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e-Reader ou Tablet 2: por um novo modelo de negócios

e-ReaderFreeNo post anterior, coloquei pontos para a tomada de decisão sobre a compra hoje de um tablet ou um e-Reader, sob a ótica de um possível novato no assunto.

Embora o tema seja recorrente e provoque discussões acaloradas, inclusive com poderosos lobbies pró um modelo e contra o outro, sem contar com as vigorosas defesas de seguir tudo como está. E com bons argumentos!

Só que… o modelo atual vai ser rompido quando alguém, no ramo de conteúdo ou alguma startup acordar para a oportunidade real, e passar a oferecer um e-Reader de qualidade, a preço zero. Mais ou menos copiando o modelo do Google, do Facebook em seus estágios iniciais.

Vamos lá: no modelo de negócios do livro impresso, existe o custo de impressão, encadernamento, distribuição e encalhe, só para ficar nos principais quesitos que desaparecem quando o livro vira digital.

Para reforçar, países como o Brasil ainda possuem um enorme mercado potencial para livros, dada a ridícula relação de livros vendidos por habitante por ano que temos em nossas plagas. Típico de país submergente!

No campo do livro didático, onde somos líderes em vários indicadores, com notória exceção da qualidade do conteúdo, os grandes compradores podem exercer seu poder de fogo para mudar o modelo.

Assumindo que um tablet venha a  armazenar ao longo de sua vida útil algo como 100 livros, ao preço impresso na livraria de R$ 50, podemos fazer uma conta simples de quitandeiro e assumir que, desse bolo todo, podemos retirar 15% de custos por conta do ciclo do papel no livro. Isso dá R$ 7,50 por livro ou R$ 750 para os 100 livros desse hipotético e-Reader.

Os números podem não ser exatamente esse, mas, se buscarmos ampliar o número de livros por leitor e o número de leitores humanos, fica evidente que o papel, a tinta, o combustível do caminhão, o espaço de armazenamento, o tratamento de descupinização que deixam de ser usados pagam qualquer e-Reader de alta qualidade. Idem para o livro didático.

E os tablets? Esses não somem, mas vão se tornar cada vez mais plataformas multiuso,  como os smartphones. Lá na frente, dentro de 5 anos no máximo, os livros digitais devem chegar a mais de 80% dos títulos vendidos, e sua leitura se dará primordialmente através dos e-Readers. Que serão gratuitos, ou, no máximo, vendidos a preço de banana colhida no pé.

O que não vejo é um movimento forte de nenhum dos produtores de plataformas digitais, muito menos os que tratam de conteúdo, como as editoras e as distribuidoras, pensando no assunto.

O desfecho é inevitável, resta saber quem vai se beneficiar mais desse apetitoso mercado do livro digital. 

Livros eletrônicos caros demais. Os de papel, mais ainda!

A Amazon, desde o Natal de 2009 já vende mais títulos de livros no formato digital do que os tradicionais de papel. De lá para cá os preços dos leitores cairam rapidamente com a introdução do multifunção iPade agora a tendência é irreversível a favor do livro digital, que em prazo não muito longo, será dominante no mundo.


Enquanto isso, no Brasil…

Elio Gaspari publicou em sus coluna de ontem dois tópicos a respeito,  e com muita clareza foi direto aos dois pontos: (a) “O livro Eletrônico precisa custar menos” e (b) “Saiu Fordlândia, um grande livro”.

No primeiro tópico, ele compara os preços dos leitores de livros digitais e conclui que no Brasil é preciso comprar 241 livros para quitar o leitor digital, ou, a dois títulos por mês, o brasileiro levaria dez anos para amortizar seu investimento.
 Já nos Estados Unidos, um cidadão amortiza seu investimento no 28º livro, ou, com os mesmos dois títulos por mês, em 14 meses, ou pouco mais de um ano. Ou seja, o retorno do investimento aqui se dá em um prazo praticamente dez vezes maior do que lá. Um absurdo!

No segundo tópico, ele fala desse livro fantástico sobre a experiência de Henry Ford na Amazônia do início do século passado, tentando criar uma comunidade utópica para cuidar da produção de borracha. O livro é uma delícia para entender o que deu errado, inclusive na seara da corrupção de políticos nativos. Escreve Gaspari: “Desde o ano passado pode-se comprar a edição eletrônica de “Fordlândia”, em inglês, por US$ 9,99. A edição brasileira, só em papel, custa R$ 56“. E eu acrescento que o preço da edição em papel lá é de US$ 12,50. Ou seja, um pelo outro, dá para comprar 3 livros de papel ou 4 eletrônicos lá pelo preço do mesmo livro de papel aqui.

Como querem os formuladores de políticas aqui na terra de Cabral fomentar a leitura desse jeito? Talvez fosse chegada a hora de estimular a concorrência nos livros de papel e aproveitar a nascente indústria de livros digitais para definir cargas tributárias menores para os tablets fabricados aqui ou importados e zero, zero mesmo de imposto nos livros digitais.


Que tal esse tema sendo debatido agora nas campanhas eleitorais?

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