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Dia dos Pais com verba curta. Qual o presente?

DSC06732Dia dos Pais. Dia de Presentes? De tecnologia?

Pode ser que hajam limitações. O cartão de crédito não anda de bom humor, o pai já tem tudo, ou não é muito ligado em coisas digitais, ou uma combinação desses e outros fatores.

Mas é inegável que a data traga reflexões. Nesse ano de 2014, muita gente anda contraída, ressabiada, e, no campo da tecnologia, já se foram os dias daqueles presentes baratos, para uso diário, como um pendrive, uma capa nova para o smartphone ou até mesmo uma coleção nova de músicas digitais numa dessas stores online onde você tem conta.

Presentear o papai com uma assinatura de uma revista digital ou de um serviço de streaming de vídeo pode ser uma boa, mas às vezes pode passar do teto de seu orçamento.

Que tal então procurar fazer uma aproximação digital com o papis? Como existe uma geração –literalmente– entre ele e você, é possível que suas trilhas digitais sejam bem distintas. Cada um na sua, usando aplicativos diferentes, de modo diferente, perfis de redes sociais que podem nem convergir. Ou até convergir demais.

Explico: com amigos(as), com a turma, é natural aquela sinergia na interação digital. Com uma geração acima ou abaixo, isso não é tão óbvio.

O dia-a-dia da vida moderna impõe, por vezes, um distanciamento maior. Locais de residência distintos, tempo de deslocamentos cada vez maiores, compromissos mil para manter as contas em dia, enfim, perspectivas e expectativas distintas.

É aqui que os dispositivos e serviços digitais tanto podem afastar como aproximar as gerações. Sem que isso seja notado por um ou por outro.

Você pode, então, conversar com o velho e buscar os pontos em comum das vidas digitais e aproximar-se dele. Um ponto de partida. De baixo para cima, na pirâmide etária.

Use a tecnologia para ficar mais perto, para aplainar divergências.

Tudo anda bem? OK, mesmo assim, nada é tão bom que não possa melhorar!

Tudo está feio? Boa oportunidade para reverter o quadro.

Faça uma proposta de aproximação digital. Pessoalmente, se possível. Com uma cartinha de papel, junto a um abraço e um beijo. Esse link é muito importante!

Eu tenho estudado muito a respeito do assunto, e de como as diversas gerações se comportam diante do mundo digital. A diferença é grande!

Existem, mundo afora, grupos, moderados por psicólogos, que se propõem a reaproximar filhos de pais e vice-versa usando a tecnologia como auxílio. Pode até dar certo, não sei.

Mas o bom mesmo, é um grande abraço e um beijo carinhoso no dia deles, que também pode ser o seu.

Isso vale mais do que um presente comprado pela internet. Independente de seu orçamento!

Feliz dia dos Pais, aos pais e filhos, sejam eles analógicos ou digitais.

Trastes digitais

A fotografia digital ainda é adolescente, já acabou com a Kodak, a principal fabricante de filmes, papéis fotográficos e de câmeras para uso amador. Mas os conceitos mudaram, com a chegada de dispositivos multitarefas, como smartphones e tablets.

As câmeras mais modernas também fazem vídeos de alta definição, em câmara lenta e também cheia de efeitos especiais. Lentes cada vez mais poderosas e sensores mais rápidos e com maior resolução permitem a geração de imagens antes só sonhadas por profissionais.

Já as filmadoras ficam mais leves, algumas geram imagens no novíssimo padrão 4k, tiram fotos, possuem GPS para localização, algumas têm WiFi, Bluetooth, 3G ou 4G para transmissão instantânea do que foi gravado.

Celulares são aposentados por vezes antes de fazer 1 ano, passam de mão em mão, mas ficam carregadores a cabos dos mais diversos tipos que, com o tempo, nem lembramos mais para que servem.

E fotos, vídeos, músicas, textos e outros arquivos ficam perdidos para sempre, seja porque não fizemos cópias, como porque os Apps deixam de ser compatíveis.

Juntando isso aos computadores, players de CDs, DVDs, BluRays, Equipamentos de som, set-tops, controles remotos, tudo isso gera montanhas de lixo eletrônico, de reciclagem complexa e cara.

Aí vem a pergunta: você realmente desfruta daquela máquina fotográfica digital que você tanto namorou e comprou depois de muita pesquisa? Ou as câmerassim, são duas– do seu smartphone resolvem seu problema na maioria das vezes? E quando você precisa daqueles recursos extras a sua possante não está por perto e ela fica relegada ao fundo do armário?

Se esse é seu caso, não se assuste: em quase 90% dos lares, as câmaras fotográficas e filmadoras digitais, quando existem, não chegam a registrar nem 5% das imagens do cotidiano. Acabam virando verdadeiros trastes.

 

Desintoxicação Digital

Você é um viciado digital? Quantas horas por dia você fica conectado? Quantas vezes você acessa seu email, seu Facebook, seu Twitter? Existem várias medidas para definir se e como o uso de dispositivos digitais pode ser caracterizado como um vício, e como tal, merece ser tratado. Mas a observação crítica em lugares púbicos indica, no mínimo, algumas situações bem frequentes:

  1. No restaurante à luz de velas, o jovem casal comemora alguma data, mas, de repente, cada um fica batucando seu smartphone até que o garçom chegue com o pedido e tenha que sutilmente pedir “ahan… posso servi-los?”
  2. Nas salas de embarque dos aeroportos, quase todo mundo conectado com smartphone, tablet ou notebook; nas salas VIP, ambiente parecido
  3. Nos cinemas, se você senta nas fileiras de trás, fica aquele acende-apaga de telinhas à sua frente, quando não so suma campainha do celular ou aquele pui-piu do Twitter
  4. Nas festas de família então…
  5. Ah! As cerimônias religiosas também.

Aí surgem oportunidades de negócios. Várias agências de viagem oferecem pacotes para quem quer se desintoxicar. Uma delas oferece 5 dias numa vila escocesa que se desconectou com o propósito de receber visitantes que não queiram contato com seus aparelhos. Sucesso absoluto, até porque existem locais de acesso fixo à internet e alguns habitantes convidam para um chá das 5 típico e com um por fora de internet. Mas a região é famosa pelas suas águas cristalinas e pela produção de algumas marcas famosas de uísque. Não tem internet? Beba do bom! Aqui no Brasil, é só dar um Google no argumento Desintoxicação Digital e surgem aproximadamente 132.000 resultados em 0,41 segundos.

Na California, um blogueiro/jornalista Patrick Maio ganha a vida escrevendo sobre desintoxicação digital, embora, a meu ver, de forma exagerada. Outra californiana, Tanya Schevitz, coordenadora de um programa de Digital Detox apoia o Dia Nacional da Desconexão, como frua de desplugar os cidadãos americanos e fazê-los ter um dia normal de convívio familiar, como antigamente. Funcionará? Diz ela: “A idéia é recuperar e reinventar o dia antigo tradicional de descanso, mas para um público mais amplo”
Começam a surgir grupos de apoio aos digiholics, nos moldes dos Alcoólicos Anônimos. Psicoterapeutas e psiquiatras já se especializam no tema, e alguns até usam ferramentas digitais para acompanhar os pacientes em seu programa de reabilitação.
Mas será que no Brasil precisamos de tanta parafernália. Afinal,  não é sempre preciso pagar fortunas para um spa de desintoxicação digital ou mesmo um apoio profissional que pode não dar resultados.
Basta parar para pensar nos vários pontos perto de onde moramos ou trabalhamos que o acesso à internet é precário ou limitado. Em vez de soltar impropérios, talvez seja melhor aproveitar para fazer sua desintoxicação.
A não ser que o apelo da oferta da Escócia seja irresistível!

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Faça aqui o teste de seu nível de intoxicação digital. Boa sorte!

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E aqui você ouve o comentário ao vivo hoje na CBN Curitiba, bom Gabriela Brandalise

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Alguns resultados da busca por Desintoxicação Digital no Google:

Arquivos digitais são para sempre?

Se você é nascido no milênio passado, ou melhor, nasceu antes da década de 1980, é provável que tenha passado por várias experiências de guardar informação. Fitas cassette, fitas de rolo, LPs, filmes Super 8, filmes fotográficos de vários formatos, câmera de fotos instantânea (a Polaroid), fitas de vídeo VHS e por aí segue.

Aí, com a chegada da era do microcomputador, vieram as fitas e discos magnéticos, disquetes, minidiscos. Mais os CDs, DVDs, BluRays. Mais recentemente, os pen-drive, memory-cards e memória fixa em smartphones, tablets e ultrabooks.

Guardar essas mídias para poder usá-las depois sempre foi um desafio. Ora porque não há mais como lê-las, pois não existem mais equipamentos para isso, e, quando existem, são raros e caros. Ora porque a versão do software que gerou o arquivo é incompatível com a atual. Sem contar que elas podem se deteriorar com o tempo, mesmo as que seriam eternas, como os discos digitais.

Mas CD, DVD e BluRay não são eternos, se bem cuidados? Infelizmente não. Também podem ser atacados por fungos, sofrem com variação de temperatura e umidade. As melhores previsões é que um disquinho desses de 5 1/4″ dure no máximo 100 anos. Como eles surgiram no início dos anos 1980, ainda não deu para verificar se duram mesmo isso tudo.

Os flash-drives, outra promessa de eternidade, não resistem ao tira e põe a que são submetidos os pendrives. Os memory-cards de filmadoras e máquinas fotográficas também são fáceis de perder, muitas vezes menor do que uma unha humana.

Solução hoje? Armazene na nuvem! Eu mesmo já toquei aqui nesse tema, mostrando as facilidades, os custos e a segurança. Isso antes das bisbilhotices globais na internet virem à tona… Mas esse caminho é sem volta, desde que não o único.

Arquivos importantes, pequenos, médios ou grandes, devem ser tão eternos quanto possível, mas mais duradouros do  que o amor de Vinícius de Morais, “imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure“.

Se você não tem tempo e disposição para guardar tudo, preserve com carinho aqueles que devam ser infinitos, ao menos para você.

TV 3D patina por falta de conteúdo. E vice-versa


3DslowAgora foi a BBC inglesa que desistiu de produzir filmes e séries em 3D. A audiência supostamente qualificada que esses produtos visavam atingir não chegou para pagar a conta. É mais uma grande rede de TV que puxa o freio de mão no mundo de três dimensões.

A tecnologia que permite ver imagens em três dimensões usando óculos especiais não é nova. Tem mais de 100 anos, mas só agora temos imagens bem realistas. Mas ainda existem problemas a contornar.

Começa pelos óculos de um fabricante que não servem para ver no televisor de outro fabricante. São dois tipos,  os óculos ativos, com bateria, e os óculos passivos, que, em tese, oferecem metade da resolução.

Passa pela falta de conteúdo 3D para a variedade de canais de TV existentes , e pelo exagero de efeitos tridimensionais, priorizando o efeito sobre o que exige a narrativa.

Quebra o galho a emulação de efeitos 3D a partir de conteúdos 2D, tipo asfalto anti-pó, que não dá para usar muito. Essas gambiarras de transição sempre são usadas quando surge uma nova tecnologia, como o BluRay e as imagens Full HD ou 1080p. A maioria dos players de BluRay e até alguns de DVD fazem upscale de 480p (padrão DVD) para 720p (HD) e 1080p.

Hoje, com o padrão Full HD em consolidação, já surgem vídeos e aparelhos de TV no mercado com o padrão Ultra-HD, ou 4k, que oferecem 16 vezes mais pixels que o 1080p, e aí estão os investimentos dos fabricantes, delineando a tendência futura.

Voltando à decisão da BBC de parar com conteúdo 3D: isso é ruim para os fabricantes, ruim para os geradores de conteúdo, ruim para quem sacou o cartão de crédito e apostou na imagem 3D doméstica.

Já no cinema, os filmes em 3D parecem ter conquistado um espaço definitivo. Quando escrevo esse post, são seis títulos diferentes em cartaz nos cinemas de Curitiba, e muitos mais anunciados.

Há controvérsias sobre o pouco entusiasmo para a dimensão da profundidade na telinha. Discussões centrais estão na inconveniência dos óculos atuais e na perspectiva de novos produtos que exibem imagens tridimensionais que dispensam óculos, como o Nintendo 3DS.

Outro dia ouvi uma explicação razoável: excesso de óculos. Óculos 3D, Google Glass, óculos de sol, óculos para ler, óculos para longe… não é tralha demais?

Vida Conectada: do U.S. Masters à Maratona de Boston

Com apenas dois dias de diferença, dois eventos esportivos de repercussão global tiveram alterações de rumo através da interação com espectadores conectados: O tradicional torneio de golfe U.S.Masters, em Augusta, Georgia (sábado, 13, no terceiro dia do torneio), e a Maratona de Boston (segunda, 15).

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Mensagem ao futuro prefeito da cidade grande

O que o prefeito de uma cidade grande deve priorizar em tecnologia? Wireless na cidade toda? Tablets para alunos? Informatização de serviços públicos?

Assim fui questionado para a minha coluna ao vivo na CBN, nesta quarta, 3, sobre Curitiba. Mas a resposta vale para qualquer cidade grande. Ou média. Ou mesmo pequena.

Respondendo ao contrário, vamos, de início, ao que eu não recomendaria ao prefeito:

1- Não compre tablets para os alunos da rede pública. Faltam conteúdo e conectividade, em especial para os que moram nas áreas mais carentes. Vale a pena trabalhar em parceria com o maior comprador de livros didáticos do mundo, o MEC, para que, a médio prazo, tivéssemos  conteúdo inteligente e iterativo disponível para toda a rede pública. Isso seria objetivo das campanhas a governador e presidente em 2014, mas sob um plano muito bem elaborado.

2- Conectividade é bom, mas não pode ser tudo grátis. Lembremos que os que possuem dispositivos digitais, fixos ou móveis, com acesso à internet estão mais concentrados nas camadas mais alta de renda. Mas um bom programa municipal para cobrir a cidade inteira com acesso em banda larga poderia ser desenvolvido em parceria com provedores de acesso e operadoras, de modo a ter pacotes interessantes em regiões da cidade com baixa conectividade.

3- Informatizar serviços públicos existentes é bom, mas não é o principal. Melhorar sempre é possível, mas nunca priorizando as atividades-meio. Lembrando que hoje a telefonia celular cobre praticamente a totalidade dos cidadão e que há uma crescente participação de tablets e smartphones entre os usuários, serviços como agendamento de consultas médicas, interações da escola com os pais, solicitação de serviços públicos, por exemplo, poderiam ter uma meta agressiva para a gestão que se inicia em 2013. Por exemplo, ter, no mínimo, 60% dessas transações do cidaão com o município e vice-versa via internet ou mensagens. Melhoraria a vida de todos nós e a eficácia dos serviços melhoraria. O cidadão poderia ser um bom agente de melhoria do serviço público, ao passar via celular fotos e vídeos de problemas ou carências detectadas.

4- Rede social não é megafone. Não use o poder das redes sociais só para alardear seus feitos. Elas são fundamentais para que a administração saiba, em especial, o que não vem funcionando direito. Estimular a participação do cidadão em rede pode ser uma ferramenta poderosíssima para tornar seu trabalho e de sua equipe mais produtivo, para o benefício de todos. Se você ignorar a melhor forma de uso das redes sociais, elas se voltarão contra você.

Ponto de Inflexão

A tradicional Encyclopaedia Brittanica, impressa desde 1768 sem interrupções, capitula: vai continuar enciclopédica e respeitada, mas só no formato digital.


Esse marco encerra discussões acadêmicas sobre o sério (impresso) versus o fútil (na internet, Wikipedia). Vale a pena ver o video onde a capitulação é explicada no YouTube.

Eu tenho em casa uma edição comemorativa do bicentenário da enciclopédia (1968), com 25 volumes. Junto com a coleção, veio uma reprodução da primeira edição (1768), com apenas três tomos.

A edição de 2012 fecha o ciclo da derrubada de árvores com 32 volumes.

Mas o fim da Brittanica no papel tem outras explicações, que por vezes podem passar desapercebidas.

Em primeiro lugar, a impossibilidade de manter atualizado um conteudo impresso a cada dois anos com a velocidade da evolução do conhecimento humando em tempos de internet.

Devemos considerar também o fim do monopólio da verdade. Se na era da Revolução Industrial -quando a enciclopédia surgiu- o grosso da ciência, da tecnologia, da arte e da cultura eram irradiadas ou influeinciadas pelo império onde o sol não se punha, hoje em dia a colaboração global parece desenhar o novo conhecimento.

As causas ecológicas são levantadas, mas a quantidade de papel usada para todos os exemplares vendidos em um ano é muito menor do que a usada por qualquer um dos 100 maiores jornais diários que circulam no mundo.

A mais prosaica de todas talvez seja a dificuldade de guardar e usar em casa os 32 volumes. As estantes estão cada vez menores, mais estreitas, e o acesso aos verbetes é algo incômodo, quando comparado à versão digital.

Assinaturas digitais da Brittanica para o computador já existem há algum tempo, e as apps para tablets estão disponíveis. Os preços, muito mais camaradas do que os US$ 1.400 da última edição em papel. A versão online vale  US$70/ano e as apps custam entre US$ 1,99 e US$ 4,99 por mês.

O modelo de negócios estava esgotado. Comparando esse preço com o de 44 anos atrás, a redução foi enorme. Lembro-me que o valor que investi foi parecido com o que paguei por um fusquinha zero.

Hoje, procuro quem queira receber de graça a coleção de 1968. Mas isso não é relevante.

O importante aqui é a inflexão de um modelo. Daqui em diante, o mundo digital fica com a exclusividade do conteudo do talvez mais tradicional veículo de registro do conhecimento humano.

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