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Novos tempos no atendimento a clientes?

A Apple abre, neste sábado 15, sua primeira loja física no Brasil, em um shopping center do Rio de Janeiro. É a loja própria de número 423 no mundo.

Tendo registrado o evento, vou pegar um gancho nas notícias que rondaram a chegada dessa loja e, em seguida, derivar para algo mais importante.

Boatos correram a praça sobre eventuais dificuldades na seleção de candidatos a postos de trabalho na loja. A Apple, na apresentação fechada a jornalistas, frisou o nível de treinamento dado aos novos colaboradores, feito aqui e no exterior.

Tomara que tenha sido excelente, porque aqui por nossas bandas, a maioria dos compradores de computadores, tablets e smartphones está insatisfeita com o atendimento recebido nas lojas físicas e virtuais, independente de marca.

O pós venda, então, nem se fala…

Esse é um paradoxo a resolver no Brasil: de um lado, pagamos muito mais caro, para um mesmo produto, que nossos irmãos de outras plagas; de outro, o que recebemos em troca pouco vale além de impropérios.

Não existem argumentos sustentáveis para explicar esse fenômeno, embora possam contribuir para um todo sofrível: impostos altíssimos, logística precária, apagão de mão de obra e por aí vai.

Só que, em muitos casos, as operações brasileiras são, para a maioria das empresas aqui no mercado, altamente rentáveis e as quantidades de produtos vendidos por loja também alcançam posições destacadas nos rankings globais.

Existem excessões, é claro, e essas justificam a regra de atendimento ruim, no pré e no pós venda. Pouco adianta pessoas educadas e gentis se elas não sabem direito o que estão oferecendo nem o que o cliente deseja.

Então, se é mais caro e o atendimento é pior, será que parte do problema não está conosco, consumidores de tecnologia?

Isso não é um desabafo. É a esperança que a estréia da Apple no varejo físico na Terra Brasilis sinalize para uma nova referência, que incomode não só os concorrentes como também as revendas autorizadas.

Falando em Apple, ela deve descontinuar, no mundo, o iPhone 5c, e pode voltar a fabricar, no Brasil, o iPhone 4. Entendeu?

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Como tratar bem um cliente na nuvem

Hoje em dia, ser cliente ou cidadão tratado com descaso é algo bastante comum. Quem não tem uma reclamação não atendida pela operadora de celular, concessionária de veículo ou assistência técnica de geladeira? E os serviços que buscamos na repartição pública, na auto-escola ou na empresa de seguro-saúde?

Quando a coisa vai para o mundo digital, parece então que somos encarados como amebas. Explicações idiotas, tipo “o sistema caiu“, “todos os nossos atendentes estão ocupados; aguarde, por favor“, só para mencionar as mais utilizadas.

Por vezes, as desculpas são estimuladas através de redes sociais, fomentando uma viralização para explicar que um determinado serviço ficou indisponível por supostos ataque de hackers que geraram um denial of service, coisa para inglês ler.

Grandes empresas do ramo fazem isso sem medo. Assim, eu nem dei muita bola para uma queda -ou instabilidade- no serviço Outlook.com, da Microsoft, ocorrida na semana passada. Embora usuário, estava com outros afazeres e essa falha não me causou maiores contratempos.

Mas eu estava querendo saber o que a Microsoft iria dizer, e esperava as desculpas padrão.

Tenho que admitir que fiquei nas nuvens com a postura clara da empresa na sua explicação:

O incidente foi resultado de uma falha em alguns de nossos servidores na função de sincronização de informações para alguns dispositivos que utilizam o protocolo Exchange ActiveSync. Essa falha causou um erro na conexão a esses dispositivos que continuamente tentavam se conectar ao Outlook.com. Isso, então, gerou uma onda de acesso aos nossos servidores e estes não responderam de forma correta aos pedidos de acesso, e como resultado nossos clientes não conseguiam acessar seus e-mails no Outlook.com.

Aí a Microsoft detalha providências para corrigir o problema, resolvido por partes, de modo que alguns usuários ficaram com o serviço indisponível por mais tempo do que outros.

E a empresa pede desculpas, no começo e no fim da mensagem. Desculpas com recheio de uma explicação honesta. Nos dias que correm, é uma exceção à regra.

Loas a essa postura da Microsoft! Que sirva para a concorrência. E para outros fornecedores de produtos e serviços, do gigante ao microempresário.

Ganhamos todos!

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Para quem não leu, reproduzo a nota da Microsoft, com a sensação de ter sido tratado com respeito e dignidade:

Pedimos desculpas por qualquer interrupção sofrida com seu e-mail

Em nome do time do Outlook.com, peço desculpas por qualquer inconveniência que você tenha sofrido ao tentar acessar o Outlook.com na semana passada.

Sabemos o quão importante é o seu e-mail para se manter em contato com seus amigos e familiares e para suas tarefas diárias. Nosso sincero pedido de desculpas por qualquer dificuldade que você tenha tido em acessar Outlook.com. Gostaríamos de informar que o Outlook.com vem conquistando a reputação de serviço de e-mail estável e confiável. Nós investigamos a fundo qualquer problema que ocorra no serviço para prevenir que os mesmos ocorram no futuro. Estamos dedicados a oferecer o serviço de e-mail mais estável e confiável que nossos clientes demandam.

Muitos pediram uma explicação mais detalhada do que ocorreu semana passada sobre o que causou a dificuldade de acesso ao Outlook.com. O incidente foi resultado de uma falha em alguns de nossos servidores na função de sincronização de informações para alguns dispositivos que utilizam o protocolo Exchange ActiveSync. Essa falha causou um erro na conexão a esses dispositivos que continuamente tentavam se conectar ao Outlook.com. Isso, então, gerou uma onda de acesso aos nossos servidores e estes não responderam de forma correta aos pedidos de acesso, e como resultado nossos clientes não conseguiam acessar seus e-mails no Outlook.com.

Para estabilizar os servidores impactados, temporariamente bloqueamos o acesso por Exchange ActiveSync a estes servidores e trabalhamos gradualmente para restaurar a funcionalidade normal. Por causa do atraso acumulado nos servidores, e para evitar uma nova onda de acesso igual à que causou o problema inicial, restauramos o acesso de forma gradual e por isso muitos clientes sofreram a falta de acesso em seus dispositivos móveis por tempo prolongado.

Aprendemos com este incidente e já efetuamos duas mudanças críticas em nossos sistemas para evitar este tipo de falha no futuro. A mudança mais importante foi atualizar o comportamento do serviço que corresponde ao tráfego por Exchange ActiveSync, para evitar a onda de tentativas de acesso que causou a interrupção no acesso ao serviço na semana passada, tornando, assim, mais confiáveis as conexões por este protocolo. A segunda mudança foi aumentar a disponibilidade de banda de tráfego de dados para as partes afetadas do sistema a fim de garantir maior capacidade para atender estes tipos de chamadas aos servidores.

É nosso objetivo fornecer um serviço excepcional para cada usuário do Outlook.com. Espero que você nos dê a chance de conquistar sua confiança novamente. Seu apoio e dedicação ao nosso serviço de e-mail são muito importantes para nós. Mais uma vez, em nome de todo time Outlook.com, peço desculpas por qualquer inconveniência que você tenha sofrido e agradecemos pela paciência demonstrada enquanto resolvíamos os problemas com o serviço.

Esperamos continuar tendo o privilégio de ser o seu principal serviço de e-mail agora e no futuro.

Atenciosamente,

Dick Craddock

Group Program Manager, Outlook.com

"O Sistema Caiu"… E ele se machucou?

Você já precisou de um serviço que dependa de computadores, como pagar uma conta na fila do caixa de supermercado, chamar um serviço de atendimento a cliente de uma loja ou tentar fazer o check-in de um vôo aqui no Brasil? Talvez você já tenha ouvido uma desculpa do tipo “sinto muito, o sistema caiu”…

Pois saiba que, nesses casos, no mínimo 80% dessas frases são ditas para que o fornecedor fuja da raia. Embora sistemas, computadores e linhas de comunicação estejam sujeitos a falhas, é notória sua ausência quando é o lado de lá que precisa de você, como aquelas incômodas chamadas de call centers num sábado à noite.

Então, quando vierem com um “sinto muito, o sistema caiu”, pergunte se ele se machucou e busque uma instância superior para ser atendido. Peça para falar com o supervisor ou o gerente, esperneie. Assim, e só assim você contribui para que esses serviços melhorem.

Minha última experiência foi em um supermercado, quando tentava pagar a conta com um cartão de crédito e a moça do caixa disse que eu precisava passar o cartão em um balcão em frente, onde uns 20 clientes esperavam na fila. Naturalmente, todos estavam desconfortáveis, irados, e os dois atendentes que passavam os cartões estavam visivelmente encabulados e estressados, mas gentís, até onde era possível.

Eu fiz a pergunta clássica, sobre os machucados do sistema, alguns clientes riram e outros ficaram mais irados; pedi para falar com o gerente, que estava placidamente em pé, a uns 20 metros daquele balcão, só assistindo, junto com um fulano com uma pança pronunciada, comendo um suculento caqui, que, por ação da gravidade. pingava um pouco de seu sabor na camisa e na barriga do tal fulano.

Falei com o gerente, que ficou mudo, pois o cara do caqui era um diretor do supermercado, que ficou indignado e disse que ia chamar o “gerente do CPD” para me provar que o sistema havia efeitivamente caido. Eu declinei, gentilmente dizendo a ele que agradecia, mas ia buscar outra fonte.

E foi o que fiz. Liguei para o Procon, não sem antes verificar com o fornecedor do link de comunicações e com a operadora de cartão, e ambas me informaram que os seus serviços estavam ativos.

Independente da ação do Procon, nesse caso eu tomei uma decisão: não vou mais a supermercado onde o “sistema cai” e o diretor come caqui na porta da saída enquanto seus clientes ficam de fila em fila com desculpas furadas.

Sistemas caem, efetivamente, mas eles não podem falar para se defender. É a tecnologia servindo de desculpa para um mau serviço.

E você, tem visto muitos sistemas machucados por queda, ultimamente?

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