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Dia do Apagão

http://www.revistabeleleu.com.br/2011/04/18/disk-beleleu/

Quarta-feira, 25/04/2012 o Sul do Brasil se cala, ou, numa hipótese rósea e otimista, fica fanho. 

Tudo por conta de um suposto operador de uma suposta escavadeira que, na beira de um suposto local da BR-116, supostamente na região metropolitana de Curitiba, teria rompido três cabos de fibras óticas de três provedores do backbone de comunicação digital na região.

Com tanta gente conectada via celulares, computadores e tablets, sem falar nas máquinas digitais que devem falar entre si, o transtorno e o prejuizo foram enormes. E a cara de pau dos explicadores também.

A base da internet e das redes de comunicação modernas é fundada em princípios básicos de altas disponibilidade e qualidade. Isso se desdobra em topologia com redundância de equipamentos e cabos, distribuidos por diferentes lugares, exatamente para evitar incidentes (?) como o de quarta-feira.

Uma das exlicações mais bizarras foi na linha de dizer que os circuitos alternativos aos da BR-116 ficaram sobrecarregados, logo cairam também. Se isso é verdade, significa que os circuitos e dispositivos de contingência estão sendo usados para o tráfego normal, o que é errado, e a agência reguladora poderia cuidar disso com uma bela multa aplicada nas operadoras.

Outra explicação foi a de que acidentes acontecem, e em obra rodoviária é perfeitamente admissível ocorrerem problemas assim com serviços de empresas que usam “rights of way”, ou direitos de passagem. Se isso é verdade, devemos esperar por mais acidentes com redes elétricas, de gás e, para melhor retratar a situação atual, um mega rompimento de rede de esgoto fresquinho e cheiroso.

Mas as desculpas não param por aí. Já ouvi especialista dizendo que a culpa é… nossa! Isso mesmo, estamos usando demais os serviços de telecomunicações e as ações para acompanhar a infraestrutura não podem crescer na mesma velocidade. Devemos então fazer um auto-racionamento de nosso consumo de telefonia e internet, mesmo pagando as tarifas mais altas do mundo. E devemos também explicar aos chineses que a rede digital por lá não existe, porque eles cresceram muito mais e muito mais rápido do que nós!

Mas, olhando a coisa pelo lado otimista, um pé de roseira não contém apenas espinhos. Vi a entrevista de uma senhora, proprietária de uma banca de revistas no centro de Curitiba dizendo que ela nunca vendeu tantos cartões de orelhão como naquele dia. Mais do que havia vendido desde o começo do ano. Com sobrepreço, provavelmente, pois ninguém é de ferro!

E é em homenagem a essa senhora e ao orelhão -símbolo da democratização das telecomunicações, na década de 1960- que coloco a charge que abre essa postagem.

E deixo a pergunta: será que a conectividade do século 21 está nos deixando mais tolerantes ou mais felizes de sermoAps enganados, como na quarta, 25/04/2012? Essa data, em vez de registrar o caladão ou o apagão das comunicações, bem que poderia ser simplesmente o Dia do Orelhão!

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O culpado é o Software!

Está provado: o culpado de tudo não é mais o mordomo, personagem demodé do século XX. Agora, em tempo de artefatos digitais, o novo culpado universal é o software.

Uma das últimas cenas de horror vividas pelos sofridos passageiros de avião -ou inquilinos de aeroporto– ocorreu no início de agosto, quando uma companhia aérea supostamente mudou os programas de computador que gerenciavam as escalas de tripulantes, e então houve mais uma confusão generalizada para os sofridos passageiros. Falha do software, correram a dizer seus dirigentes e portavozes.

Em passado do não tão distante ano de 2008, o apagão aéreo deixou centenas de milhares de passageiros em imensas filas nos aeroportos e então um dos vilões foi o software, dito por aqueles que deveriam ter uma solução, não uma desculpa.

Você já tentou pedir algum serviço a alguma empresa que, em retorno, diz que Nosso sistema está fora do ar temporariamente, por problemas no sistema de computação. Tente novamente mais tarde

Nesse mundo cada vez mais digital, cada vez mais conectado, a dependência do software para um cidadão comum é cada vez maior, embora não percebamos.

O software, ou programa de computador, nada mais é do que um conjunto de regras estruturadas dizendo à máquina como as informações serão tratadas. Feita por humanos, é algo imperfeito e em eterna construção, em especial aqueles mais complexos, hoje estão presentes em nosso cotidiano, em tarefas serviços de telefonia, de energia, pagamento de impostos, de contas. Até mesmo os nossos carros estão sujeitos a recall pelos fabricantes para trocar componentes defeituosos, que vão de uma simples palheta do limpador de parabrisa até a correção -aqui ele de novo- do software de gerenciamento do motor, que, se não for feito, pode ocasionar até incêndios e explosões.

Então, o culpado é o software? O novo e tenebroso vilão do século XXI?

Na verdade, muitas vezes a desculpa do problema do software é a mais esfarrapada possível, para justificar outro tipo de problema, desde erros de especificação até falhas na sua atualização ou sobrecarga nos servidores por excesso de tráfego de dados, não antecipado na elaboração do projeto.

Isso está virando coisa banal, recorrente, até mesmo para buscar explicar o inexplicável.

Olhando do outro lado, a melhor definição que ouvi de software veio pessoalmente de ninguém menos que Bill Gates, o fundador da Microsoft. O ano era 1998, em um hotel do Walt Disney World em Orlando. Para uma platéia de 7.000 pessoas com telões por várias salas, Gates apresentava o novíssimo Windows 98, que substituiria o popular mas já ultrapassado Wndows 95. Na fase de perguntas, um jornalista disparou o tema que não podia calar: Então, com o 98 os bugs do 95 serão eliminados? E Gates, rapidinho: A imensa maioria, provavelmente sim, mas novos aparecerão. Ou como você acha que ganhamos a vida?, brincou…

A ironia estava lá, mas com uma boa dose de verdade. E, não por acaso, na demonstração, o Windows 98 travou, para constrangimento dele e delírio da platéia.

Mas, via de regra, os defeitos atribuidos ao software são frutos de mau planejamento, má execução, péssimo dimensionamento, falta de treinamento para o uso ou um conjunto das causas anteriores.

Eu que sou veterano na produção de soluções de software e no seu uso em múltiplas aplicações, normalmente reajo assim, quando ouço essas respostas-padrão:

Desculpa 1: Sinto, senhor, nosso sistema caiu e está indisponível!

Eu: Ééé? Pobre sistema, e ele se machucou? Chamaram o SAMU?

Desculpa 2:  Nós tivemos um problema na atualização da versão de nosso software de gestão, então não pudemos efetuar seu crédito


Eu: Então, já que fiquei sem grana, posso usar essa desculpa para não pagar meu imposto de renda?

Desculpa 3: Nossos servidores estão sobrecarregados e não podemos completar seu pedido da promoção. Tente mais tarde.


Eu: @#$@%$&^µ´®∂å

O Apagão da Internet em São Paulo

Subitamente nos damos conta, e de forma dolorosa, que vivemos efetivamente em um mundo conectado e que não ainda não estávamos nos dando conta disso.

O apagão da internet em São Paulo, nesses dias 2 e 3 de julho, criaram sérios problemas a indivíduos, corporações e administrações públicas. E aí, quando será o próximo?

Foi um estrago geral… Os postos do Poupa Tempo, um serviço do governo de São Paulo que vem tendo sucesso ímpar, por garantir centenas de serviços básicos ao cidadão em vários pontos do estado estavam às moscas, com os atendentes sem ter o que fazer e a população irada. Alguns desses postos chegam a atender 20.000 pessoas em um dia normal!

As empresas ficaram desconectadas. Nós, da SIGMA Dataserv Informática tivemos nossa fábrica de software em Ourinhos totalmente parada por falta de conexão. Bancos não prestaram os serviços normais, empresas de comércio eletrônico sairam do ar, as ditas empresas de “tijolo e cimento” tiveram problemas de compras, vendas, faturamento, gestão de pessoas, e por aí foi… Os serviços de governo foram sustados, com efeitos mais graves do que uma greve com piquete e tudo.

O quê houve? O “backbone” da Telefonica saiu do ar. De repente, a espinha dorsal da internet e de comunicação de dados no mais importante Estado da federação ficou mudo, vazio, inoperante. E, pior do que tudo, com evasivas dos dirigentes da empresa e sem qualquer ação imediata da Anatel, a agência reguladora.

O episódio serviu ao menos para mostrar que os planos de contingência, sejam eles da Telefonica, sejam dos usuários, precisam ser revistos, pois a tendência é de conectividade crescente, com maior dependência de uma infraestrutura confiável para o mundo online.

Mostrou ainda que não podemos fazer apostas sérias em estratégias de negócios à prova de apagões de internet simultâneos a greve dos Correios, este mais físico, mas com poderes quase monopolistas, cujos efeitos são sentidos muito mais pelos usuários -que pagam a conta- do que pelos administradores daquela empresa.

Apagões são assim mesmo, ocorrem de forma abrupta, inesperada, tal e qual um infarto do miocárdio fulminante, que chega sem avisar. Sem avisar? O apagão de energia de alguns anos atrás criou caos, mas os avisos estavam claros para os especialistas.

No caso de São Paulo, a falta de respostas convincentes da operadora e da Anatel mostram que os sintomas já existiam, mas não apareciam claramente a todo o corpo, no caso a sociedade.

O total dessa conta talvez jamais venha a ser conhecido. Mas, certamente, grandes empresas e organizações de defesa do consumidor moverão ações milionárias contra a Telefonica e os agentes reguladores. Debates intermináveis ocorrerão no Congresso e na Assembléia Legislativa.

Independentemente de quem vai pagar essa conta, é hora de cobrar das autoridades a busca de uma solução mais ampla que resguarde, ao menos no médio prazo, os interesses dos usuários e, em última análise, a competitividade da nação.

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