Autor Arquivo: Guy Manuel

Copa das Copas: sem Taça, sem Raça

E meu comentário ao vivo nesta quarta, 9/7 na CBN Curitiba, com Gabriela Brandalise.

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14-50Sou veterano o suficiente para me lembrar de 17 Copas do Mundo. E, à falta de bons motivos para tirar a má impressão que tive na outra Copa aqui no Brasil, a de 1950, vou contar aqui minhas impressões da evolução da tecnologia nesse período de 64 anos, e da participação da massa de cidadãos e torcedores.

1950: No Rio, com 9 anos, morava em Ipanema, a exatos 13,4 km do Maracanã (hoje), ou 21 km, pelo caminho então disponível. Para wuem não tinha entrada para a final, o jeito era ouvir pelo rádio. Eu ouvia a rádio Continental em AM, e o locutor era Oduvado Cozzi, comentários de Ary Barrozo. Uruguai 2×1: Pude sentir o silêncio ensurdecedor na cidade.

1954: Na Suiça, outro mico, dessa vez ouvido em ondas curtas, sinal ruim, mas, mesmo assim, dava para entender que não era a hora do Brasil. As poucas imagens que…

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Copa das Copas: sem Taça, sem Raça

14-50Sou veterano o suficiente para me lembrar de 17 Copas do Mundo. E, à falta de bons motivos para tirar a má impressão que tive na outra Copa aqui no Brasil, a de 1950, vou contar aqui minhas impressões da evolução da tecnologia nesse período de 64 anos, e da participação da massa de cidadãos e torcedores.

1950: No Rio, com 9 anos, morava em Ipanema, a exatos 13,4 km do Maracanã (hoje), ou 21 km, pelo caminho então disponível. Para wuem não tinha entrada para a final, o jeito era ouvir pelo rádio. Eu ouvia a rádio Continental em AM, e o locutor era Oduvado Cozzi, comentários de Ary Barrozo. Uruguai 2×1: Pude sentir o silêncio ensurdecedor na cidade.

1954: Na Suiça, outro mico, dessa vez ouvido em ondas curtas, sinal ruim, mas, mesmo assim, dava para entender que não era a hora do Brasil. As poucas imagens que vinham eram telefotos bem distorcidas, nos jornais do dia seguinte, e alguns vídeos nos jornais semanais nos cinemas. Alemanha Ocidental passa pela fenomenal Hungria, de Puskas.

1958: a Copa da Suécia, do Pelé, do Vicente Feola, do fim do complexo de vira-latas, ainda pelo rádio. Para os poucos que tinham TV em casa, a solução era assistir a uma apresentação de slides na TV Tupi, enquanto o mesmo narrador do rádio passava sua voz nos altofalantes da TV.

1962: No Chile, o bicampeonato, a sensação do poder absoluto do Brasil no esporte bretão, onde seguíamos de novo pelo rádio e, no dia seguinte, alguns vídeos pela TV, vindos de avião.

1966: o vexame na Inglaterra, a frustração do tri, poucas imagens pela TV no dia seguinte, já vindas por transmissão via satélite, mas nada de todos os jogos ao vivo, ao menos em Curitiba, onde morava e estava no começo de minha carreira profissional. A dona da casa levanta a Jules Rimet, mas se houvesse a tecnologia de hoje da detecção da bola passando pela linha de gol, a Alemanha seria bicampeã.

1970: a Copa no México, a Copa do Tri, da seleção de Pelé, Jairzinho, Gerson, Tostão e tantos outros, a primeira transmitida ao vivo, via satélite e em cores, mas o Brasil ainda não dispunha de um sistema de difusão de sinais coloridos. O jeito era assistir os jogos na TV de tela pequena, em preto e branco. A novidade era o replay, com duas câmeras atrás de cada gol com um gravador de videocassete, cada um custando, à época, a fortuna de US$ 100 mil, algo como US$ 1 milhão em grana de hoje. Euforia geral no Brasil governado por militares, o “prá frente Brasil”

1974: Já com boa parte da população brasileira com televisores em casa e com uma pequena parcela tendo o privilégio de contar com um possante 21″ em cores, a nossa carrasca Alemanha (à época, ainda Alemanha Ocidental) conquistar o bi em casa. O Tetra nosso ainda levaria 20 anos para chegar.

1978: Nada a comemorar. Ainda com o regime fechado por aqui, a Argentina levantava a taça pela primeira vez. Do ponto de vista tecnológico, evolução na quantidade de aparelhos em cores e da cobertura para recepção do sinal ao vivo.

1982: Na Espanha, a anfitriã é a segunda seleção a perder uma Copa em casa, para a Itália, sofrendo um Bernabeusazo, ou algo parecido. Nós, com a melhor seleção de todos os tempos, seguimos os passos e os passes de nós mesmos (1950), Hungria (1954) e Holanda (1974). E alguns de nós já podíamos ter um aparelho de videocassete em casa, qu enos permitia gravar os jogos para ver e rever o título que não aconteceu.

1986: A Colômbia desiste de sediar o mundial e o México faz sua segunda Copa, e a Argentina sua segunda festa. E nós passamos a ter de engolir o Maradona. Tecnologia nova? Os CDs apareciam, mas só os players. Para vevídeos, só nos videocassetes. O Brasil, bem… caiu que nem o Plano Cruzado, que bombava à época e deu no que deu.

1990: Era para ser nossa, mas a Alemanha fez o dever de casa e conquistou o Tri, em cima da Argentina, na casa dos italianos. De tecnologia, só mais câmeras transmitindo, mais replays, o slow-motion, e pronto. Já haviam computadores domésticos, mas, para efeitos esportivos, apenas com planilhas eletrônicas para analisar os números da Copa e jogar alguns games rústicos de futebol.

1994: Nos Estados Unidos, com Romário & Cia, o Tetra! E o DVD aparecia, para podermos colecionar vídeos da Copa com melhor qualidade do que as transmissões por TV aberta. Alguns poucos já podiam desfrutar de computadores domésticos, com comunicação por telefone, fazendo chats através de serviços de BBS e do ICQ. As buscas na Internet estavam na moda, e o Yahoo! começava seu domínio.

1998: Vive la France, Ronaldo deu chabú e conquistamos o bi-vice. Já dava para ter a internet por linha discada a incríveis 64kb, mas a conta (para variar) era salgada. Mas os serviços de chat eram populares e dava para se comunicar com o mundo, tendo, pela primeira vez, uma visão global da Copa, de forma direta. Nascia o Google!

2002: O Penta, do outro lado do mundo, a reabilitação de Ronaldo e a glória de Felipão. Foram 2 títulos na América do Norte (México e EUA), um na América do Sul (Chile), um na Europa (Suécia) e esse na Ásia (Japão e Coréia do Sul).  O Google era rei e a banda larga descongestionava as linhas telefônicas. Muita mensagem trocada por SMS.

2006: Com o Google bombando, o Orkut mandava ver no Brasil, mas o Facebook vinha com tudo. A Alemanha fazia seu tri na Itália. O Brasil, bem… já que não deu para sediar uma Copa, o jeito era tentar no ano seguinte ganhar o direito e receber as seleções em 2014. Smartphones apareciam no radar.

2010: Na África do Sul, surgia o Cometa Espanha, imbatível pelos próximos… (vide 2014). Já era possível fazer videoconferências pelo computador, o Skype era soberano na telefonia IP grátis, o Facebook tomava conta das redes sociais, mas o Twitter era o grande contendor a bater na troca de mensagens instantâneas. Alguém aí se atreve a repetir a escalação base do Brasil de Dunga?

2014: Antes da final, dá para escrever que a Copa no Brasil foi um sucesso, os gringos gostaram, embora as redes de comunicação não estivessem no Padrão Fifa, ainda assim deu para postar milhões de fotos e vídeos dos estádios. Em alguns pontos, a transmissão de imagens 4K, bem mais nítidas do que as Full HD, estas chegarando em massa aqui em nossas plagas nesse ano da Copa, mas que já eram padrão em 2010. Os jogos, todos pela TV ao vivo e com as redes sociais bombando, mostrou o esquema planetário desse evento FIFA, muito mais do que 64 jogos de futebol.

Na 1ª semifinal, minha neta de nove anos chora de tristeza após o 7×1 da Alemanha. E eu penso: será que o legado de país que minha geração deixa para ela não poderia ser melhor? Ela tem hoje a idade que eu tinha em julho de 1950.

Tomara que ela só tenha esse motivo de chorar pelo Brasil em 2014.

 

 

“Despriorizando” o que você recebe no Facebook

ABFacebookParece que vai chegar um dia onde uma parcela grande de seres digitais, conectados –assim como você e eu– vai dar um basta a excessos das grandes empresas de tecnologia, que indicam querer dominar o mundo. Na frente de todas, o Facebook, que assumidamente manipulou informações passadas a um “pequeno grupo” de usuários, dividido em dois: um que recebia mais postagens positivas, de alto astral e o outro que recebia mais carga negativa.

Adam Kramer,  é um dos três pesquisadores do Facebook que conduziram esse estudo de A/B Testing no início de 2012, com esses 700.000 usuários, sem o conhecimento deles. Usando filtros para o tipo de postagens nas suas linhas de tempo, para depois medir as reações. E as conclusões são claras: Quem recebe inputs positivos tende a postar e replicar assuntos mais positivos, de alto astral. A recíproca é verdadeira.

Kramer justifica a necessidade de tal avaliação, dado o impacto social da rede com 1,2 bilhões de usuários ativos, com algumas pérolas de linguagem:

Regarding methodology, our research sought to investigate [the above claim] by very minimally deprioritizing a small percentage of content in News Feed (based on whether there was an emotional word in the post) for a group of people (about 0.04% of users, or 1 in 2500) for a short period (one week, in early 2012).

Traduzindo: Quanto à metodologia, nossa pesquisa buscou investigar […]  de forma a minimamente despriorizar uma pequena porcentagem de conteúdo de news feed (baseado na existência de palavras emocionais na postagem) para um pequeno grupo (cerca de 0,04% dos usuários, ou 1 em cada 2.500), por um período curto de tempo (uma semana, no início de 2012).

OK, despriorizar… Esses caras foram pegos por acaso. Nada indica que esse tipo de pesquisa seja único, nem que o Facebook esteja só na lista de vilões.

Já vi que existem os que pregam a correção desse tipo de “pesquisa”, dizendo que se trata de evolução, de melhorar a experiência do usuário.

Dessa vez, as reações dos usuários foram fortes e não param de crescer.

E já tem muita gente tomando atitudes radicais, como sair de todas as redes sociais. Será esse o caminho?

Orkut: Agora só na nostalgia…

orkut deixa de ter razão de existirLembra do Orkut? Se lembra, voce ainda tem conta no Orkut?

Pois saiba que o Google anunciou nesta segunda, 30/6, a saída de cena da mais popular rede social no Brasil, antes do Facebook. Tinha até música, o “vou deletar você do meu orkut”.

Não deu certo. Seja pela invasão dos brasileiros, que dominaram  Orkut em audiência, seja pela falta de adesão no resto do mundo ou até mesmo pela falta de compreensão do Google sobre o potencial das redes sociais.

A data para retirada do ar do Orkut é 30 de setembro. Até lá, você pode salvar o conteúdo de sua conta por lá, transferí-lo para o Google+ ou simplesmente não fazer nada.

 

Descanse em paz, Orkut! Você fez a cabeça de milhões de brasileiros que começavam a se conectar pela internet.

Fire Phone da Amazon: Mais um na briga ou mudança de referência?

FirePhoneA Amazon anunciou dia 18 de junho seu novo lançamento, o Fire Phone, um smartphone com algumas características diferenciadas dos concorrentes, mas que, nas palavras de Jeff Bezos, o Capo di Tutti Capi, vai fazer a concorrência balançar e mexer com o mercado.

Das novidades, a mais diferenciada é a imagem 3D, que pode ser visualizada sem óculos e com muito mais nitidez e brilho do que a Nintendo procurou fazer com seu efêmero 3DS, já encontrado nas lojas com um bom desconto . Baseado na captação de imagens por 4 câmeras distintas, ele usa algorítmo que lembra o que vem sendo usado na Copa do Mundo na determinação precisa de se bola entrou ou não no gol.

Na ponta do mais prosaico, earphones cujo cabo de conexão ao celular não enrolam. Taí uma coisa que pode ser bem prática, embora os dos aparelhos mais caros, como o iPhone e o Galaxy S os earphones até que não enrolam muito.

Como características básicas, até que ele não faz feio, mas também não se sobressai muito. Veja:

  • Tela de LCD de 4,7 polegadas
  • Resolução: 1280×720 pixels
  • Processador/Chipset: quad-core Qualcomm Snapdragon 800 de 2,2 GHz
  • GPU: Adreno 330
  • RAM: 2 GB
  • Armazenamento interno: 32 GB ou 64 GB
  • Conectividade: WiFi 802.11, Bluetooth 3.0 e NFC
  • Câmera traseira: 13 megapixels
  • Câmera frontal: 2,1 megapixels
  • Bateria: 2.400 mAh
  • Dimensões: 13,92 cm x 6,65 cm

Como a Amazon desistiu de inventar a roda, o eistema operacional é o Fire OS 3.5.0, essencialmente um Android com sabores específicos da Amazon.

E aí, será que vale a pena entrar num modelo de smartphone de um fabricante cuja única coisa boa até agora foi o leitor de e-books Kindle? Ainda mais no Brasil, onde a Amazon é forte, mas não tem a bala toda de mercado do que em outros países, onde ela vende de tudo, inclusive se programando para entregar pequenas encomendas na sua cãs usando drones, em no máximo 30 minutos depois da compra…

Bem, essa comparação pode não levar a nada, ainda mais quando vemos que  próprio Google escorregou ao lançar um smartphone e seu laptop barato, conectado à nuvem também não virou um sucesso absoluto. O Facebook tentou, mas você conhece alguém que tenha um smartphone com o logo da empresa de Mark Zuckerberg? Isso sem falar na ascensão e queda da Motorola, da Nokia que virou Microsoft Mobile e.. peraí! Aqui tem coisa!

Claramente as grandes do mercado estão buscando uma estratégia de ter o cliente só para sí: a Apple com sua arquitetura fechada onde iOS significa iPhone, iPod, iPad e os futuros wearables, tipo iWatch e o OSX no Mac; a Microsoft apostando no seu carro chefe Windows para trazer a turma do mundo corporativo também via hardware móvel ou fixo; o Google, com um monte de serviços na nuvem que todo mundo usa e maestro da plataforma Android; agora entra a Amazon, maior loja virtual de vendas de produtos físicos no planeta e forte player na venda de serviços na nuvem dizendo “venha, aqui tem de tudo!

Do outro lado do Pacífico, as coreanas Samsung e LG, mais as chinesas Lenovo, HTC e outras vão pela massificação dos dispositivos móveis, usando, quase sempre, o Android, mas sem desprezar o Windows Phone. Algumas delas chegam baseando-se nos serviços na nuvem de gigantes como o Alibaba e no mais de 1 bilhão de chineses como mercado de partida.

Voltando à Amazon, seu Fire Phone estará nas lojas americanas no final de julho. Não está clara sua estratégia de vendas em outros mercados, mas as operadoras locais já estudam o novo device. Afinal, ele vem com 3D decente, e tem botões e funcionalidades (vide o NFC) que facilitarão compras na Amazon, inclusive de produtos físicos, coisa não muito em voga na concorrência.

Por enquanto, o negócio é ficar de olho, mas acompanhar com calma essas mexidas dos gigantes nesse tabuleiro cada vez maior e mais complexo: o mundo digital. Alguma coisa de boa acaba sobrando para nós…

Tercio Pacitti: Um pioneiro da tecnologia no Brasil

200px-TercioPacittiPerdemos Tércio Pacitti, um dos pioneiros da Tecnologia da Informação no Brasil. Corria o ano de 1961 e eu, no meu segundo ano de engenharia do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) tive aulas com o Pacitti, que ensinou nossa turma a programar em linguagem Fortran, e depois rodar o que tinhamos criado em um IBM 1620, o segundo computador instalado no Brasil.

Pacitti tinha uma paciência enorme, aliada a uma didática perfeita, mas era, sobretudo, um homem bom. Por toda sua vida profissional dedicou-se aos computadores e às pessoas que trabalhavam com computadores.

Ganhou um monte de prêmios, merecidos reconhecimentos em vida. Pacitti nos deixou ontem, 17 de junho, conforme postagem de seu filho no Facebook.

Eu brinco com a turma que aprendeu a trabalhar com computadores nas décadas de 1970 e 1980 que quase todos tinham sido iniciados nas maravilhas da tecnologia digital programando FORTRAN, do Pacitti. Só que era o livro do Pacitti, o Fortran Monitor, que de 1967 a 1987 vendeu 250 mil exemplares no país, uma barbaridade em termos de volume para a época.

Eu e minha turma não aprendemos com o livro do Pacitti, aprendemos com o próprio, e isso nos faz um grupo de privilegiados.

E Pacitti não foi só uma fera na tecnologia. Foi um baita de um ser humano, empenhado em difundir o conhecimento tecnológico e a desenvolver o mercado de tecnologia da informação no Brasil. Um pioneiro, um homem de uma estirpe que nos fará falta.

 

Obrigado, Tércio Pacitti!

Walk Again: Precisa Andar de Novo?

exoMilhares, talvez milhões de espectadores -eu incluído- estavam ansiosos para ver a cerimônia de abertura da Copa do Mundo, no Dia dos Namorados, 12 de junho.

Menos pela parte cenográfica montada pela FIFA e mais pelo chute inicial e simbólico, antes da partida Brasil x Croácia, que seria dado por um paraplégico. Ele deveria levantar-se de uma cadeira de rodas, andar cerca de 25 passos e, em seguida, fazer o kick-off da Copa. Tudo isso autonomamente, no projeto global comandado pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis.

Na prática, nao foi isso que aconteceu. Em fugidios 3 segundos, no meio da dançação toda, sem qualquer menção do cerimonial ou dos narradores da TV, lá estava o jovem Juliano Pinto, 29, usando o exoesqueleto e, dando o chute numa Brazuca. Sem explicações, sem a devida chamada de atenção aos distintos bilhões de espectadores mundo afora.

Tudo bem, a experiência pode até ter funcionado, mas o risco corrido pelo Dr. Nicolelis e sua equipe merece uma segunda chance, e não vale a pena esperar pelo próximo grande evento, as Olimpíadas do Rio, de 2016.

Muitos cientistas se apressaram a criticar Nicolelis, dizendo que a validação de um experimento científico não estaria seguindo os roteiros clássicos, de publicações em revistas especializadas e das explicações sobre como chegou ao resultado, não sob a ótica leiga, mas sobre a verdade da ciência.

Como houve aporte de recursos da Finep, agência do governo federal, vieram também as questões de uso do dinheiro público, dos alinhamentos políticos do cientista brasileiro – que mora nos Estados Unidos, diga-se de passagem.

Mais tarde, ainda no dia 12, Nicolelis deu entrevista ao Jornal Nacional, dizendo que a Fifa limitou o tempo da demonstração e não deixou que o nosso herói entrasse em campo, por conta do peso total do conjunto Juliano + exoesqueleto, que poderia danificar o gramado. Será que isso não teria sido combinado, ou a Fifa é tão onipotente assim?

Depois, em entrevista à Folha de São Paulo, Nicolelis diz que a Fifa roeu a corda e não fez o combinado. A Fifa diz que no ensaio foram dados os mesmos 30 segundos que no dia das abertura, e que passos não foram dados, só o chute, e que o que a TV mostrou não é sua responsabilidade. De quem seria, afinal? A Globo insiste que a geração das imagens é por conta da Fifa.

O fato concreto é que dúvidas ficaram. E elas são fáceis de dirimir. A demonstração completa pode ser em qualquer dia, durante a Copa, convocando a imprensa mundial que se aboleta por aqui para cobrir a Copa e, nas matérias colaterais sobre o Brasil, mais desancam do que “ancam” sobre nossos problemas.

Ou então negociar com Sepp Blatter para fazer a experiência completa após a cerimônia de encerramento. Afinal, a Fifa mostrou, desde os preparativos após a escolha do Brasil como país sede, lá em 2007, que ela dita as regras. Mas, acabada a Copa, encerrada a festa e passado o bastão para o presidente Vladimir Putin, para a Copa 2018 na Rússia, dá para fazer tudo com bastante detalhes, abismar o mundo e dar uma turbinada nas vocações científicas de milhões de jovens brasileiros.

Eu acredito na capacidade do Dr. Nicolelis e de sua equipe. Mais ainda, nos sorrisos de muitos paraplégicos que renovaram esperanças em poder voltar a andar com o anúncio do Walk Again.

Não está em jogo o disse-me-disse nem as versões controvertidas. A prova pública da conquista deve e precisa ser feita. O quanto antes! 

Walk Again: The Needed Exposure

walkagainOnly a few hours away from the live demonstration during the opening ceremony of the 2014 World Cup in Sao Paulo, I want to thank this winning team of scientists, researchers, supporters and especially the volunteers today dependent on a wheelchair, in daring to innovate, seek to make hope a reality.

Everything working as planned, one young handicapped person will walk a few steps and kick the ball off before the opening match of Brazil vs Croatia.

More than a victory, it will be worth watching the results from a long, strong and courageous journey involving many disciplines of science and technology, lots of experiments and frustrations, many obstacles overcome.  This Valentine’s Day in São Paulo will display to billions around the the results of applied knowledge to the benefit of human well-being.

There will be skeptics, critics, haters and even misinformed people who will criticise, whatever the outcome . They will mock or ignore dozens of universities worldwide, the various research centers seeking to innovate, to plant the seed of hope and the prospect of making it possible for a paraplegic to Walk Again.

It is possible that doubts may persist, and they will come up for debate in scientific forums. It is also reasonable to assume that there is a long way to go until autonomous walking is made available to millions of handicapped.

Well, that happens whenever the status-quo is challenged… What really counts, on Thursday, June 12, 2014, is that a vast portion of human kind will watch this magnificent initiative of human ingenuity.

Hopefully everything works out fine. And let the example bear fruits, not only in Brazil, but in every country in the world.

And let the game begin!

Walk Again: A exposição necessária

walkagainAntes de ver a demonstração ao vivo, por ocasião da cerimônia de abertura da Copa do Mundo 2014, em São Paulo, quero agradecer a esse time campeão de cientistas, pesquisadores, apoiadores e, especialmente, aos voluntários, hoje dependentes de cadeira de rodas, em ousar, inovar, buscar tornar a esperança em realidade.

Em tudo dando certo, um ou uma jovem poderá dar alguns passos, autonomamente, e chutar a bola, antes do jogo inaugural Brasil x Croácia.

Mais do que uma vitória, vai valer a pena pela exposição de resultados de uma longa, solidária e corajosa jornada envolvendo muitas disciplinas da ciência e da tecnologia, muita experimentação, muitos obstáculos vencidos. Restará, no meio da tarde do Dia do Namorados em São Paulo, mostrar ao mundo que juntar conhecimento e aplicá-lo ao bem-estar humano vale muito.

Existem céticos, críticos, invejosos e mesmo desinformados que falam mal, sem saber do todo. Das dezenas de universidades mundo afora, dos diversos centros de pesquisa buscando o novo, para chegar a lançar a semente da perspectiva de tornar possível a um paraplégico voltar a caminhar – Walk Again.

É possível que dúvidas ainda persistam, e cheguem a debates até em fóruns científicos. É razoável supor também que haja um longo caminho a ser percorrido até que essa possibilidade de andar esteja disponibilizada para milhões de deficientes.

Não importa. O que realmente contará, nesta quinta, 12 de junho de 2014, é que boa parte da humanidade poderá tomar conhecimento dessa magnífica iniciativa do engenho humano.

Tomara que dê tudo certo. E que o exemplo frutifique, não só no Brasil, como em cada país do mundo.

E aí que venha o futebol!

Sua Copa do Mundo personalizada no seu tablet ou smartphone

FlipboardO Flipboard é talvez o App mais popular de revistas digitais personalizadas, onde você pode estar sempre atualizado sobre temas de seu interesse, assinando jornais, revistas e blogs dos mais conceituados mundo afora, além de concentrar suas páginas de redes sociais como Facebook e Twitter. E tudo grátis!

Com mais de 100.000.000 de assinantes, o Flipboard agora inova, por ocasião da Copa do mundo no Brasil, com o lançamento de 32 revistas temáticas sobre cada uma das seleções participantes, mais uma geral sobre o Brasil. O diferente é que o conteúdo dessas revistas é majoritariamente selecionado por curadores voluntários de cada país -escolhidos pelo Flipboard- que flipam páginas da internet sobre sua seleção, ou preparam matérias originais.

Cada assinante tem seu Flipboard personalizado no smartphone ou tablet, dependendo dos títulos assinados. E é possível compartilhar cada página com pessoas selecionadas, ou convidadas para usar o Flipboard.

Fiquei contente de ser um dos co-curadores da seleção brasileira, e posso ver que o alcance é realmente global. Mais do que isso, a Copa do Mundo realmente chama a atenção do planeta, mesmo antes da bola rolar no campo, ara valer.

Outro ponto interessante é podermos ver visões diferentes sobre nosso país ou nossa seleção, inclusive algumas repercutindo as críticas e manifestações contra a Copa que seguem acontecendo.

Entender essas múltiplas visões é interessante, democrático, ensina muito e traz a meditação sobre o papel que a internet e as redes sociais desempenham no nosso cotidiano.

Então, você quer ter uma visão consolidada da Copa? Se não tem ainda o Flipboard, é só baixar o App no Google Play, no App Store, no Windows Store ou no BlackBerry World, e aí selecionar o que você quer de conteúdo na sua revista, incluindo aí o Brazil 2014 – Team Magazines.

Bom proveito, boa Copa a todos!