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Duplas de sucesso!

BrainJanO americano Brian Acton e o ucraniano Jan Koum são os dois novos bilionários do Vale do Silício. Co-fundadores do WhatsApp, ex-funcionários do Yahoo, ambos têm trajetórias parecidas a outras duplas famosas, como Bill Gates e Paul Allen (Microsoft), Steve Jobs e Steve Wosniak (Apple), Jerry Yang e David Filo (Yahoo), Mark Zuckerberg e Eduardo Saverin (Facebook), Larry Page e Sergey Brin (Google), Chad Hurley e Steve Chen (YouTube), só para ficar nos mais óbvios. Nerds, a maioria sem completar a universidade, com sonhos malucos, viram ícones e bilionários com inovações na tecnologia da informação. Comum a todos: o idéia inicial pouco teve ver com o boom que resultou no sucesso das empresas. Poucos deles tinham grana, mas conseguiram cativar investidores e talentos no momento certo. 

Mas vamos refletir sobre essa nova dupla: o americano Brian estava sem emprego, fazendo bicos no Vale; O ucraniano Jan tinha uma idéia nova e precisava de ajuda, para revolucionar o mercado de mensagens instantâneas. Brian havia feito entrevistas de emprego no Facebook e no Twitter, sem sucesso! Jan, já há tempos nos Estados Unidos, olhava para sua nativa Ucrânia, hoje sob fogo intenso de uma guerra fratricida. Na aquisição do WhatsApp pelo Facebook, Brian embolsa US$ 3,2 bilhões (R$ 7,65 bilhões); Jan, US$ 6,8 bilhões, algo como R$ 16,25 bilhões.

Pelos números, seria o caso de demitir o cara do RH do Facebook que disse um sonoro não ao Brian; o total do negócio, US$16 bi, foi parecido com a ajuda total que a Rússia deu à Ucrânia de Jan para esquecer o acordo com a União Européia, estopim da crise profunda naquele sofrido país.

A trajetória da dupla deve inspirar alguns livros e, quem sabe, um filme. Mas é impressionante a repetição dos casos de sucesso na área de tecnologia naquela região próxima a San Francisco, na California.

Mais do que os cases isolados dessas duplas (a Microsoft é exceção, está mais ao norte, em Redmond, Washington), o ecossistema lá criado que favorece o empreendedorismo e a inovação deveriam ser estudados com mais profundidade pelos formuladores de políticas regionais ou nacionais de inovação.

Aliás, não é coisa só das últimas duas décadas. Lá atrás, na primeira metade do século 20, dois engenheiros sonhadores, Bill Hewlett e David Packard criaram a HP, fonte de inspiração para muitos desses jovens bem sucedidos.

Twitter e Facebook podem refletir nos erros de avaliação sobre Brian. Um deu o não em maio e o outro, em agosto de 2013. O WhatsApp, ao ser adquirido pelo Facebook, tinha 50 funcionários. Valeu US$ 16 bilhões. O Facebook teve bala na agulha para se redimir; o Twitter busca se encontrar para competir com os gigantes. 

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Intel RealSense renova (revoluciona?) as interfaces com o computador

Importante anúncio na semana do CES 2014: a Intel, maior fabricante mundial de processadores anuncia a RealSense, uma nova tecnologia que visa popularizar o uso da visão computacional, do comando de voz e da impressão 3D.

As pessoas “abrirão uma porta do carro com o dedo, receberão informações constantes sobre a sua saúde” e utilizarão dispositivos com “interfaces diretas com o cérebro”, segundo Mooly Eden, gerente geral de computação perceptiva da Intel.

A RealSense estreia com uma micro-câmera que pode ser embutida em diversos dispositivos. A novidade é sua capacidade de medir a profundidade, o que lhe permite capturar informações em 3D.

Ao vivo, Eden demostrou como um dispositivo com a câmera realiza ajustes em tempo real de um stream de vídeo , alterando instantaneamente o cenário de fundo de uma conversa via Skype, sem aquele fundo verde.

Ele ainda demonstrou o funcionamento do controle gestos, em um PC com Windows 8, que obedece a movimentos das mãos, sem a necessidade de um periférico externo.

A Intel anunciou uma parceria com a 3D Systems, visando popularizar a impressão em 3D, como são as de jato de tinta, hoje.

O gerente da Intel deu forte ênfase ao controle por voz da RealSense, dizendo o óbvio: é mais natural comunicar-se por voz. Com o software da Nuance Dragon, ele comandou a abertura, na tela do PC, de um episódio da série Family Guy, sem precisar explicar à máquina que era um programa de TV.

Fecha-se assim o trio de tecnologias que habilitarão os dispositivos do futuro: as superfícies sensíveis ao toque, as interações por voz e, ainda que não mencionado nessa apresentação, a internet de banda larga de verdade para conduzir tudo isso de e para qualquer lugar e dispositivo.

E a tecnologia RealSense da Intel chega logo aos PCs. Já no segundo semestre de 2014, veremos produtos da Acer, Asus, Dell, Fujitsu, HP, Lenovo e NEC  no mercado. E isso é só o começo.

Vale notar como o CES antecipa tendências. Há 4 anos, no evento de 2010, apontamos no blog para o que estaria por vir agora. E, de quebra, falamos de um possível novo produto da Apple, que viria semanas depois, que acabou se chamando iPad.

Apple X Google: Batalha Final?

ImagemOntem à noite tive uma troca de tweets com o Guilherme Nagüeva sobre o Mountain Lion, browsers, bugs. Ele, com o olhar técnico, eu, com o estratégico, concluindo que os bons tempos da estabilidade da plataforma de computadores da Apple, definitivamente já eram. Ele, que segue usando o Safari como browser, e eu tendo mudado para o Chrome, para me incomodar menos com os bugs.

Ao procurar encontrar o sono, minha cabeça revirou um pouco e concluí que, definitivamente, essa área de tecnologia está em fase de consolidação, não tem jeito. Por mais que você se esforce e queira ter o seu jeito de estar conectado, dificilmente você escapa desses caras aqui listados em ordem alfabética:

  • Apple
  • Facebook
  • Google
  • Microsoft

Desses aí, o único que ainda não entrou no mundo do hardware, por enquanto, é o Facebook.

Dirão os mais criteriosos: Não é bem assim, afinal a Samsung vende mais smartphones do que a Apple, a Oracle tem o predomínio dos bancos de dados e é dona do Java, a maioria dos celulares ainda é da Nokia, o software aberto veio para ficar e por aí vamos…

OK, mas já tivemos milhares de fabricantes de automóveis e aviões, bancos já foram centenas de milhares mundo afora, companhias aéreas cada cidadezinha de razoável porte tinha a sua, as baguettes em Paris eram efetivamente produzidas em cada padaria, café ou restaurante, só para pegar alguns exemplos.

Na área da tecnologia, já tivemos dezenas de fabricantes de microcomputadores no Brasil. Planilhas eletrônicas, processadores de texto relevantes no mercado já superaram os dedos das mãos. Hoje em dia, a até então líder de mercado mundial de computadores (HP) anuncia que vai sair da briga dos pessoais, a Samsung esnoba o Windows Phone e considera desenvolver seu próprio sistema operacional para não ficar refém do Google com o Android. Haverá espaço?

No mercado acionário, a Apple torna-se a mais valiosa empresa de todos os tempos, ontem superando o market cap de US$ 623 bilhões, mas o Facebook aponta para uma queda livre em suas cotações, ao quebrarem para baixo o patamar de US$ 19 por ação, metade do valor de referência do IPO em maio passado. Tem gente dizendo que a empresa de Mark Zuckerberg pode em breve ser o alvo de alguma das gigantes do ramo para fusão ou aquisição.

Aliás, a Apple já sinalizou que não quer mais nada com o Google, ao retirar o Google Maps como a App padrão de buscas e flertar com uma separação amigável com o YouTube.

Para mim, parece claro que teremos, num futuro próximo, a grande guerra dos titãs digitais: Apple e Google. Serão esses caras o duopólio a bater?

Enquanto essa pergunta fica no ar ou mesmo perde relevância, posso afirmar que hoje, no mundo digital, dificilmente escapamos de estar atrelados a um dos quatro que listei no início desta postagem. Mesmo que estejamos tuitando via Blackberry.

Falando nisso, onde estão aquelas reuniões de executivos top de linha onde todos usavam Blackberry? Para mim, isso já é passado. Nem nos congestionados portões de embarque de nossos aeroportos o outrora onipresente smartphone tem espaço.

É, meus amigos… mesmo com toda a mudança vertiginosa que o mundo digital nos oferece, mesmo com a quantidade enorme de startups onde algumas valem 1 bilhão de dólares pouco depois de começar as operações, pode ser que estejamos chegando a uma indústria madura, dominada por poucos.

O Cachorro e o Tablet

No próximo dia 3 de abril, o iPad assopra duas velinhas. Nem parece que foi ontem o lançamento de um controvertido produto, em cima de uma tecnologia que existia há mais de uma década e que a maioria dos analistas e concorrentes apostava que ia ser um fracasso.

Mas o mundo real provou o contrário: o iPad e os tablets concorrentes rapidamente ultrapassaram a barreira de 100 milhões de unidades vendidas e um mercado superior a US$100 bilhões foi virtualmente criado a partir do nada. Ou melhor, a partir de uma visão de uma pessoa -Steve Jobs- que dizia não adiantar fazer pesquisa de mercado para saber da reação dos compradores sobre algo que eles ainda nem sabiam que iriam precisar.

A discussão sobre a utilidade do tablet segue aquecida, mesmo entre os quase 200 milhões de proprietários mundo afora.

Outro dia, recebi mensagem de um amigo meu no Facebook que se dizia preocupado com a proliferação de dispositivos que ele acabava tendo que aderir por conta da necessidade de se manter atualizado e conectado com o mundo.

E aí ele me listou, por ordem de aquisição: desktop, câmera fotográfica, iPod, laptop, smartphone pessoal, filmadora Full HD, smartphone corporativo, GPS e finalmente o tablet.

Nesse meio do caminho, ele relatou que quase não usa mais o desktop, o laptop ficou para uso profissional, os smartphones não desgrudam dele e o tablet “só falta ter um siga-me automático, um latido e algumas pulgas para ficar que nem meu cachorro de estimação”.

Ele também acaba usando sua câmera digital em ocasiões muito especiais e aposentou definitivamente a poderosa filmadora Full HD, já que a câmera e um dos smartphones são capazes de capturar vídeos 1080p com praticamente os mesmos efeitos, ao menos dentro de sua expectativa de uso. O iPod não virou sucata, mas agora mora em uma docking station conectada a seu home theater.

Desde novembro, diz meu amigo, ele só percorre suas quatro contas de e-mail usando seu tablet, aí contada a corporativa, e nem se lembra mais quando foi a última vez que ele alugou um vídeo na locadora ou comprou um título de livro impresso em inglês ou alemão pela Amazon, esses viraram eBook. Músicas em meio físico, então, nem pensar, depois que ele conseguiu comprar as coleções de Adoniran Barbosa e dos Beatles na iTunes Store para repor as que havia perdido quando de seu primeiro divórcio. E o GPS do carro, que ele pagou uma grana preta, agora está disponível como um aplicativo para seu smartphone por uma fração do preço.

Como ele já é um cinquentão alto, significa que ele passou por várias fases da evolução tecnológica e dos traumas a ela associados. Poderia ter sido tentado a pregar as virtudes do passado, mas seguiu, valente, as novas tendências.

Hoje ele é absolutamente dependente do tablet, algo que, em abril de 2010 ele nem imaginava ter. Quando eu postei minha primeira perspectiva do iPad neste blog, ele disse que estaria na turma dos que “nem esperando para ver o que aconteceria teria a mais remota tentação de comprar um”. Sua rejeição ao tablet, que ele nem sabia o que era, durou meros três meses, e acabou quando ele foi em julho com a filha e os dois netinhos para Orlando, com direito até mesmo a fila de espera na loja da Apple.

Mas é aí que a cobra fuma: no meu entender, pouco importa o que eu, meu amigo ou todos os demais nascidos no século XX, no segundo milênio da era cristã, podem pensar. O fato é que essa geração D nascida em anos que começam com 2 sequer viveu uma era sem internet, sem dispositivos com tela sensível ao toque e vai estar no mercado dentro de poucos anos.

E essas tecnologias, dentre outras coisas, eliminam barreiras de acesso ao conhecimento (internet) e criam uma forma intuitiva de interação com as máquinas. O touch-screen foi uma novidade nos smartphones e provaram seu verdadeiro valor nos tablets. Basta ver a naturalidade que qualquer criança tem ao manusear um tablet, mesmo sem ainda ter saido das fraldas.

Se voltarmos ao tempo, muita gente falava contra os smartphones (eram caros, muitos nem teclado tinham e lhes faltava a graça e a duração da bateria dos flip-phones, como o tão popular StarTac da Motorola) e mesmo contra os desktops (o presidente da Digital Equipment, Ken Olsen, dizia na década de 70, que não via nenhuma razão para um indivíduo ter um computador em casa. Não por outro motivo, a DEC, então lider de mercado no segmento de minicomputadores, acabou comprada pela Compaq, que, por sua vez, acabou no bolso da HP).

No caso do tablet, a mudança foi e será ainda mais radical, pois o descrédito original transformou-se rapidamente na percepção de que ele potencializa o uso de múltiplas funcionalidades e facilita, como nenhum outro, o acesso a conteudos dos mais váriados tipos, e já possui literalmente milhões de aplicativos disponíveis, a maioria gratuito.

Mas ainda não chegamos lá.

Ao meu amigo do Facebook, eu respondi que, à exceção das pulgas, ele poderia ter quase todo o resto do cão no tablet, ou quase isso, o que lhe gerou uma dúvida existencial em relação ao seu companheiro de muitos anos…

Numa dessas, dá para pensar num App que atraia pulgas e o tablet comece a se coçar, mas aí já é querer demais!

Concentrando os atores

Duas notícias no mesmo dia sacodem o mercado: A HP desiste do mercado de desktops, notebooks, netbooks, tablets e smartphones; a Nokia anuncia o abandono de seu sistema operacional campeão de vendas, o Symbian.

A surpresa vinda da HP é pelo timing. No que toca aos computadores, o avanço dos asiáticos de baixo preço, especialmente no mercado da pessoa física espremeram demais as margens. Lembrando da IBM anos atrás quando passou o boné para a chinesa Lenovo, mas embolsando uma graninha. Agora, nem isso.

Nos tablets e smartphones a HP nem chegou a decolar. Meses depois de fazer uma nova aposta no renomeado WebOS, sistema operacional herdado da adquirida e pioneira Palm, era estratégia ousada da companhia ser uma alternativa viável aos competidores iOS, Android e Windows Phone.  O recuo soou como algo mal planejado. O mercado bateu pesado no valor das ações, na sexta, e, já na segunda, sinalizava com uma recuperação parcial. Algo como que susto! ao saber das novas seguido de um talvez não tenha sido tão mal assim.

Os chamados consumíveis, um eufemismo para cartuchos de tinta e toner para impressoras seguem gerando caixa para a HP, mesmo com a concorrência acirrada. E a área de serviços segue embalada. Aqui, de novo, parecido com o que vem fazendo a também gigante IBM.

Já a Nokia, ao dizer que acaba a produção de celulares com Symbian para o mercado da América do Norte assume que a evolução desse sistema operacional está congelada e dá ao mesmo tempo um poderoso aval e incentivo aos concorrentes e deixa evidente que aposta todas suas fichas na plataforma Windows Phone, da sua parceira Microsoft.

Então dá para assumir que os smartphones vão acelerar suas taxas de crescimento e que as vendas de tablets -mercado inexistente até o primeiro trimestre de 2010- também disparam.

E a definição da próxima bola da vez, para mim, está definida: a RIM, fabricante do Blackberry, hoje sucesso de público no mercado corporativo, vai ser fortemente pressionada pelos atores gigantes. Não será novidade se ela for, finalmente, adquirida por algum desses mencionado aí no início do post.

Ah! Não podemos esquecer o também recente anúncio da compra da Motorola Mobile pelo Google. movimento no mínimo estranho para um gigante que produz o Android como plataforma aberta e agora sinaliza que pode turbinar as vendas de smartphones fabricados em casa, em detrimento de seus muitos parceiros globais,


A concentração dos fornecedores deve se acentuar. Quem ganha? Quem perde? Façam suas apostas!

Apple: Charme Eterno?

Será que a Apple descobriu o mapa da mina inesgotável? Será que o charme de seus produtos não encontra concorrentes?

Direto aos pontos: Não, o sucesso não é eterno nem garantido e a concorrência está atenta e viva.

Independente disso, alguns fatores não foram bem abordados pela concorrência. A eles:

1- Tudo que a Apple desenvolve e produz deve responder a uma pergunta fundamental: Isso aí vai melhorar a experiência do usário? Se a resposta é não, deleta-se o projeto e começa-se tudo de novo.
2- A apresentação de cada produto ou serviço é sempre um show de marketing, eventos com luz própria, nunca em feiras gigantes. Isso garante exclusividade na atenção ao que está sendo anunciado
3- A mídia espontânea -mas nem tanto- gerada por formadores de opinião que recebem dicas antecipadas mas parciais porém relevantes do que se passa nos laboratórios da Apple. No caso do iPad, isso foi avaliado em mais de US$ 700 milhões, verba de marketing que nenhuma empresa no mundo dispõe para lançar um produto.
4- A ênfase nos detalhes de cada produto são cuidadosamente estudados para agradar compradores compulsivos, fashionistas, engenheiros, tecnófobos e outras tribos com igual atenção.
5- A expectativa dos próximos lançamentos gera animação constante e vendas adicionais dos produtos já existentes.
6- A Apple, por vocação ou junção dos fatores acima, sempre teve o foco na pessoa física, com raras incursões na pessoa jurídica. Assim, não precisou fazer compromissos com grandes contas nem com grandes e sofisticados aplicativos das corporações.

A Apple também se posiciona com muita competência com suas arquiteturas proprietárias, e aparentemente seus clientes não se importam muito com isso. Lá pela década de 1990 a companhia da maçã, patinando por sua sobrevivência, tentou licenciar a plataforma Macintosh para terceiros, visando aumentar sua base instalada. Foi um fracasso total, obrigando-a a uma retirada nada estratégica de volta ao velho caminho do exclusivo.

Esse posicionamento histórico tem seus riscos, mas eles são menores do que desejaria a concorrência.

Por exemplo, analistas são unânimes em apontar que nos próximos anos (3 a 5, dependendo da análise), a plataforma iOS será apenas a terceira mais usada em smartphones e tablets, atrás do Android, do Google e do Windows Phone, da Microsoft.

É provável que isso aconteça, mas é bom lembrar que o Android tem e terá centenas de versões e de fabricantes nas mais variadas partes do mundo. O Windows Phone será um pouco mais controlado, mas assim mesmo distribuido por múltiplos fabricantes globais.

Já a Apple seguirá sendo única. Em qualquer caso, seus smartphones e tablets tenderão a permanecer no topo da lista dos mais vendidos, contra todos os outros, isoladamente.

Parece claro ainda que na área de música e vídeo, a liderança fica com a Apple por um bom tempo. Nos notebooks, esse não é o caso, mas o topo do mercado, exatamente o mais lucrativo, percebe cada vez mais a atratividade dos Mac. Basta ver sua crescente popularidade em aeroportos, cafés e restaurantes.

Do setor de serviços, agora com o iCloud, vem mais uma tentativa de ser dominante. Sucesso que precisa de uma reinvenção, pois o MobileMe, sua base de lançamento, foi um fracasso total.

Talvez a maior ameaça para a Apple está exatamente no seu imenso sucesso, na medida em que tem mais e diversificados produtos e se propõe a ganhar mais e diversificados mercados.

Crescer e manter qualidade, segurança e especialmente controle desses mercados não são tarefas fáceis.

No conjunto da obra, é mais provável que os grandes adversários da Apple estejam mais para uma Amazon do que para uma HP, mais para um Facebook do que para uma Microsoft.

Isso sem falar na NBT, ou Next Big Thing, acrônimo que acabo de inventar para fins de argumentação. A cada década, o mundo da tecnologia nos brinda com uma nova onda. Nos anos 90, o Google, nos 00 o Facebook, agora, nos 10, ainda não tivemos algo que chacoalhasse o mercado.


Não tivemos? E essa onda da mobilidade, puxada pelo iPhone e pelo iPad? Quem inovará para valer?

Apple: Charme Eterno?

Será que a Apple descobriu o mapa da mina inesgotável? Será que o charme de seus produtos não encontra concorrentes?

Direto aos pontos: Não, o sucesso não é eterno nem garantido e a concorrência está atenta e viva.

Independente disso, alguns fatores não foram bem abordados pela concorrência. A eles:

1- Tudo que a Apple desenvolve e produz deve responder a uma pergunta fundamental: Isso aí vai melhorar a experiência do usário? Se a resposta é não, deleta-se o projeto e começa-se tudo de novo.
2- A apresentação de cada produto ou serviço é sempre um show de marketing, eventos com luz própria, nunca em feiras gigantes. Isso garante exclusividade na atenção ao que está sendo anunciado
3- A mídia espontânea -mas nem tanto- gerada por formadores de opinião que recebem dicas antecipadas mas parciais porém relevantes do que se passa nos laboratórios da Apple. No caso do iPad, isso foi avaliado em mais de US$ 700 milhões, verba de marketing que nenhuma empresa no mundo dispõe para lançar um produto.
4- A ênfase nos detalhes de cada produto são cuidadosamente estudados para agradar compradores compulsivos, fashionistas, engenheiros, tecnófobos e outras tribos com igual atenção.
5- A expectativa dos próximos lançamentos gera animação constante e vendas adicionais dos produtos já existentes.
6- A Apple, por vocação ou junção dos fatores acima, sempre teve o foco na pessoa física, com raras incursões na pessoa jurídica. Assim, não precisou fazer compromissos com grandes contas nem com grandes e sofisticados aplicativos das corporações.

A Apple também se posiciona com muita competência com suas arquiteturas proprietárias, e aparentemente seus clientes não se importam muito com isso. Lá pela década de 1990 a companhia da maçã, patinando por sua sobrevivência, tentou licenciar a plataforma Macintosh para terceiros, visando aumentar sua base instalada. Foi um fracasso total, obrigando-a a uma retirada nada estratégica de volta ao velho caminho do exclusivo.

Esse posicionamento histórico tem seus riscos, mas eles são menores do que desejaria a concorrência.

Por exemplo, analistas são unânimes em apontar que nos próximos anos (3 a 5, dependendo da análise), a plataforma iOS será apenas a terceira mais usada em smartphones e tablets, atrás do Android, do Google e do Windows Phone, da Microsoft.

É provável que isso aconteça, mas é bom lembrar que o Android tem e terá centenas de versões e de fabricantes nas mais variadas partes do mundo. O Windows Phone será um pouco mais controlado, mas assim mesmo distribuido por múltiplos fabricantes globais.

Já a Apple seguirá sendo única. Em qualquer caso, seus smartphones e tablets tenderão a permanecer no topo da lista dos mais vendidos, contra todos os outros, isoladamente.

Parece claro ainda que na área de música e vídeo, a liderança fica com a Apple por um bom tempo. Nos notebooks, esse não é o caso, mas o topo do mercado, exatamente o mais lucrativo, percebe cada vez mais a atratividade dos Mac. Basta ver sua crescente popularidade em aeroportos, cafés e restaurantes.

Do setor de serviços, agora com o iCloud, vem mais uma tentativa de ser dominante. Sucesso que precisa de uma reinvenção, pois o MobileMe, sua base de lançamento, foi um fracasso total.

Talvez a maior ameaça para a Apple está exatamente no seu imenso sucesso, na medida em que tem mais e diversificados produtos e se propõe a ganhar mais e diversificados mercados.

Crescer e manter qualidade, segurança e especialmente controle desses mercados não são tarefas fáceis.

No conjunto da obra, é mais provável que os grandes adversários da Apple estejam mais para uma Amazon do que para uma HP, mais para um Facebook do que para uma Microsoft.

Isso sem falar na NBT, ou Next Big Thing, acrônimo que acabo de inventar para fins de argumentação. A cada década, o mundo da tecnologia nos brinda com uma nova onda. Nos anos 90, o Google, nos 00 o Facebook, agora, nos 10, ainda não tivemos algo que chacoalhasse o mercado.


Não tivemos? E essa onda da mobilidade, puxada pelo iPhone e pelo iPad? Quem inovará para valer?

O Despertar das Gigantes

O mundo da mobilidade foi comunicado: as gigantes Nokia, Microsoft e HP acordaram e prometem dar trabalho, muito trabalho, às líderes de mercado com a nova geração de produtos e serviços.


Depois de muitas especulações de que a Microsoft compraria a Nokia ou que ambas fariam alianças estratégicas e outros comunicados e análises, ficou claro que, nessa configuração de parceria, a Nokia desenvolve o hardware e a Microsoft fornece o Windows Phone 7 como plataforma para os aplicativos. O objetivo anunciado é suculento: criar um novo ecosistema global de mobilidade. Nada menos que isso.

Faz sentido: A Microsoft dominou por décadas a computação pessoal e ainda hoje a imensa maioria de desktops e laptops são movidos a Windows; a Nokia, de outro lado, popularizou o universo dos celulares com seus aparelhos robustos, fáceis de usar e que têm como sistema operacional o Symbian, que, definitivamente não conseguiu emplacar no mundo dos smartphones e tablets.

A também gigante HP, que muita gente achava que iria ficar para trás, anunciou o seu tablet TouchPad, sem ficar corada pelo empréstimo do nome do dispositivo sensível ao toque presente em quase todos os notebooks do mercado. Com tela de 10″, câmera fotográfica e interface USB, ele tem tudo que o iPad 2 deverá ter, menos o conteúdo. O sistema operacional é o excelente e revitalizado webOS, da extinta Palm, comprada pela HP tempos atrás e que foi a pioneira no mercado em dispositivos digitais portáteis.

Não tenho dúvidas de que esses gigantes vão incomodar a liderança da Apple e o crescimento vertiginoso do Android, sem falar na focada e sólida RIM com seus Blackberries solidamente entrincheirados no mundo corporativo, onde a mobilidade ainda é quase que totalmente dedicada à checagem de e-mails e ao acesso a poucos sites e aplicativos dedicados.

Sinaliza também que o mercado da mobilidade vai entrar em uma nova fase, mais madura, onde o encantamento inicial criado pela Apple pode não ser mais o efeito determinante na decisão de compra.

No entanto, o grande desafio a ser superado está na quantidade e na qualidade das centenas de milhares de apps já disponíveis nos ambientes iOS e Android.

Mas a guerra está declarada. Os demais entrantes no mercado de smartphones e tablets vão ter que se allinhar a uma dessas plataformas: os já famosos iOS e Android e os gigantes Microsoft/Nokia e HP.

A RIM e seu Blackberry pode ser um caso a parte, dada sua zona de conforto nas empresas. Mas é difícil imaginar um ambiente corporativo em 3 ou 4 anos que aposte suas fichas em um produto de nicho, embora extremamente competente no que faz.

Eu até arriscaria um palpite -de resto já contemplado em análises de cenário nos eventos maiores de tecnologia- que a RIM está, na moita, estudando em qual porto vai lançar âncoras para a próxima geração de produtos.

Mas vai ser fascinante observar e participar dos próximos lances!

IFA 2010: Ode ao consumidor digital

IFA 2010 é a maior feira de eletrônica de consumo da Europa e está rolando em Belim até quarta, 8 de setembro e representa o contraponto da CES de Las Vegas, que abre o ano mostrando novas tendências. Ao contrário do mercado americano, os europeus são mais exigentes, conservadores e de mão no bolso antes de comprar qualquer gadget. Este ano, eles estão sendo submetidos a uma pressão enorme dado o lançamento de muitos novos produtos e, especialmente, pela consolidação de fornecedores que até poucos anos atrás, estavam só no mercado empresarial e profissional, as empresas de TI.

 

Para variar, a Apple não está lá com stand próprio, mas os fornecedores de acessórios para iPad, iPhone, iPod e os concorrentes desses produtos não deixam a empresa da maçã mordida ausente do trecho. Ao contrário, mostram que o mercado de música, vídeo e livros digitais está em sua fase adulta, quando devemos esperar não só maior variedade de ofertas mas especialmente uma queda forte de preços, por conra da briga por market share.

A novidade marcante este ano está na disputa dos tablets, que muita gente tentou mas que só virou febre depois do lançamento do iPad. Muitos produtos novos e promessas de futuros lançamentos parece sinalizar para a consolidação desse tipo de produto, com tela sensível ao toque entre 7″ e 11″ e sempre com muitas funcionalidades e enorme gama de conteudo.

A Amazon, por exemplo, já tem um sucessor (ou um upgrade, conforme a análise) do Kindle, que deixa de ser um mero leitor de livros digitais para incorporar novas funcionalidades, e, embora com tela monocromática mas sensível ao toque vem com três apelos fortes: preço lá no porão, peso um terço do iPad e durabilidade da carga da bateria medida em semans em vez de horas.

Em outro segmento, a TV digital parece sinalizar para valer a chegada da 3D, com muitos novos lançamentos e funcionalidades. Isso pode significar um ciclo de vida e de produção mais curto para os televisores de alta definição LED, LCD e plasma, mas 2D, ainda mais com a popularização de simuladores de 3D nos players BluRay mais recentes.

Num panorama mais amplo, podemos ver que o grande movimento de placas tectônicas que antes separavam o mundo pessoal do corporativo parece sinalizar para a mistureba total. Se antes Sony, Panasonic, Philips e outras iam em busca do mercado empresarial, a Apple puxa o carro e arrasta junto Microsoft, IBM, HP e outras tantas, sempre ávidas de novos mercados. Isso sem falar na turma de telecomunicações, hoje fortemente influenciada por chineses e coreanos mas anda com forças dominantes como Nokia e RIM.

Se devemos imaginar futras consolidação de empresas pela chegada da tal da convergência, o ponto maior em jogo é que o foco dessas empresas recaiu sobre a pessoa física, que cada vez mais será tentada e adulada.

É um jogo do ganha-ganha. Ou é isso que eu gostaria de ver…

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