Smartphones começam a baixar de preço. Precisam cair mais!
Começo a receber mensagens de marketing de várias operadoras e lojas com ofertas imperdíveis de smartphones, mais baratos, supostamente já em linha com a medida do governo que reduziu tributos incidentes sobre os aparelhos.
Aqui está uma amostra de uma das lojas, apenas como referência, até porque os preços acabam sendo muito parecidos.
Oba! Vamos nessa?? Calma, gente! Com muita calma…
Brasil: Um computador por habitante em 2016. E daí?
Em 2016, o Brasil deverá ter um computador por habitante. Palavra da FGV, que costuma não falhar nos seus números.
E daí? Isso quer dizer que cada brasileiro ou brasileira poderá exibir um lustroso computador? Nem perto…
Acabou a magia da Apple?
Nesta quarta, 16/04, as ações da Apple caíram abaixo dos US$ 400, depois do pico acima de US$ 700 seis meses atrás, quando a empresa da maçã era a mais valorizada do mundo.
Não mais.
O mercado capta sinais de esgotamento do ciclo de inovação que a empresa liderava há uma década, e seus recentes lançamentos já encontram similares na praça com preço, funcionalidades e design no mínimo equivalentes.
Sonho ou Pesadelo?
Notícia boa 1: A desoneração de smartphones que custam até R$ 1.500 deve reduzir em até 30% seu preço ao consumidor. Como resultado prático, mais gente vai poder trocar seus celulares basicões e desfrutar das centenas de milhares de aplicativos, o acesso rápido à internet, o uso de redes sociais “on the go” e tantas outras facilidades que hoje apenas uma camada da população dispõe.
Notícia boa 2: As operadoras precisam ampliar suas redes e pontos de acesso (as antenas nas torres, especialmente para a rede 4G) e querem negociar com as autoridades nas várias esferas e organismos mais agilidade, para que o processo que hoje leva em média 18 meses possa ser substancialmente reduzido e inclusive atender aos grandes eventos previstos para o Brasil entre 2013 e 2016.
Notícia boa 3: Anatel adia até 2018 o fim da TV analógica e, por consequência, a pressão sobre milhões de brasileiros para antecipar a compra de caixas conversoras de sinal digital ou desses modernos televisores de LED, LCD ou plasma, embora isso signifique menos banda disponível na faixa de 700 MHz para a telefonia 4G, hoje ocupada pelos sinais da TV aberta.
Podem três notícias boas somadas virarem um pesadelo gigantesco? Isso vai depender do desenrolar dos cenários que estão sendo postos.
O Índio e a Flecha, Versão 2013
Dias atrás eu saia de um compromisso em Campinas para o aeroporto de Viracopos, com alguma folga de tempo, mas no pico do rush da tarde e, ainda por cima, com chuva. O gentil motorista de São Paulo que me conduzia tinha à disposição dois aparelhos de GPS, um portátil e o outro, instalado de fábrica no carro.
Optou pelo primeiro para encontrar um atalho, visando evitar pontos de congestionamento das estradas. Mas o GPS nos levou a estradas secundárias e a primeira alternativa foi perguntar ao porteiro de um condomínio sobre o caminho do aeroporto: “Ih! vocês estão indo para o outro lado. Melhor voltar…”
e-Reader ou Tablet 2: por um novo modelo de negócios
No post anterior, coloquei pontos para a tomada de decisão sobre a compra hoje de um tablet ou um e-Reader, sob a ótica de um possível novato no assunto.
Embora o tema seja recorrente e provoque discussões acaloradas, inclusive com poderosos lobbies pró um modelo e contra o outro, sem contar com as vigorosas defesas de seguir tudo como está. E com bons argumentos!
Só que… o modelo atual vai ser rompido quando alguém, no ramo de conteúdo ou alguma startup acordar para a oportunidade real, e passar a oferecer um e-Reader de qualidade, a preço zero. Mais ou menos copiando o modelo do Google, do Facebook em seus estágios iniciais.
Vamos lá: no modelo de negócios do livro impresso, existe o custo de impressão, encadernamento, distribuição e encalhe, só para ficar nos principais quesitos que desaparecem quando o livro vira digital.
Para reforçar, países como o Brasil ainda possuem um enorme mercado potencial para livros, dada a ridícula relação de livros vendidos por habitante por ano que temos em nossas plagas. Típico de país submergente!
No campo do livro didático, onde somos líderes em vários indicadores, com notória exceção da qualidade do conteúdo, os grandes compradores podem exercer seu poder de fogo para mudar o modelo.
Assumindo que um tablet venha a armazenar ao longo de sua vida útil algo como 100 livros, ao preço impresso na livraria de R$ 50, podemos fazer uma conta simples de quitandeiro e assumir que, desse bolo todo, podemos retirar 15% de custos por conta do ciclo do papel no livro. Isso dá R$ 7,50 por livro ou R$ 750 para os 100 livros desse hipotético e-Reader.
Os números podem não ser exatamente esse, mas, se buscarmos ampliar o número de livros por leitor e o número de leitores humanos, fica evidente que o papel, a tinta, o combustível do caminhão, o espaço de armazenamento, o tratamento de descupinização que deixam de ser usados pagam qualquer e-Reader de alta qualidade. Idem para o livro didático.
E os tablets? Esses não somem, mas vão se tornar cada vez mais plataformas multiuso, como os smartphones. Lá na frente, dentro de 5 anos no máximo, os livros digitais devem chegar a mais de 80% dos títulos vendidos, e sua leitura se dará primordialmente através dos e-Readers. Que serão gratuitos, ou, no máximo, vendidos a preço de banana colhida no pé.
O que não vejo é um movimento forte de nenhum dos produtores de plataformas digitais, muito menos os que tratam de conteúdo, como as editoras e as distribuidoras, pensando no assunto.
O desfecho é inevitável, resta saber quem vai se beneficiar mais desse apetitoso mercado do livro digital.
Os estrelados, suas namoradas, seus e-mails e a neutralidade da web
General Petraeus – cortesia philly.com
Então, agora temos uma realidade mais criativa do que a ficção: O estrelado general Petraeus, agora ex-chefão da CIA, sua biógrafa e namorada, o agora ex-futuro comandante das forças americanas no Afeganistão, o também estrelado general Allen e sua namorada. Elas disputando estrelas -e, com certeza, mais coisas- dos generais, ambos casados com sua esposas há décadas, respeitados na hierarquia militar, flagrados nas trocas de e-mails os mais picantes revelando segredos de alcova, se é que existem alcovas hoje em dia.
Detalhe: ambos os militares são depositários de relevantes informações relativas à segurança nacional americana e, claro, à segurança global. Ou seja, se e-mails deles podem vazar e comprometer suas carreiras, imagine os nossos!
E não só e-mails, mas também perfis em redes sociais, nossos dados pessoais, financeiros, documentos familiares, profissionais, o que seja.
Enquanto isso, no Congresso brasileiro e em outras casas de leis e em organismos multilaterais mundo afora discutem-se se, como, quanto e quando a internet e o mundo digital precisam ser regulados, em que circunstâncias o que é meu e o seu podem ser tornados públicos sem quebra da lei, o que deve ser aberto em prol do bem público, quem pode controlar, bisbilhotar, invadir.
A polêmica em torno dos generais e de suas estrelas companheiras de travesseiro é centrada em saber se informações sensíveis e confidenciais de segurança vazaram, ou seja, se as meninas podem ter sido, de uma forma ou de outra, uma versão século 21 de Mata Hari, famosa espiã.
A lei brasileira vai ter muitos desdobramentos ainda, no Congresso Nacional, até sua eventual aprovação. Depois chega a vez dos decretos, portarias e resoluções normativas que detalham a lei. Seguem-se as contestações no Judiciário, as revisões da lei, decretos, portarias e resoluções, tratados internacionais, e por aí vamos.
Em um mundo que gera 2,5 quintilhões de bytes por dia, e onde 90% de todos os dados gerados pela humanidade foram acumulados nos últimos dois anos, segundo Nate Silver em seu genial livro The Signal and The Noise, devemos nos dar conta que nossos dados não públicos tendem a zero, se já não chegaram lá. A dúvida é como fazer para preservar um mínimo do que imaginamos ser privacidade.
Na discussão do Congresso Nacional, um impasse se dá em torno das excessões da neutralidade da web, como no caso de catástrofes naturais ou da investigação de possíveis crimes. Como o termo neutralidade é pinçado para ser o equivalente, na Constituição, da igualdade que teríamos todos perante a lei, já dá para ver o tamanho da encrenca para chegarmos a um consenso que seja tornado lei e que essa lei seja aplicável.
Enquanto isso, melhor cuidar do nosso. Se os mails desses dois generais estrelados não eram seguros…
Ponto de Inflexão
A tradicional Encyclopaedia Brittanica, impressa desde 1768 sem interrupções, capitula: vai continuar enciclopédica e respeitada, mas só no formato digital.
Esse marco encerra discussões acadêmicas sobre o sério (impresso) versus o fútil (na internet, Wikipedia). Vale a pena ver o video onde a capitulação é explicada no YouTube.
Eu tenho em casa uma edição comemorativa do bicentenário da enciclopédia (1968), com 25 volumes. Junto com a coleção, veio uma reprodução da primeira edição (1768), com apenas três tomos.
A edição de 2012 fecha o ciclo da derrubada de árvores com 32 volumes.
Mas o fim da Brittanica no papel tem outras explicações, que por vezes podem passar desapercebidas.
Em primeiro lugar, a impossibilidade de manter atualizado um conteudo impresso a cada dois anos com a velocidade da evolução do conhecimento humando em tempos de internet.
Devemos considerar também o fim do monopólio da verdade. Se na era da Revolução Industrial -quando a enciclopédia surgiu- o grosso da ciência, da tecnologia, da arte e da cultura eram irradiadas ou influeinciadas pelo império onde o sol não se punha, hoje em dia a colaboração global parece desenhar o novo conhecimento.
As causas ecológicas são levantadas, mas a quantidade de papel usada para todos os exemplares vendidos em um ano é muito menor do que a usada por qualquer um dos 100 maiores jornais diários que circulam no mundo.
A mais prosaica de todas talvez seja a dificuldade de guardar e usar em casa os 32 volumes. As estantes estão cada vez menores, mais estreitas, e o acesso aos verbetes é algo incômodo, quando comparado à versão digital.
Assinaturas digitais da Brittanica para o computador já existem há algum tempo, e as apps para tablets estão disponíveis. Os preços, muito mais camaradas do que os US$ 1.400 da última edição em papel. A versão online vale US$70/ano e as apps custam entre US$ 1,99 e US$ 4,99 por mês.
O modelo de negócios estava esgotado. Comparando esse preço com o de 44 anos atrás, a redução foi enorme. Lembro-me que o valor que investi foi parecido com o que paguei por um fusquinha zero.
Hoje, procuro quem queira receber de graça a coleção de 1968. Mas isso não é relevante.
O importante aqui é a inflexão de um modelo. Daqui em diante, o mundo digital fica com a exclusividade do conteudo do talvez mais tradicional veículo de registro do conhecimento humano.
orkut deixa de ter razão de existir
Finalmente o Facebook passou o orkut no Brasil em número de usuários. E o orkut está com prazo de validade vencido.
A conferir:
1- Brasil lidera em número de usuários do orkut no mundo
2- Brasil tem menos de 3 %:
- do número de internautas do planeta
- da população do planeta Terra
- do PIB mundial
3- Facebook tem, no mundo, 15 vezes mais contas que o orkut
4- Google investe no Google+ e estimula migração de perfis do orkut
5- orkut parou no tempo e no espaço
6- Juntando as pontas de 1 a 5, nenhuma rede social multi função vai ser competitiva na internet global tendo uma porcentagem relevante de 2 a 3% do total possível.
É só uma questão de tempo, e o orkut será peça do museu digital.



