A Mega Sena das Buscas Digitais. Só que ao contrário…
Você faz buscas na internet, usando seu smartphone ou tablet, via Google, Bing, Yahoo ou outros mecanismos menos cotados? Então prepare-se: se você confia nos resultados e acha que pode esquecer dos vírus dos trojans, enfim dos malwares que infestam computadores pessoais, pode começar a se preocupar.
A empresa alemã AV-TEST divulgou um estudo onde mostra o ranking desses mecanismos mais populares no quesito entrega de malware nas buscas nossas de cada dia. Esse estudo levou 18 meses para ser concluído e é bem completo e isento.
O Índio e a Flecha, Versão 2013
Dias atrás eu saia de um compromisso em Campinas para o aeroporto de Viracopos, com alguma folga de tempo, mas no pico do rush da tarde e, ainda por cima, com chuva. O gentil motorista de São Paulo que me conduzia tinha à disposição dois aparelhos de GPS, um portátil e o outro, instalado de fábrica no carro.
Optou pelo primeiro para encontrar um atalho, visando evitar pontos de congestionamento das estradas. Mas o GPS nos levou a estradas secundárias e a primeira alternativa foi perguntar ao porteiro de um condomínio sobre o caminho do aeroporto: “Ih! vocês estão indo para o outro lado. Melhor voltar…”
Arriscando novas previsões
Entre 1996 e 1997, durante várias discussões sobre a privatização do Sistema Telebrás, eu afirmava que haveria uma forte demanda por linhas de celulares, em um crescimento que poderia multiplicar por 100 o número de aparelhos existentes no Brasil.
Os céticos e os conservadores acharam que eu estava louco, numa época em que o Brasil todo tinha algo como 1 miulhão de linhas. Pois bem, em 15 anos, passamos de 200 milhões de linhas habilitadas, logo o crescimento foi de 200 vezes, não 100. Mas errei por um fator de 2…
Agora, lendo a excelente matéria publicada no UOL sobre o Mobile World Congress que está acontecendo em Barcelona, vejo que, na verdade, as previsões mais ousadas do final do milênio passado e mesmo alguns devaneios do início da primeira década do presente foram superadas.
Vale a pena ler a matéria e prestar atenção nos infográficos.
Acho que, daqui para frente, o crescimento será limitado tão somente pelos órgãos reguladores e governamentais. Isso se a tecnologia, novamente, não atropelar os acomodados.
4G Chega a Curitiba. Vamos nessa?
Nós que estamos acostumados a atrasos em quase tudo que é obra de infraestrutura, tivemos a grata surpresa com o anúncio da Claro da disponibilização da tecnologia 4G em Curitiba, bem antes do prazo estipulado, no final de 2013.
Significa que podemos ter na ponta dos dedos aparelhos que vão fazer conexões à internet com velocidades muito maiores daquelas que estamos acostumados na velha, lenta e ranzinza rede 3G, ou até mesmo quando comparadas com a da maioria das conexões fixas de banda larga.
Quem precisa de velocidade e mobilidade, então a opção 4G é inadiável, certo?
Vejamos:
SIM é sua opção se você realmente precisa de banda larga rápida e móvel de imediato, e está em Curitiba, Recife, Campos do Jordão, Paraty ou Búzios. De cara, dá para dizer quer Curitiba está, nesse início da rede 4G, em excelente companhia.
SIM também se você não se importa com a limitada oferta inicial de aparelhos, hoje limitada aos bons Motorola RAZR HD ou o SAMSUNG GALAXY S III 4G. E os melhores planos estão destinados a quem se dispõe a migrar para a Claro, numa jogada de marketing ousada da operadora para aumentar sua base de clientes.
SIM se você quer um modem para conectar seu laptop ou mesmo ter o 4G em sua casa ou escritório.
SIM se seu bolso estiver forrado. Os planos iniciais são bem caros, aproveitando a dianteira que a Claro obteve e dirigida aos early adopters, que sempre buscam as novidades.
NÃO se você quer 4G em seus smartphones ou tablets da Apple. Eles vão funcionar, mas no modo 3G ou então no WiFi.
NÃO se você viaja muito para fora dessas cidades que já possuem 4G. Até o final do ano, outros aparelhos, outras regiões e outras operadoras estarão disponíveis, e as opções de comparacão, maiores.
NÃO se você espera velocidades altíssimas, padrão coreano do sul. De início, a disponibilização de banda pela Claro não permitirá velocidades maiores que 5Mb. Mas essa é uma limitação temporária.
NÃO se você ler as letras miudas das ofertas. Excedida a franquia (um plano padrão oferece 5GB de dados/mês), a velocidade cai a míseros 128KB, digna da rede 2G, de trsite memória. E para quem vai desfrutar dos recursos da rede 4G, com muito vídeo e teleconferência em alta definição, esse limite chega rapidinho. Como parâmetro, 5GB equivale ao conteúdo de um DVD (480p) e um filme em HD consome quase toda essa banda. Você pode ficar com a sensação de ter uma Ferrari no meio de um congestionamento da cidade grande…
OU SEJA: na maioria dos casos, vai valer a pena esperar um pouco. A tecnologia 4G veio para ficar, vai modificar -e muito- os hábitos de consumo de tráfego digital e vai fazer com que esqueçamos as redes 3G, salvo para piadas ou papos nostálgicos do tipo “naquele tempo…“
Vale também registrar a rapidez da Claro em conseguir uma boa cobertura em Curitiba bem antes do prazo proposto. Isso nos surpreende positivamente, embora devesse ser a regra no Brasil.
2013: Do it in English!
Como regra, abordo aqui no blog temas relativos ao uso e às tendências da tecnologia digital, que cada vez mais faz parte de nosso cotidiano. Já fazer a tecnologia é o outro lado da moeda. Começo 2013 mostrando um importante caminho para quem quer entrar no ramo ou quem está e pensa em evoluir.
Nesse ano será muito fácil aprender uma linguagem de programação, estudar em cursos de arquitetura ou análise de sistemas, sacar rápido como ser uma pessoa eficaz em design para a web. E tantas outras carreiras que compõem esse fascinante mundo digital, que existe há 70 anos mas que, de fato, começou a ferver com a chegada dos computadores pessoais na década de 1970 e, para valer, com a telefonia celular e a internet dos anos 1990.
O Brasil tem um importante mercado para produtos e serviços digitais, e muitas empresas globais aqui se instalam, convivendo em um ecossistema de milhares de empresas pequenas e médias que buscam atender não só ao mercado local mas, em um mundo de internet, ao mercado global.
Faz algum tempo que a demanda por profissionais capacitados é maior do que a oferta, gerando um efeito natural do aumento da remuneração e dos benefícios a essa turma, majoritariamente composta de jovens, muitos deles ainda cursando uma faculdade ou até mesmo o segundo grau.
Ocorre que as grandes oportunidades de trabalho precisam ser pensadas com a ótica global, não mais local. E aqui temos um sério gargalo a enfrentar: a carência de bons profissionais que sejam fluentes em inglês. Fluentes mesmo, não só para ler e entender documentos técnicos mas, principalmente, para poder conversar com clientes, parceiros e fornecedores e também poder participar de fóruns avançados onde se discutem as grandes inovações.
Os cursos de inglês ajudam, mas não são suficientes, pois não cobrem a parte prática, de imersão na língua, de forma contínua. Fazer um intercâmbio no exterior ajuda e muito, ainda mais se for em um ambiente onde falar inglês seja uma necessidade básica, ou seja, onde não existam muitos brasileiros à volta.
Li sobre a iniciativa do governo federal de criar um programa maciço de capacitação em inglês, nos moldes do Ciência Sem Fronteiras. Se rolar, ótimo!
Mas o que precisa ser pensado, sobretudo se você quer entrar na área ou já está lá e quer se diferenciar ainda mais, é como atingir o nível de fluência em inglês que o mercado requer antes dos outros. A demanda é enorme, acredite!
Assim, se eu pudesse fazer uma primeira recomendação tecnológica de 2013 ao jovem que quer ser um profissional bem sucedido, eu diria que o melhor investimento é buscar capacitação na língua inglesa. Você já fala bem, faça um teste do TOEFL ou Cambridge. Vá para um intercâmbio, pratique, entre em grupos de conversação na sua cidade ou em sua rede social. Mais do que tudo, dedique algumas horas por semana para aprimorar seu inglês, pensar em inglês. Leia bastante livros em inglês, veja filmes em inglês, de início com legenda, depois suprimindo-as.
Do ponto de vista do país, se não fizermos um esforço coletivo apoiado em um grande somatório de esforços individuais, o que vai acontecer é que os postos de trabalho mais relevantes serão ocupados por estrangeiros, que não necessariamente precisam estar aqui no Brasil.
Think about it! And a Happy and Wealthy 2013!
Os estrelados, suas namoradas, seus e-mails e a neutralidade da web
General Petraeus – cortesia philly.com
Então, agora temos uma realidade mais criativa do que a ficção: O estrelado general Petraeus, agora ex-chefão da CIA, sua biógrafa e namorada, o agora ex-futuro comandante das forças americanas no Afeganistão, o também estrelado general Allen e sua namorada. Elas disputando estrelas -e, com certeza, mais coisas- dos generais, ambos casados com sua esposas há décadas, respeitados na hierarquia militar, flagrados nas trocas de e-mails os mais picantes revelando segredos de alcova, se é que existem alcovas hoje em dia.
Detalhe: ambos os militares são depositários de relevantes informações relativas à segurança nacional americana e, claro, à segurança global. Ou seja, se e-mails deles podem vazar e comprometer suas carreiras, imagine os nossos!
E não só e-mails, mas também perfis em redes sociais, nossos dados pessoais, financeiros, documentos familiares, profissionais, o que seja.
Enquanto isso, no Congresso brasileiro e em outras casas de leis e em organismos multilaterais mundo afora discutem-se se, como, quanto e quando a internet e o mundo digital precisam ser regulados, em que circunstâncias o que é meu e o seu podem ser tornados públicos sem quebra da lei, o que deve ser aberto em prol do bem público, quem pode controlar, bisbilhotar, invadir.
A polêmica em torno dos generais e de suas estrelas companheiras de travesseiro é centrada em saber se informações sensíveis e confidenciais de segurança vazaram, ou seja, se as meninas podem ter sido, de uma forma ou de outra, uma versão século 21 de Mata Hari, famosa espiã.
A lei brasileira vai ter muitos desdobramentos ainda, no Congresso Nacional, até sua eventual aprovação. Depois chega a vez dos decretos, portarias e resoluções normativas que detalham a lei. Seguem-se as contestações no Judiciário, as revisões da lei, decretos, portarias e resoluções, tratados internacionais, e por aí vamos.
Em um mundo que gera 2,5 quintilhões de bytes por dia, e onde 90% de todos os dados gerados pela humanidade foram acumulados nos últimos dois anos, segundo Nate Silver em seu genial livro The Signal and The Noise, devemos nos dar conta que nossos dados não públicos tendem a zero, se já não chegaram lá. A dúvida é como fazer para preservar um mínimo do que imaginamos ser privacidade.
Na discussão do Congresso Nacional, um impasse se dá em torno das excessões da neutralidade da web, como no caso de catástrofes naturais ou da investigação de possíveis crimes. Como o termo neutralidade é pinçado para ser o equivalente, na Constituição, da igualdade que teríamos todos perante a lei, já dá para ver o tamanho da encrenca para chegarmos a um consenso que seja tornado lei e que essa lei seja aplicável.
Enquanto isso, melhor cuidar do nosso. Se os mails desses dois generais estrelados não eram seguros…
Mensagem ao futuro prefeito da cidade grande
O que o prefeito de uma cidade grande deve priorizar em tecnologia? Wireless na cidade toda? Tablets para alunos? Informatização de serviços públicos?
Assim fui questionado para a minha coluna ao vivo na CBN, nesta quarta, 3, sobre Curitiba. Mas a resposta vale para qualquer cidade grande. Ou média. Ou mesmo pequena.
Respondendo ao contrário, vamos, de início, ao que eu não recomendaria ao prefeito:
1- Não compre tablets para os alunos da rede pública. Faltam conteúdo e conectividade, em especial para os que moram nas áreas mais carentes. Vale a pena trabalhar em parceria com o maior comprador de livros didáticos do mundo, o MEC, para que, a médio prazo, tivéssemos conteúdo inteligente e iterativo disponível para toda a rede pública. Isso seria objetivo das campanhas a governador e presidente em 2014, mas sob um plano muito bem elaborado.
2- Conectividade é bom, mas não pode ser tudo grátis. Lembremos que os que possuem dispositivos digitais, fixos ou móveis, com acesso à internet estão mais concentrados nas camadas mais alta de renda. Mas um bom programa municipal para cobrir a cidade inteira com acesso em banda larga poderia ser desenvolvido em parceria com provedores de acesso e operadoras, de modo a ter pacotes interessantes em regiões da cidade com baixa conectividade.
3- Informatizar serviços públicos existentes é bom, mas não é o principal. Melhorar sempre é possível, mas nunca priorizando as atividades-meio. Lembrando que hoje a telefonia celular cobre praticamente a totalidade dos cidadão e que há uma crescente participação de tablets e smartphones entre os usuários, serviços como agendamento de consultas médicas, interações da escola com os pais, solicitação de serviços públicos, por exemplo, poderiam ter uma meta agressiva para a gestão que se inicia em 2013. Por exemplo, ter, no mínimo, 60% dessas transações do cidaão com o município e vice-versa via internet ou mensagens. Melhoraria a vida de todos nós e a eficácia dos serviços melhoraria. O cidadão poderia ser um bom agente de melhoria do serviço público, ao passar via celular fotos e vídeos de problemas ou carências detectadas.
4- Rede social não é megafone. Não use o poder das redes sociais só para alardear seus feitos. Elas são fundamentais para que a administração saiba, em especial, o que não vem funcionando direito. Estimular a participação do cidadão em rede pode ser uma ferramenta poderosíssima para tornar seu trabalho e de sua equipe mais produtivo, para o benefício de todos. Se você ignorar a melhor forma de uso das redes sociais, elas se voltarão contra você.
Você passa tempo demais no computador, ou conectado?
Ouça o CBN Debate de sábado, 15/09/2012
E, o principal, será que você está conectado para melhorar sua qualidade de vida?
Dia do Apagão
![]() |
| http://www.revistabeleleu.com.br/2011/04/18/disk-beleleu/ |
Quarta-feira, 25/04/2012 o Sul do Brasil se cala, ou, numa hipótese rósea e otimista, fica fanho.
Tudo por conta de um suposto operador de uma suposta escavadeira que, na beira de um suposto local da BR-116, supostamente na região metropolitana de Curitiba, teria rompido três cabos de fibras óticas de três provedores do backbone de comunicação digital na região.
Com tanta gente conectada via celulares, computadores e tablets, sem falar nas máquinas digitais que devem falar entre si, o transtorno e o prejuizo foram enormes. E a cara de pau dos explicadores também.
A base da internet e das redes de comunicação modernas é fundada em princípios básicos de altas disponibilidade e qualidade. Isso se desdobra em topologia com redundância de equipamentos e cabos, distribuidos por diferentes lugares, exatamente para evitar incidentes (?) como o de quarta-feira.
Uma das exlicações mais bizarras foi na linha de dizer que os circuitos alternativos aos da BR-116 ficaram sobrecarregados, logo cairam também. Se isso é verdade, significa que os circuitos e dispositivos de contingência estão sendo usados para o tráfego normal, o que é errado, e a agência reguladora poderia cuidar disso com uma bela multa aplicada nas operadoras.
Outra explicação foi a de que acidentes acontecem, e em obra rodoviária é perfeitamente admissível ocorrerem problemas assim com serviços de empresas que usam “rights of way”, ou direitos de passagem. Se isso é verdade, devemos esperar por mais acidentes com redes elétricas, de gás e, para melhor retratar a situação atual, um mega rompimento de rede de esgoto fresquinho e cheiroso.
Mas as desculpas não param por aí. Já ouvi especialista dizendo que a culpa é… nossa! Isso mesmo, estamos usando demais os serviços de telecomunicações e as ações para acompanhar a infraestrutura não podem crescer na mesma velocidade. Devemos então fazer um auto-racionamento de nosso consumo de telefonia e internet, mesmo pagando as tarifas mais altas do mundo. E devemos também explicar aos chineses que a rede digital por lá não existe, porque eles cresceram muito mais e muito mais rápido do que nós!
Mas, olhando a coisa pelo lado otimista, um pé de roseira não contém apenas espinhos. Vi a entrevista de uma senhora, proprietária de uma banca de revistas no centro de Curitiba dizendo que ela nunca vendeu tantos cartões de orelhão como naquele dia. Mais do que havia vendido desde o começo do ano. Com sobrepreço, provavelmente, pois ninguém é de ferro!
E é em homenagem a essa senhora e ao orelhão -símbolo da democratização das telecomunicações, na década de 1960- que coloco a charge que abre essa postagem.
E deixo a pergunta: será que a conectividade do século 21 está nos deixando mais tolerantes ou mais felizes de sermoAps enganados, como na quarta, 25/04/2012? Essa data, em vez de registrar o caladão ou o apagão das comunicações, bem que poderia ser simplesmente o Dia do Orelhão!

