Mbps)

O estudo, que considera países com mais de 25 mil endereços de IP conectados à rede Akamai, também segmenta a análise por regiões – Américas, Ásia-Pacífico e EMEA (Europa, Oriente Médio e África). Nas Américas, apenas sete países operam a velocidade superior a 10 Mbps – considerada alta banda larga: EUA (com taxa de adoção de 34%), Canadá (24%), México (1,7%), Chile (1,1%), Argentina (0,9%), Brasil (0,9%) e Colômbia (0,5%).

Em relação às conexões de banda larga (entre 4 Mbps e 10 Mbps), destacam-se Canadá e EUA, com 82% e 75%, respectivamente. Dentre os outros países que se encaixam no perfil analisado, a adoção varia de 33%, no México, a 1,5% na Venezuela. O Brasil apresenta adoção de 20%, crescimento de 36% em relação ao último trimestre e de 65% se comparado ao mesmo período do ano anterior.

Conectividade Móvel

A média de velocidade de conexão dos provedores móveis analisados variou de 9,5 Mbps até 0,6 Mbps, no período. Já o pico variou entre 49,8 Mbps a 2,4 Mbps. Dezoito provedores mostraram velocidade média na faixa de banda larga (>4 Mbps) e outros 74 entregaram conexão média entre 1 e 4 Mbps. No Brasil, a velocidade média foi de 1,4 Mbps.

No que diz respeito ao uso de browsers, o relatório identificou que cerca de 38% dos pedidos de redes de celular vieram do Android Webkit e 24% foram originados do Apple Mobile Safari. A conclusão é outra quando todas as redes móveis – não só as de celulares – são adicionadas na análise, com cerca de 47% de pedidos originados via Apple Mobile Safari e 33% provenientes de Android Webkit.

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Não importa o jeito de olhar, saímos feios na foto global.

http://olhardigital.uol.com.br/noticia/internet-brasileira-fica-10-mais-rapida-mas-ainda-e-84-em-ranking-global/39994

http://mashable.com/2014/01/28/fast-internet-speeds-asia/

Afinal, a Akamai (www.akamai.com), que produziu esse estudo, trafega 30% dos dados da web.

Note que as regiões mais rápidas estão na Ásia, onde a Coréia do Sul pretende estrear em 3 anos a tecnologia 5G, que promete entregar velocidades até 100 vezes maiores que a 4G, permitindo até o envio de imagens holográficas grandes de altíssima definição em tempo real.

Também fazem bonito os países do Leste Europeu, como a Bulgária (terra do pai da Dilma) e a Romênia (terra do Conde Drácula)! Na América Latina, só o Equador está acima da média mundial.

E o Brasil?

Penalidade MovelQuem usa rede celular, leva, no Brasil, o dobro do tempo para carregar uma página da internet do que via conexão fixa, na média. Na Coréia, tanto faz…

Dados Crescem, Voz Nem TantoE, levando em conta que o tráfego de voz na internet móvel é cada vez menos relevante, veja como nossa situação piora. Obedecida a relação abaixo, como demoramos o dobro para carregar uma página (dados) na rede celular, e o volume de tráfego de dados já é 9 vezes maior do que o ddd dados, isso quer dizer que, na média, estamos 18 vezes mais lentos que a Coréia, mesmo ajustando para as velocidades médias.  (isso é provocação, não é verdade)

Prioridade deve ser da Nação, não só do governo, dos parlamentares, das operadoras. O Brasil ser uma das 6 ou 7 maiores economias mundiais não pode estar em 84. lugar na velocidade da internet.

Falta comparar preços!

Vai viajar? Cuidado com seus planos!

Que seu celular pode estar grampeado por agências de inteligência e que suas conversas pelas redes sociais também, você já sabia, ainda mais depois das revelações do ex-NSA Edward Snowden, hoje asilado na Rússia.

Slide de apresentação interna da NSA com tópicos de monitoramento em massa.

Slide de apresentação interna da NSA com tópicos de monitoramento em massa.

A figura ao lado mostra um slide de uma apresentação da NSA sobre os tópicos que estavam sendo monitorados.

Mas nesta segunda, 27, o jornal New York Times revela que a coisa é mais abrangente do que podemos imaginar, e pode até causar problemas em sua próxima viagem. Como?

Você vem planejando com seus amigos aquela viagem de férias, mesmo com o dólar caro. Economizou uma grana, avaliou alternativas, buscou melhores preços e itinerários através de sites de viagem. E fez esse roteiro via Google Maps. Claro que você também usou seu smartphone e seu tablet para chats com os amigos e também pegou dicas com outras pessoas, conhecidas ou não, que já estiveram nesses lugares. É mais ou menos assim?

Pois saiba que a NSA e sua contraparte britânica armazenam tudo isso também nos seus supercomputadores. Aproveitando que os apps e os sites mais usados armazenam muitos de seus dados pessoais, os espiões verificam possíveis conexões suas que estejam enquadradas no perfil de um terrorista, ou até mesmo passando suas navegações nos algoritmos de identificação de suspeitos, e, sem querer, você pode ficar na mira.

Mas não é só isso. Enquanto você planeja a viagem, seus filhos ficam entretidos com os Angry Birds, em qualquer de seus apps famosos mundo afora. Até ali os dados de uso estão sendo monitorados.

Como reporta o Times, “a cada nova geração de tecnologia de telefonia celular, mais e mais dados pessoais são despejados através das redes onde os espiões podem capturá-los. 

Dentre essas ferramentas de inteligência estão os aplicativos com ‘vazamentos’ que abrem tudo, desde códigos de identificação dos usuários de smartphones até os lugares onde eles estiveram naquele dia.”

Um leitor da Califórnia define bem o que acontece. Diz ele: “Os smartphones de hoje nada mais são do que dispositivos de rastreamento bem embalados que o usuário com orgulho e ingenuamente exibe por onde passa“.

Bateu aquele desejo por chocolate? Use a impressora!

3DChocolateUma parceria inusitada, entre a fabricante de chocolates Hershey’s  a de impressoras, a 3D Systems promete criar uma impressora 3D para produzir… chocolates!

A Hersey’s enxerga as impressoras 3D como um novo canal de distribuição para seus produtos, e a 3D Systems espera que essa oportunidade possa levar maciçamente a tecnologia de impressoras tridimensionais ao mercado consumidor de tecnologia, onde também podem estar os fãs do chocolate, ou vice-versa. Vale a pena conferir matéria da CNN a respeito.

Essa solução, além de ser uma alternativa à complicada logística de distribuição de produtos alimentícios, pode permitir a criação de produtos customizados para cada cliente, seja pelo uso de diferentes misturas de componentes que vão nos chocolates e doces como também de dar liberdade na criação de formatos específicos, únicos, que as impressoras 3D proporcionam.

Claro que os bicos de impressão de chocolates diferem daqueles usados para imprimir plásticos ou outros materiais, e os insumos serão diferentes. Mas o princípio da impressão em 3 dimensões é o mesmo, tudo gerenciado por aplicativos que podem estar em um computador, um tablet, um smartphone ou na própria impresora.

A 3DS já mostrou como se pode imprimir comida, apresentando no CES 2014 sua impressora ChefJet 3D. Ela imprime objetos a partir do açucar.

E esse mercado de alimentos impressos em 3 dimensões já ganha um novo participante: A Foodini é uma impressora 3D capaz de criar raviolis e mini-pizzas.

É ainda prematuro dizer se essa tecnologia de imprimir comida vai ganhar escala, cativando milhões de ávidos clientes.

De outro lado, também eram poucos os que acreditavam no tablet como um conceito que iria ganhar centenas de milhões de usuários em menos de meia década. E, pensando bem, o mesmo ocorreu com liquidificadores, máquinas de café expresso, fornos de micro-ondas, computadores…

Assim, espere mais um tempinho e, quando bater aquele desejo de comer um chocolatinho, ou fazer uma surpresa de última hora à pessoa amada, você poderá imprimir o doce a seu gosto.

Como vai sua banda larga?

Como vai sua banda larga?

Refraseando a pergunta: Sua banda larga vai?

É fácil reclamar, dizer que está péssima, que o serviço é caro, não há suporte adequado…  Na maioria das vezes, pode até ser. Mas existem situações onde você pode fazer algo a respeito.

Em primeiro lugar, você faz medições periódicas da velocidade da internet que você tem em casa, no seu smartphone ou no seu tablet? Não? Então baixe algum aplicativo grátis, como o Speedtest, ou acesse pelo browser algum site específico e meça os três indicadores:

1- Tempo de ping, que é o tempo que leva a saudação digital do dispositivo conectado pela rede ao servidor somado à resposta que o servidor devolve. O ping deve ser rápido, de alguns milisegundos. Se demorar mais, é congestionamento certo.

2- Velocidade de download: em megabits por segundo, é aquilo que a gente compra e raramente recebe. Por exemplo, uma conexão contratada de 10 Mb raramente entrega essa velocidade, para acessar redes sociais, baixar arquivos e qualquer atividade de receber informações em seu aparelho.

3- Velocidade de upload: também em megabits por segundo, é, normalmente uma fração da velocidade de download, e indica a quantidade de dados que seu dispositivo envia para a rede.

Você deve não só medir esses indicadores, mas guardar o histórico dessas medições. Normalmente, os aplicativos e os sites guardam essas informações. E saiba que, desde novembro de 2013, os provedores de internet, incluindo as operadoras de celular, são obrigadas pela Anatel a entregar um mínimo de 30% da velocidade contratada e, na média do mês, oferecer acima de 70%. Ou seja, para 10Mb, a menor velocidade não pode ser inferior a 3Mb e a média do mês precisa ser igual ou superior a 7Mb.

Existe ainda um cronograma fixado pela Agência que determina que esses percentuais mínimos garantidos aumentarão, para alegria dos usuários!

Se você recebe menos que isso, pode reclamar à Anatel, caso o provedor não lhe dê descontos na fatura, além de ficar sujeito a pesadas multas.

Mas nem sempre o provedor de internet é o vilão.

Mas lembre-se que, se você tem um acesso compartilhado em casa, com roteadores WiFi, a obrigação do provedor  de entregar velocidades mínimas termina no modem. O tráfego interno pode estar sendo compartilhado com outros dispositivos, o roteador pode ter limitações de velocidade ou seu computador pode estar com versões antigas de sistema operacional ou de aplicativos, estar infectado por virus ou com o HD com arquivos excessivamente  fragmentados.

Seu smartphone pode ter múltiplos aplicativos em uso simultâneo comendo capacidade do processador e fazendo transações pela internet que você nem percebe, como atualizando emails, sua linha do tempo no Facebook ou baixando novas versões de aplicativos comprados no iTunes Store ou no Google Play.

Em casos como esses, nem vale a pena reclamar, pois é pura perda de tempo. Faça a faxina os seus aparelhos, use sempre a versão mais atualizada dos aplicativos e do sistema operacional e use programas de proteção, como o Norton, da Symantec ou o MacKeeper, para a turma da Apple.

Outro ponto a considerar: não adianta você pagar uma nota para ter o notebook mais rápido, o tablet da última geração, o melhor provedor de internet com a maior velocidade disponível e entregue se o seu uso principal depende do acesso a um serviço na nuvem ou a um portal que possui limitações de velocidade.

É como ter uma Ferrari para andar no trânsito congestionado de uma cidade grande e, uma vez na estrada livre, ser flagrado pelo radar ou pela Polícia Rodoviária dirigindo à velocidade de Formula 1. Não dá!

Boas e más notícias para a tecnologia em 2014

Com as novidades digitais já anunciadas pelas grandes empresas e também por promissoras startups, o ano de 2014 promete ser bem mais animado do que 2013.

Eu até arriscaria uma aposta de que, no Natal deste ano, veremos algum tipo de produto digital para vestir ou como acessório da moda que estará no hit parade dos mais cobiçados e vendidos.

Ou seja, não será por falta de opções ou tentações que você não incluirá uma dessas na sua lista de desejos ou de compras.

Televisores, laptops, tablets, smartphones, relógios, óculos, pulseiras, meias e camisas conectadas estarão nas prateleiras. Até para seu pet favorito você terá opções.

Essas são as boas notícias… As más, estão por conta de dois vilões, o dolar e os juros. Não é cenário de nenhum economista um ambiente de dólar a menos de R$ 2 nem de juros básicos em um só dígito, que dirá para financiamento ao consumidor.

Como esses gadgets possuem altos índices de insumos importados, já dá para ver nas lojas as diferenças de preços em relação ao início de 2013. Os mais óbvios televisores e computadores estão, na média, mais de 10% acima dos equivalentes de um ano atrás, e, na métrica dos fabricantes, nem toda a variação cambial foi repassada.

É certo que os reajustes ao longo do ano superarão a taxa de inflação. Assim, não espere pechinchas para a lista de Noel. E se você precisar da ajudazinha de um financiamento. as prestações serão salgadas ao ponto dar trabalho extra aos seus rins para se ver livre delas.

Uma consequência adicional que podemos imaginar é que as vendas caiam um pouco, ou cresçam menos, o que pode aumentar estoques e derrubar um pouco os preços finais. Mas, sem margens compensadoras, a indústria e os importadores poderão adiar o ciclo de novos lançamentos no Brasil, fazendo as novidades demorarem mais tempo para chegar por aqui.

Mas também é possível que eu esteja errado, ou pessimista demais. Afinal, em ano de Copa do Mundo e eleições, ambas no Brasil, quem sabe?

A próxima onda dos chips

Do NY Times
9/1/2014

Nanomateriais inseridos nos chip antes de serem cortados em suas formas finais no SLAC National Accelerator Laboratory, em Menlo Park, Califórnia

Por John Markoff

PALO ALTO, Califórnia – Não muito tempo depois que Gordon E. Moore propôs em 1965 que o número de transistores que poderiam ser gravados em um chip de silício continuaria a dobrar aproximadamente a cada 18 meses, os críticos começaram a prever que a era da “Lei de Moore” teria um fim.

Mas ela vem durando desde então, quase 50 anos depois.

Mais do que nunca, recentemente, especialistas da indústria vêm alertando que o progresso da indústria de semicondutores está para chegar a um impasse – e que a teoria do Dr. Moore, co-fundador da Intel, vai perder a validade.

Se assim for, que vai haver um impacto dramático sobre o mundo da informática. A inovação que levou a computadores pessoais, reprodutores de música e smartphones está diretamente relacionada com o custo de transistores caindo vertiginosamente, que agora cabem aos bilhões em pedaços de silício – chips de computador –  do tamanho de uma unha, e que podem custar poucos dólares cada .

Mas a Lei de Moore não está morta, é apenas evolução, de acordo com cientistas e engenheiros mais otimistas. Seus argumentos são de que será possível criar circuitos que estão mais perto da escala de moléculas individuais, utilizando uma nova classe de nanomateriais – metais, cerâmicas, polímeros ou compostos que podem ser organizados de “baixo para cima”, e não a de cima para baixo.

Por exemplo, os designers de semicondutores desenvolvem processos químicos que podem tornar possível a “auto-montagem” de chips, fazendo circuitos para formar padrões de fios ultrafinos numa “bolacha” semicondutora. Combinando esses padrões de nanofios com técnicas de fabricação de chips convencionais, os cientistas acreditam que isso levará a uma nova classe de chips de computador, mantendo-se a Lei de Moore viva, reduzindo o custo de fabricação de chips no futuro.

“A chave é auto-montagem”, disse Chandrasekhar Narayan, diretor de Ciência e Tecnologia no Centro de Pesquisa Almaden da IBM em San Jose, Califórnia.  “Você usa as forças da natureza para fazer o seu trabalho para você. Força bruta não funciona mais, você tem que trabalhar com a natureza e deixar as coisas acontecerem por si só. ”

Para fazer isso, os fabricantes de semicondutores terão que se deslocar da era do silício para o que poderia ser chamado de a era dos materiais computacionais. Pesquisadores no Vale do Silício, com novos e poderosos supercomputadores para simular suas previsões, estão mostrando o caminho. Embora os chips semicondutores não sejam produzidos aqui, as novas classes de materiais que estão sendo desenvolvidos nesta área tendem a remodelar o mundo da computação ao longo da próxima década.

“Os materiais são muito importantes para sociedades humanas”, disse Shoucheng Zhang, um físico da Universidade de Stanford, que recentemente liderou um grupo de pesquisadores para projetar uma liga de estanho que tem propriedades de supercondução à temperatura ambiente. “Eras inteiras são lembradas por materiais – a idade da pedra, a idade de ferro, e agora temos a idade de silício. No passado, têm sido descoberto por acaso. Uma vez que temos o poder de criar materiais, eu acho que isso é transformador.”

Levando esta pesquisa à frente, há impactos na economia – especificamente, os fabricantes de semicondutores em larga escala ainda estão buscando pagar os investimentos em suas fábricas de última geração. Na indústria de chips,  esse item é tratado como a “Segunda Lei de Moore.”

Daqui a dois anos, uma nova fábricas de chips microprocessadores custará de R $ 8 a US $ 10 bilhões, de acordo com um relatório recente da Gartner – mais de duas vezes mais que a geração atual. Esse montante pode subir para entre US $ 15 e US $ 20 bilhões até o final da década, o equivalente ao produto interno bruto de um país pequeno.

Esses gastos impressionantes que em breve serão necessários sinaliza que o risco para as empresas de chips é imensa. Então ao invés de investir em tecnologias convencionais caras que podem falhar, os pesquisadores estão olhando para estes novos materiais de auto-montagem.

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Meus comentários:

Para que se tenha uma idéia do que é isso, um rádio da 1ª metade do século 20 tinha o tamanho de umas 3 ou 4 caixas de sapato, pesava 10 kg. e sintonizava ondas médias (AM) e ondas curtas. Só. E usava 4 válvulas. Cada válvula é o equivalente a um transistor, coisa desenvolvida no final da década de 1940 pela turma do William Shockley, do Bell Labs nos Estados Unidos. Estava inaugurada a era do silício. Um radio pode então ficar do tamanho de 1/2 caixa de sapato, com poucos transistores, consumindo muito menos energia.

O primeiro computador lançado no mercado, o Eniac, ocupava vários andares de um prédio grande e possuía dezenas de milhares de válvulas. Uma equipe de manutenção fazia rodízio em turnos simplesmente para trocar válvulas. O Eniac não seria capaz de rodar uma mera planilha eletrônica dos dias de hoje.

Veio o circuito integrado, os processadores (chips), no final da década de 1970. Até que Gordon Moore formulou sua lei, que vigora há 50 anos. Hoje, um chip processador de um smartphone ou tablet contém mais e 1 bilhão de transistores.

2013: Briga feroz pela liderança de smartphones top

O tema que mais chamou a atenção de nossos leitores e ouvintes em 2013, com 52% dos pageviews, 71% dos comentários, 78% das perguntas e dúvidas girou sobre dispositivos móveis.

2013 registrou, pela primeira vez, a venda de 1 bilhão de smartphones, mais do que celulares comuns.

A briga entre a Apple e a Samsung pelo domínio do segmento mais sofisticado ferveu. Com o lançamento do iPhone 5 sem grandes novidades e com o iOS6 ainda devendo em termos de estabilidade e performance, a Samsung deitou e rolou com seu Galaxy S4 e a versão 4.2 do Android.

Pela primeira vez, um produto com novidades suficientes para agradar os Apple maníacos e dar razão aos defensores do Android fez uma quantidade expressiva de donos de iPhone migrarem para o Samsung.

A postagem sobre como migrar dados do iPhone para o S4 foi, isoladamente, a mais acessada e comentada, onde 21% dos pageviews vieram de fora do Brasil.

O ano correu, a Apple lançou em setembro os iPhones 5s e 5c, e o iOS7 ficou bem melhor que o 6 e esse combo bateu de frente com o Galaxy S4 e o Android.

Muita gente que saiu pensa agora em voltar. Dos insatisfeitos com o S4, 42% querem se mudar para o mundo Apple, 32% consideram o Windows Phone, 11% esperam a evolução do Android e o resto está simplesmente insatisfeito ou simplesmente curioso sobre as alternativas existentes.

Sinal dos novos tempos, uma proporção expressiva já olha para o Windows Phone como uma boa alternativa. O casamento da Microsoft com a Nokia e os novos lançamentos na linha Lumia despertam curiosidade e desejos.

Agora em janeiro, chega o novo Galaxy S5, com tela curva; a Apple estuda antecipar o lançamento do iPhone 6 para o primeiro semestre, a Nokia promete mais novidades.

Com isso, acelera-se o ciclo de lançamento de novos produtos, parte deles sendo anunciados ou sugeridos no CES 2014, que começa dia 7 em Las Vegas.

E aí, que fazer? Eu recomendo esperar, desfrutar seu smartphone atual, qualquer que seja ele, e mudar apenas quando a troca fizer sentido do ponto de vista econômico. Comprar um produto de alto valor por impulso, para ficar com a sensação de mico 2 ou 3 meses depois, não vale a pena.

Torpedos SMS e MMS em declínio, mas nem tanto!

O Telelime News resume um estudo feito pela americana Strategy Analytics, sobre o declínio dos torpedos no mundo. Diz a nota:

Os gastos globais com serviços de mensagens SMS e MMS em operadoras declinaram pela primeira vez em 2013, de acordo com estudo da Strategy Analytics divulgado na segunda-feira 13. Essas receitas chegaram a US$ 104 bilhões, mas caíram quase 4% em relação a 2012, quando foram registrados os maiores gastos.

Para 2017, a previsão é ainda mais negra para o SMS: as receitas cairão 20%, enquanto o volume de mensagens enviadas cairá 3%. Os motivos seriam a competição entre operadoras e o crescimento de serviços de mensagens over-the-top (OTT) como WhatsApp, Line e WeChat. Esse declínio seria sentido mais em lugares com maior penetração de smartphones, como América do Norte e Europa Ocidental. Nesses lugares, os gastos com SMS e MMS cairão 38% e 28% respectivamente.

A saída para as operadoras, segundo a Strategy Analytics, seria integrar o serviço de SMS em planos, investir em marketing móvel e aumentar a inovação ao abrir as plataformas para negócios e para comunidade de desenvolvedores.

Para você, caro leitor do blog, que já tem um smartphone conectado à internet, isso pode parecer o óbvio, ainda mais depois do sucesso do WhatsApp, sem falar do Viber, do Skype e dos serviços de mensagens instantâneas e chats do Google, do Facebook.

Que a queda maior ocorra nos mercados mais desenvolvidos, tudo muito natural. Significa, também, a maturação de um mercado que vai ter dificuldades em expandir a base de usuários.

MPesaMas é bom lembrar que nos mercados menos desenvolvidos, o torpedo ainda dura muito tempo! Neles, o celular serve como carteira de dinheiro digital, e os torpedos valem para fazer pagamentos. E pelo simples motivo que seus sistemas financeiros são frágeis e não chegam à maioria da população. Uma operadora, por lá, faz o papel do banco!

Donos de celulares básicos no Quênia, Costa do Marfim, Senegal e Mali usam serviços das empresas M-Pesa e Orange, depositando dinheiro vivo nas mãos de um agente que carrega o celular com os créditos correspondentes que têm ampla aceitação no mercado.

Simples, não?

Carros conectados: qual o limite?

google-s-driverless-car-is-now-safer-than-the-average-driver-a52115750aO Google desenvolveu um carro que dispensa motorista e que funciona. Em estados americanos onde a legislação permite, lá vai um Google Driverless Car capturando imagens para o Google Maps. E quase sem acidentes. O único amassado que um deles apresentou foi quando o carro estava estacionado e um barbeiro qualquer provocou o acidente.

As montadoras também trabalham nessa linha, como a Audi. Conceitualmente, é parecido com o carro do Google, que, na verdade é a tecnologia driverless que o Google quer patentear para carros de série. O Google é do ramo de tecnologia digital, a Audi, do ramo de veículos.

Convergência à vista? Ou será que a GM acaba virando Google Motors?

A Audi demonstrou no CES 2014, em Las Vegas, o modelo A7 com a tecnologia que torna o motorista um opcional. O modo de condução automática usa radares e lasers para monitorar outros carros ao redor, enquanto a câmera, acoplada ao parabrisa, controla se o carro permanece dentro da faixa de rolamento. Um monitor LCD no painel de instrumentos mostra a representação do tráfego ao redor da veículo.

Do ponto de vista da estética, ganha o Audi.

Mas, se você decidisse comprar um Audi A7 com todo esse equipamento, você deixaria que ele andasse sozinho? Nessa máquina projetada para proporcionar o máximo conforto com emoção para quem dirige, faz sentido você investir e ir de passageiro? OK, não precisa contratar um motorista…

É verdade que esse carro-conceito da Audi serve mais como efeito demonstração, já que muitos componentes são de série em muitos de seus modelos e de outras montadoras, como o controle de velocidade adaptativo, que permite dirigir sem usar o acelerador, a velocidade constante, mas mantendo distância mínima do veículo à frente; os avisos de mudança inesperada da faixa de rolamento, ou de um carro chegando perto, na faixa ao lado; os radares embarcados para alertar o motorista sobre carros que venham em sentido contrário, à noite ou sob neblina, só para citar alguns.

TrabantPara mim, faria sentido, se fosse definir um carro alemão para dispensar o motorista, quem sabe um Trabant auto-conduzido não faria mais sentido?

Ou um taxi?