Novos tempos no atendimento a clientes?
A Apple abre, neste sábado 15, sua primeira loja física no Brasil, em um shopping center do Rio de Janeiro. É a loja própria de número 423 no mundo.
Tendo registrado o evento, vou pegar um gancho nas notícias que rondaram a chegada dessa loja e, em seguida, derivar para algo mais importante.
Boatos correram a praça sobre eventuais dificuldades na seleção de candidatos a postos de trabalho na loja. A Apple, na apresentação fechada a jornalistas, frisou o nível de treinamento dado aos novos colaboradores, feito aqui e no exterior.
Tomara que tenha sido excelente, porque aqui por nossas bandas, a maioria dos compradores de computadores, tablets e smartphones está insatisfeita com o atendimento recebido nas lojas físicas e virtuais, independente de marca.
O pós venda, então, nem se fala…
Esse é um paradoxo a resolver no Brasil: de um lado, pagamos muito mais caro, para um mesmo produto, que nossos irmãos de outras plagas; de outro, o que recebemos em troca pouco vale além de impropérios.
Não existem argumentos sustentáveis para explicar esse fenômeno, embora possam contribuir para um todo sofrível: impostos altíssimos, logística precária, apagão de mão de obra e por aí vai.
Só que, em muitos casos, as operações brasileiras são, para a maioria das empresas aqui no mercado, altamente rentáveis e as quantidades de produtos vendidos por loja também alcançam posições destacadas nos rankings globais.
Existem excessões, é claro, e essas justificam a regra de atendimento ruim, no pré e no pós venda. Pouco adianta pessoas educadas e gentis se elas não sabem direito o que estão oferecendo nem o que o cliente deseja.
Então, se é mais caro e o atendimento é pior, será que parte do problema não está conosco, consumidores de tecnologia?
Isso não é um desabafo. É a esperança que a estréia da Apple no varejo físico na Terra Brasilis sinalize para uma nova referência, que incomode não só os concorrentes como também as revendas autorizadas.
Falando em Apple, ela deve descontinuar, no mundo, o iPhone 5c, e pode voltar a fabricar, no Brasil, o iPhone 4. Entendeu?
Facebook faz 10 anos
O Facebook sopra 10 velinhas! Nada mau para uma empresa que, dez anos depois, vale centenas de bilhões de dólares e tem mais de um bilhão de usuários.
Mas o site Mashable faz uma volta a 2004 para mostrar, com base nas buscas mais populares do Google de então, o que rolava entre os internautas. Parece que faz mais tempo… Vamos ver? Eis as 10 mais:
- Britney Spears
- Paris Hilton
- Christina Aguilera
- Pamela Anderson
- Chat
- Games
- Carmen Electra
- Orlando Bloom
- Harry Potter
- mp3
5 das 10 buscas mais populares eram sobre mulheres famosas e apenas uma para um homem, e nenhum dos seis está tão em alta assim.
Harry Potter ainda rola, mas a febre acabou. 2004 foi também o ano do lançamento do livro “O Código Da Vinci”, de Dan Brown, mas antes de virar filme, em 2006, provocando aquecidas polêmicas. E isso antes do Facebook.
As outras três palavras são boas para refletir:
Chat remetia ao MSN, a grupos em fóruns de portais, como o UOL, aqui no Brasil. Não havia Twitter (2006), nem WhatsApp, nem Viber, o Skype tinha feito 1 aninho. O que era fashion, hoje é absolutamente trivial.
Games até que já indicava o que viria em termos de conteúdo de jogos de ação, com o Grand Theft Auto bombando nos consoles. Mas a tendência de uso pela internet e a popularização dos Apps como Angry Birds ainda estavam distantes.
E mp3, hein? Já existiam players de mp3, e até o iPod básico estava no mercado. Mas foi na era do iTunes Store geral e do iPod Touch, irmão sem celular do iPhone, que o mercado de músicas foi transformado. Em 2004, a loja da Apple vendia músicas havia 1 ano, mas só para quem possuía um Mac. Só mais tarde Steve Jobs foi convencido de que valia a pena investir numa versão compatível com Windows para baixar músicas e depois sincronizá-las no iPod. Complicado, não?
Esses 10 anos do Facebook representam um marco. Falando em marco, o Mark Zuckerberg anda muito feliz com a evolução de sua cria.
iOS8: A Apple vai descobrir um novo filão de mercado?
2014 pode ser o ano do boom de um mercado que já dá sinais de querer ser grande, no mundo digital: o das soluções de monitoramento da saúde pessoal. E quem pode sair na frente? Ela, a Apple!
O portal 9to5Mac, que antecipa novidades da empresa da maçã com razoável precisão, dá indícios que isso possa acontecer ainda este ano. Como? Com o lançamento do iOS8, a nova versão do sistema operacional de dispositivos móveis e do iWatch, o relógio de pulso que fará muitas coisas, até mesmo mostrar as horas.
Buscando no Google o argumento iOS8, veremos 2,5 milhões de respostas, o que mostra que o tema está quente. O que que faz sentido seria uma plataforma prática para monitorar os sinais básicos da saúde do indivíduo, ajudando a programas de fitness e atividades esportivas.
Hoje existem centenas de aplicativos que medem batimentos cardíacos, pressão sanguínea, conta passos em uma caminhada ou em uma corrida e tantos outros. Existem ainda um sem-número de acessórios que se conectam ao iPhone ou ao iPad, de terceiras partes, que são promovidas na loja virtual da Apple, na sua maioria ainda não disponíveis no Brasil.
Lá, sob a categoria Fitness & Sport, você encontra produtos de fabricantes de nome, outros nem tanto, mas que vale a pena dar uma olhada:
- Fitbit
- iHealth
- Incase
- InfoMotion Sports Technologies
- Jawbone
- JayBird
- MIO
- Nike
- Oakley
- Sennheiser
- Under Armour
- Wahoo Fitness
- Withings
- Yurbuds
- Zepp Technology
E alguns produtos interessantes, de algumas dezenas até mais de US1.000. Veja alguns:
Nike + iPod Sensor
Exclusive:Nike+ FuelBand SE – Medium/Large
Fitbit Flex Wireless Activity + Sleep Tracker
Withings Smart Body Analyzer
UP24 by Jawbone Wristband (Medium)
Exclusive:Nike+ FuelBand SE – Small
UP24 by Jawbone Wristband (Large)
UP24 by Jawbone Wristband (Small)
Exclusive:Infomotion 94Fifty Smart Sensor Basketball
Under Armour Armour39 Performance Monitor
- $99.95
Sennheiser PMX 685i In-Ear Neckband Sports Headphones
JayBird BlueBuds X Premium Bluetooth Headphones
Zepp Baseball Swing Analyzer
Wahoo Fitness Blue HR Heart Rate Strap
iHealth Wireless Pulse Oximeter
Exclusive:Nike+ FuelBand SE – Extra-Large
Fitbit One™ Wireless Activity + Sleep Tracker
Exclusive:Infomotion 94Fifty Smart Sensor Basketball
- $299.95
Zepp Tennis Swing Analyser
Incase Sports Armband Pro for iPhone 4
- $39.95
Exclusive:Oakley Airwave 1.5 Goggle
Wahoo Fitness Blue SC Cycling Speed/Cadence Sensor for iPhone
- $59.95
Wahoo Fitness KICKR Bike Trainer
- $199.95
Zepp Golf Swing Analyser
- $149.95
3BaysGSA PRO Golf Swing Analyzer
- $199.95
Wahoo Fitness RFLKT Bike Computer Powered by iPhone
- $99.95
Yurbuds Inspire Pro Headphones for Women
- $59.95
Sennheiser PX 685i In-Ear Headband Sports Headphones
Zepp GolfSense Sensor for iPhone, iPad and iPod touch
- $129.95
No mercado paralelo -fora da loja da Apple- são milhares de produtos. Qual o racional, então, para prever uma nova onda?
Também entrou com dezenas de pedidos de patentes de sensores, e vem conversando com a FDA americana, que controla medicamentos. O projeto do iOS8 roda sob o nome de Okemo, uma estação americana de esqui e a suite de aplicativos programada para debutar junto com ele chama-se Healthbook, o Livro da Saúde.
Tim Cook, CEO da Apple, é do Conselho de Administração da Nike, não por acaso o principal parceiro da Apple nos acessórios de fitness..
Voltando atrás um pouco, o mercado de música era um oligopólio de gravadoras, de um lado, e uma epidemia de sites piratas de download gratuitos, com muitos tocadores de mp3 de todos os preços no mercado, de outro. Ninguém dominava nada. Aí veio a Apple com o iPod, a iTunes Store e pronto! Reinventada a distribuição de músicas. Idem com vídeos, filmes e livros (embora esses tivessem a dianteira da Amazon).
Os tablets já existiam esparsos e insignificantes no mercado até o iPad, em 2010.
Agora, com os dispositivos vestíveis, a febre do fitness e os custos crescentes dos serviços de saúde tornam óbvia uma oportunidade à busca de uma solução. Smartphones, tablets e ultrabooks estão aí; internet para todos os gostos, também. Sensores existem, para todo tipo de coisa. Falta alguém juntar tudo isso e construir do quase zero um mercado de centenas de bilhões de dólares.
A história se repete? Eu acho que sim.
2013: Briga feroz pela liderança de smartphones top
O tema que mais chamou a atenção de nossos leitores e ouvintes em 2013, com 52% dos pageviews, 71% dos comentários, 78% das perguntas e dúvidas girou sobre dispositivos móveis.
2013 registrou, pela primeira vez, a venda de 1 bilhão de smartphones, mais do que celulares comuns.
A briga entre a Apple e a Samsung pelo domínio do segmento mais sofisticado ferveu. Com o lançamento do iPhone 5 sem grandes novidades e com o iOS6 ainda devendo em termos de estabilidade e performance, a Samsung deitou e rolou com seu Galaxy S4 e a versão 4.2 do Android.
Pela primeira vez, um produto com novidades suficientes para agradar os Apple maníacos e dar razão aos defensores do Android fez uma quantidade expressiva de donos de iPhone migrarem para o Samsung.
A postagem sobre como migrar dados do iPhone para o S4 foi, isoladamente, a mais acessada e comentada, onde 21% dos pageviews vieram de fora do Brasil.
O ano correu, a Apple lançou em setembro os iPhones 5s e 5c, e o iOS7 ficou bem melhor que o 6 e esse combo bateu de frente com o Galaxy S4 e o Android.
Muita gente que saiu pensa agora em voltar. Dos insatisfeitos com o S4, 42% querem se mudar para o mundo Apple, 32% consideram o Windows Phone, 11% esperam a evolução do Android e o resto está simplesmente insatisfeito ou simplesmente curioso sobre as alternativas existentes.
Sinal dos novos tempos, uma proporção expressiva já olha para o Windows Phone como uma boa alternativa. O casamento da Microsoft com a Nokia e os novos lançamentos na linha Lumia despertam curiosidade e desejos.
Agora em janeiro, chega o novo Galaxy S5, com tela curva; a Apple estuda antecipar o lançamento do iPhone 6 para o primeiro semestre, a Nokia promete mais novidades.
Com isso, acelera-se o ciclo de lançamento de novos produtos, parte deles sendo anunciados ou sugeridos no CES 2014, que começa dia 7 em Las Vegas.
E aí, que fazer? Eu recomendo esperar, desfrutar seu smartphone atual, qualquer que seja ele, e mudar apenas quando a troca fizer sentido do ponto de vista econômico. Comprar um produto de alto valor por impulso, para ficar com a sensação de mico 2 ou 3 meses depois, não vale a pena.
Calico Google: vida até 170
Que o Google sabe quase tudo sobre cada um de nós, nada de novo. E que eles têm projetos fantásticos, como o Google Cultural Institute, o Google Glass e carros que dispensam motoristas, só para citar 3 dos mais recentes.
Falta-nos tempo, para podermos desfrutar de todo esse acervo na plenitude! O dia não tem mais de 24 horas, os anos, 365 dias, ou 366 nos bissextos, multiplicado pela expectativa média de vida…
Pois até nisso o Google quer mexer. Sua nova empresa chama-se Calico, e vai concentrar-se “na saúde e no bem-estar, em particular no desafio do envelhecimento e doenças associadas“. O CEO e investidor fundador da Calico é Arthur D. Levinson, presidente dos conselhos de Administração da Genentech e da Apple.
Ou seja, unem-se a Genentech, a mais inovadora empresa de biotecnologia, com o Google e a Apple, visando permitir ao ser humano a melhoria de sua qualidade de vida, com a chegada dos anos, e, de bonus, ganhar mais anos de vida.
O objetivo? Buscar o limite da longevidade em 170 anos. Fazendo as contas para trás, isso seria como pegar alguém nascido um quarto de século antes da Proclamação da República que estaria se despedindo deste mundo em 2013.
Não é preciso grande imaginação para elaborar sobre vantagens e desvantagens do sucesso de um projeto como esse. Mas, inegavelmente, a evolução da tecnologia permite supor que ferramentas para chegar lá ou existem ou podem ser desenvolvidas.
As questões éticas, religiosas e econômicas não vão parar de surgir, e arcabouços legais serão construídos para cuidar das diferentes interpretações do tema.
Mas, se olharmos para a primeira parte, que é a de “melhorar sua qualidade de vida“, poucas serão as reclamações.
A escolha de Art Levinson como executivo-chefe da Calico é perfeita: além de pilotar por 15 anos a Genentech, onde trabalha desde 1980, ele é do Conselho de Administração de outras grandes empresas, como a Roche, e a NGM, e de institutos de pesquisa ligados a universidades de referência, com o Harvard, Princeton e MIT.
Por enquanto, nada a fazer nem a esperar a curto prazo. Mas vale acompanhar a Calico, nem que seja através de buscas no Google. No momento desse comentário, o termo Calico divide-se entre a nova empresa, uma cidade fantasma da California, uma raça de gatos e um empreendimento residencial no Algarve, Portugal, que, aliás, chama-se Caliço.
Cada vez melhores, cada vez mais simples
Você reparou como as planilhas eletrônicas, os processadores de texto e os programas de apresentação estão cada vez mais elegantes, com mais recursos e mais simples de usar?
Traduzindo para nomes conhecidos: Word, Excel e Powerpoint, da Microsoft, Pages, Numbers e Keynote da Apple, e Google Docs, do Google, que engloba os três tipos de aplicativos. Quem ainda domina esse mercado é a Microsoft, que engloba seus produtos sob o nome de Office, desde os primórdios do PC.
Mas o que está por trás desses softwares? São milhões de linhas de código, que aproveitam o cada vez maior poder computacional à disposição de cada um de nós, com novas e melhores funcionalidades como gráficos, vídeos, fórmulas sofisticadas, tradutores de texto. A interatividade das telas sensíveis ao toque e reconhecimento de voz faz com que, em breve, seja absolutamente trivial conversarmos com uma planilha, desenhando cenários de planejamento futuro, interagindo com pessoas que podem estar do nosso lado ou do outro lado do mundo.
Mas a versatilidade e a sofisticação desses programas são enormes! Ainda assim, muitos de nós usa apenas suas funcionalidades básicas, sem atentar para os recursos disponíveis.
No caso do processador de texto, por exemplo, não é a maioria dos usuários que prepara um índice automático dos capítulos de um documento mais extenso e elaborado. Muitos de nós entregamos ao corretor ortográfico a tarefa de ajustar pequenos erros de digitação ou de concordância.
Nas planilhas, então, ainda lidera a página composta de colunas referentes aos meses do ano e linhas com a descrição de produtos e vendas, com subtotais por trimestre e alguns percentuais. E um gráfico para facilitar o entendimento.
Nas apresentações, mesmo com essa enxurrada de pps que recebemos por e-mail, falta à maioria delas forma e conteúdo capazes de encantar uma platéia.
Você certamente conhece alguém assim?
Essas ferramentas de produtividade poderiam ser melhor usadas, até para aproveitar as mais de 4 décadas de desenvolvimento.
Como elas ficam cada vez mais sofisticadas e fáceis de usar, ganham escala e podem ser vendidas a preços cada vez menores, ou até mesmo dados de presente, como a Apple fez agora para quem migrou para o iOS 7.
E você: é um usuário avançado desses programas?
Samsung Galaxy S4 obsoleto?
A Samsung acertou o passo quando lançou o Galaxy S4 em abril passado. Foram mais de 40 milhões de unidades vendidas em 6 meses, 10 milhões nos primeiros 30 dias. É bastante coisa, ainda mais que existem dezenas de fabricantes de smartphones com o sistema operacional Android onde a própria Samsung tem uma série de ofertas.
Mas o objetivo claro de competir com o iPhone foi atingido. A quantidade de donos de iPhone que migrou para o S4 foi tal que a Apple teve de antecipar o lançamento simultâneo do 5s, no topo de linha, e do 5c, como dispositivo de entrada na linha.
Mas o volume de vendas do S4 não vem acompanhando as previsões dos coreanos, embora sigam robustas. Assim, agora em janeiro, teremos o Galaxy S5, com tela curva, que se estenderá pelas bordas laterais, permitindo interagir com o aparelho mesmo com a tela principal desligada, ou em espera. Parece pouco, mas tela grande e acesa de smartphone fininho é sinônimo de alto consumo de energia, ou, traduzindo, a bateria descarrega rapidinho.
Esperem também por câmeras frontal e traseira com maior resolução, o Android 4.3 instalado, e apps desenvolvidos especificamente para aproveitar o novo processador, bem mais rápido, e maior capacidade de memória.
Tudo isso para dizer a você, que tem ou estava de olho no Galaxy S4, virado o ano, ele será modelo antigo, meros 8 meses após lançado.
Não espere um S5 revolucionário, salvo talvez pela tela curva. O argumento é que essa concavidade melhora a visualização da tela para o dono. A tela tem tecnologia AMOLED, ou LED orgânico, como no S4, que permite melhor resolução, brilho e contraste em relação às telas LED comuns. Além disso, consomem menos energia, podem ser cada vez mais finas e, no futuro, poderão ser flexíveis quase tanto como uma folha de papel.
O resto é evolução. E buscar brigar com os concorrentes, Apple à frente.
Será que estaremos condenados a gastar um monte de grana com dispositivos caros que logo ficam obsoletos? Essa parece ser a estratégia dos fabricantes.
Mas dá para fazer diferente: antes de comprar seu próximo smartphone ou tablet, pense bem que tipo de uso você necessita e como esse gadget pode facilitar sua vida.
Você verá que, na maioria dos casos, não é preciso migrar só para ter o mais novo.
Então, você achava que não estava sendo grampeado?
OK, a história dos grampos da NSA gerou preocupações em líderes de governos mundo afora, empresários importantes, comunicados daqui, escusas dali, mas, para a maioria de nós, grampeados eram os outros. Até hoje!
O Washington Post revelou na quarta, 4/12, que, de acordo com dados vazados por Edward Snowden, a agência americana coleta diariamente algo como 5 bilhões de registros de celulares mundo afora, inclusive a sua localização. São centenas de milhões de aparelhos que, mesmo não em uso, emitem sinais captados pelas antenas nas torres espalhadas mundo afora, e, com isso, dá para saber aonde estão os aparelhos, e, possivelmente, seus donos.
Usando um sofisticada ferramenta para análise em massa de dados, chamada Co-Travelers, a NSA consegue localizar não apenas possíveis terroristas, ou alvos, como chamados no mundo da inteligência. A NSA pode identificar seus possíveis e até então desconhecidos parceiros (daí o nome, traduzido como co-viajantes).
Essas informações chegam através da interceptação de dados das comunicações trafegadas pelas redes das operadoras. Se seu aparelho tem GPS e ele está ligado, sua localização será feita com uma precisão de menos de 100 metros.
Assim, definidos os alvos a monitorar e com os padrões estabelecidos para mapear os co-viajantes, a repressão ao terrorismo pode ser mais eficaz.
Também traz a cada um de nós aquela sensação de falta de privacidade, mesmo não tendo nada a esconder.
Mas essa técnica eu já havia visto em algum lugar. Claro! Quem tem um dispositivo da Apple com iOS pode usar o app Find iPhone para achar o smartphone ou tablet que tenha sido perdido ou roubado, ou mesmo achar alguém em um lugar movimentado, desde que essa pessoa esteja cadastrada no app.
Os conceitos e as premissas do Co-Traveler e do Find iPhone são bem distintos, seja em volumes, propósitos, ações requeridas ou mesmo sofisticação tecnológica. Mas a premissa da localização é a mesma!
Assim, não custa lembrar que, antes de tomar conhecimento dessas entranhas do mundo da inteligência, muitos de nós já usávamos dispositivos digitais para achar e ser achado. Abrindo mão de nossa privacidade por conta do conforto, da conveniência e até mesmo de maior segurança.
iPad Air no Brasil. Vale a pena?
Para quem estava de olho no iPad Air aqui no Brasil, a Apple colocou-o à venda, a preços razoavelmente compatíveis com o importado. Assim, do ponto de vista de seu bolso, não vale a pena trazê-lo na sua próxima viagem ao exterior.
Comparo um iPad Air WiFi+Celular de 64Gb, cá e lá, usando uma taxa de imposto lá de 8%, um dólar de R$ 2,40 (cotação de sexta, 6/12), o IOF de 0,38% (pagamento com cartão de débito) e um imposto na entrada no Brasil de 50% sobre o excesso da quota de US$ 500.
O iPad importado acaba custando R$ 2.551,73, contra os R$ 2,499,00 do preço de lista da Apple no Brasil. Veja a tabela:
| Lista Apple US | 829,00 | |
| Taxa local | 895,32 | 8% |
| Câmbio | 2.148,77 | 2,40 |
| IOF débito | 2.156,93 | 0,38% |
| Imposto excesso quota | 394,80 | 50% |
| Preço Brasil na entrada | 2.156,93 | |
| Importado + imposto | 2.551,73 | |
| Preço Brasil | 2.499,00 |
Dito isso, vamos ao principal: Se dá para comprar, vale a pena? E a resposta é: depende!
Se você já tem um modelo anterior e ficar testando o iPad Air por mais de 15 minutos, quando você voltar ao seu fiel companheiro, vai achar que está com um tijolo na mão. Afinal, são meros 454 gramas para segurar.
O processador A7 realmente impressiona, quando exigido. Não vai fazer muita diferença, na maioria dos aplicativos, especialmente aqueles que exigem conexão à internet, como checar seus e-mails.
Como o A7 é de 64 bits e todos os apps da Apple já estão convertidos, com certeza há algum ganho de performance. Você ainda ganha grátis o Pages, o Numbers e o Keynote, que concorrem com o Word, Excel e Powerpoint. Mais charmosos, mais intuitivos mas, definitivamente, não são os aplicativos padrão para uso no escritório.
Por algum motivo que não entendi, o modelo com 128Gb de memória flash não é ofertado aqui. E também não faz muita diferença, se você utiliza algum serviço na nuvem, como o iCloud ou o SkyDrive. Lá fora, ele custa US$ 100 a mais.
Supondo que sua opção seja pelo modelo que roda na rede celular, saiba que o iPad Air vem desbloqueado.
As operadoras locais já oferecem pacotes 4G para o Air, que usa o nano-chip como o iPhone 5. Os preços ainda são altos, a cobertura continua sofrível, tendendo a melhorar.
Mas se chegou a hora de comprar um tablet, ou então trocar um modelo mais antigo do iPad, especialmente o 1 ou o 2, o Air é uma excelente pedida. E o preço, como vimos, é bem parecido com o lá de fora.
Woz
Steve Wozniak, o co-fundador da Apple com Steve Jobs é uma personalidade, no mínimo, polêmica. O verdadeiro gênio tecnológico na criação do Apple II e do Macintosh, Woz, como é conhecido, rompeu lá atrás com Jobs e foi cuidar de sua vida, com muita grana no bolso.
Mas continua dando seus pitacos sobre a Apple, como recentemente, quando disse que não compraria o novo iPad Air.
Agora, numa entrevista à BBC ele propõe que 3 das grandes do mundo da tecnologia –Apple, Google e Samsung– busquem cooperação, através de licenciamento cruzado de patentes e pesquisas em comum. Segundo Woz, poderíamos ter melhores produtos, mais baratos, com mais funcionalidades.
Só que, para quem está no mundo Apple, ali está o que há de melhor; e para quem tem um smartphone Samsung, especialmente o Galaxy 4S, a resposta invariável é: o que o iOS7 e o iPhone 5s oferece meu Galaxy tem, e tem muito mais.
E o Google, com seu domínio no mundo das buscas, dos mapas e do Android tem a liderança em quase todos os segmentos que possam ser relevantes, com a notável exceção das redes sociais, onde o Facebook reina soberano.
Mas Woz, de um modo ou de outro, expressa com simpatia e candura um desejo oculto de muitos usuários Apple, Google e Samsung: ter tudo o que já possui mais as boas funcionalidades dos demais. Pouca gente vai admitir isso, como Woz o fez, ao declarar que “eu vejo coisas boas nos smartphones da Samsung que eu gostaria de ter no meu iPhone.”
Mas essa inusitada aliança traria mais benefícios do que problemas? Se os três viessem a cooperar de modo mais forte, talvez houvesse uma perigosa consolidação do mercado, com muitos produtos e serviços parecidos, inibindo a criatividade e a inovação, por falta de um motivador maior: a concorrência.
De outro lado, a Samsung é fornecedora da Apple para inúmeros componentes importantes, como a tela sensível ao toque. E o Google, embora expulso do iOS com seu aplicativo Maps, ainda é o mecanismo de busca principal do iPhone e do iPad. Ou seja, essa colaboração implícita já existe.
E você, o que acha? Uma convergência maior entre Apple, Google e Samsung seria benéfica para nós, usuários? Eu, Guy Manuel, sigo preferindo a concorrência.