>orkut e eu

>Quando surgiu, o orkut virou uma febre. Especialmente entre os brasileiros, que logo estavam em maioria absoluta dentre os frequentadores. Talvez por causa disso o Google, seu dono, passou a manutenção da rede social para o Brasil, e alocou menos recursos para sua evolução.

Enquanto isso, apareceram novas alternativas, logo tornadas irrelevantes pela falta de evolução das propostas ou mesmo falta de apelo das novas funcionalidades. Aqui destaco o MySpace, que fica atrelada à figura de seu criador, e que criou um rótulo de ser a rede social de músicos, afastando os não-músicos.

Vale mencionar também o Second Life, que permitia ao internauta criar um completo espaço virtual, com área e construção própria, sem falar no seu avatar e no dinheiro próprio para lá viver e transacionar. Grandes empresas fizeram apostas pesadas comprando ilhas e países para mostrar novos lançamentos e até idéias em laboratório. Talvez tenha assustado o comum dos mortais ou este achou que não era o caso. Serviu de inspiração a Rod Cameron para seu filme genial. Só.

Aí temos as menos cotadas, como Tagged e Plaxo, uma que conta hoje com quase 100 milhões de perfis cadastrados, a imensa maioria de fakes, e a outra que mal e mal serve para atualizar cadastro de telefone, e-mail e aniversário dos participantes. Dessa última, como só a data de aniversário não muda, seus usuários cansaram de receber avisos que, de outro modo, já estavam na agenda ou eram de pessoas com pouca ou nenhuma interação.

Voltando ao orkut, eu recebi recentemente uma medalha virtual, ou selinho, sei lá, por ter um perfil há mais de 5 anos. Mas notei, também, que a maioria dos meus amigos reais ou virtuais estão mais ativos no Facebook, no LinkedIn e no Twitter.

Embora não tenha adicionado nem deletado amigos no orkut (até por passar raramente por lá), vejo que meus amigos também estão cada vez mais ausentes, e os assuntos interessantes igualmente rareiam. Proliferam as mensagens massificadas e animadas, que são mandadas por alguns renitentes em agitar o orkut que não pensam muito no perfil das pessoas que vão recebê-las.

Recebi também reclamações de amigos e amigas que tiveram seus perfís clonados ou então passaram a receber mensagens indesejadas e inconvenientes, o que mostra uma falta de ação por parte do orkut para tornar sua rede brazuca mais segura.

Pensei em deletar meu perfil do orkut, assim como já fiz, cronologicamente, com o Tagged, o Second Life e mais recentemente o MySpace. Mas, levando em conta que o orkut é um sobrevivente graças à teimosia dos brasileiros e por eu ser um estudante curioso das redes sociais, decidi manter meu perfil ativo, apenas para observar o que vai acontecer.

Sobram com vitalidade o Facebook, o LinkedIn e o Twitter, cada um com sua proposta e com facilidade de conexão entre eles. Vida longa aos três, ao menos até o final de 2011.

E lá ficarei em atividade, junto com este blog.

orkut e eu

Quando surgiu, o orkut virou uma febre. Especialmente entre os brasileiros, que logo estavam em maioria absoluta dentre os frequentadores. Talvez por causa disso o Google, seu dono, passou a manutenção da rede social para o Brasil, e alocou menos recursos para sua evolução.

Enquanto isso, apareceram novas alternativas, logo tornadas irrelevantes pela falta de evolução das propostas ou mesmo falta de apelo das novas funcionalidades. Aqui destaco o MySpace, que fica atrelada à figura de seu criador, e que criou um rótulo de ser a rede social de músicos, afastando os não-músicos.

Vale mencionar também o Second Life, que permitia ao internauta criar um completo espaço virtual, com área e construção própria, sem falar no seu avatar e no dinheiro próprio para lá viver e transacionar. Grandes empresas fizeram apostas pesadas comprando ilhas e países para mostrar novos lançamentos e até idéias em laboratório. Talvez tenha assustado o comum dos mortais ou este achou que não era o caso. Serviu de inspiração a Rod Cameron para seu filme genial. Só.

Aí temos as menos cotadas, como Tagged e Plaxo, uma que conta hoje com quase 100 milhões de perfis cadastrados, a imensa maioria de fakes, e a outra que mal e mal serve para atualizar cadastro de telefone, e-mail e aniversário dos participantes. Dessa última, como só a data de aniversário não muda, seus usuários cansaram de receber avisos que, de outro modo, já estavam na agenda ou eram de pessoas com pouca ou nenhuma interação.

Voltando ao orkut, eu recebi recentemente uma medalha virtual, ou selinho, sei lá, por ter um perfil há mais de 5 anos. Mas notei, também, que a maioria dos meus amigos reais ou virtuais estão mais ativos no Facebook, no LinkedIn e no Twitter.

Embora não tenha adicionado nem deletado amigos no orkut (até por passar raramente por lá), vejo que meus amigos também estão cada vez mais ausentes, e os assuntos interessantes igualmente rareiam. Proliferam as mensagens massificadas e animadas, que são mandadas por alguns renitentes em agitar o orkut que não pensam muito no perfil das pessoas que vão recebê-las.

Recebi também reclamações de amigos e amigas que tiveram seus perfís clonados ou então passaram a receber mensagens indesejadas e inconvenientes, o que mostra uma falta de ação por parte do orkut para tornar sua rede brazuca mais segura.

Pensei em deletar meu perfil do orkut, assim como já fiz, cronologicamente, com o Tagged, o Second Life e mais recentemente o MySpace. Mas, levando em conta que o orkut é um sobrevivente graças à teimosia dos brasileiros e por eu ser um estudante curioso das redes sociais, decidi manter meu perfil ativo, apenas para observar o que vai acontecer.

Sobram com vitalidade o Facebook, o LinkedIn e o Twitter, cada um com sua proposta e com facilidade de conexão entre eles. Vida longa aos três, ao menos até o final de 2011.

E lá ficarei em atividade, junto com este blog.

>Três cuidados básicos antes de comprar seu presente de Natal

>Já decidiu o que comprar, dentro da lista de desejos e das possibilidades do bolso? Então é bom minimizar o risco e pagar o menos possível. 


Como fazer?



Três coisas simples:

1- Veja a marca do aparelho que você pretende comprar e pesquise no Google essa marca + a palavra PROCON. Você vai ter uma ideia de como anda a empresa que pode te fornecer em relação ao atendimento pós-venda. Se a quantidade de reclamações for grande, desista.

2- Pesquise preços! A diferença de preços pode ser grande, embora muitos produtos -especialmente entre os lançamentos- sejam tabelados. Um jeito bom de fazer essa pesquisa é primeiro consultar nos sites das principais lojas da internet e depois ir conferir na loja física. Eu já consegui descontos em compras assim ao mostrar a oferta na loja virtual, tanto na loja física da mesma bandeira como em concorrente. Lembre-se que cada loja tem sua meta de quantidade de vendas e de margens a atingir. Como na maioria delas essas metas são diearias, não é incomum, ao final do expediente, você conseguir espremer uns reazinhos a mais de desconto, uma condição de pagamento melhor, um brinde ou uma combinação dos três.

3- Considere produtos alternativos equivalentes.  Às vezes, optar por um produto de outra marca mais mesma tradição pode oferecer melhores condições de preço, mais funcionalidades, melhor desempenho.

Três cuidados básicos antes de comprar seu presente de Natal

Já decidiu o que comprar, dentro da lista de desejos e das possibilidades do bolso? Então é bom minimizar o risco e pagar o menos possível. 


Como fazer?



Três coisas simples:

1- Veja a marca do aparelho que você pretende comprar e pesquise no Google essa marca + a palavra PROCON. Você vai ter uma ideia de como anda a empresa que pode te fornecer em relação ao atendimento pós-venda. Se a quantidade de reclamações for grande, desista.

2- Pesquise preços! A diferença de preços pode ser grande, embora muitos produtos -especialmente entre os lançamentos- sejam tabelados. Um jeito bom de fazer essa pesquisa é primeiro consultar nos sites das principais lojas da internet e depois ir conferir na loja física. Eu já consegui descontos em compras assim ao mostrar a oferta na loja virtual, tanto na loja física da mesma bandeira como em concorrente. Lembre-se que cada loja tem sua meta de quantidade de vendas e de margens a atingir. Como na maioria delas essas metas são diearias, não é incomum, ao final do expediente, você conseguir espremer uns reazinhos a mais de desconto, uma condição de pagamento melhor, um brinde ou uma combinação dos três.

3- Considere produtos alternativos equivalentes.  Às vezes, optar por um produto de outra marca mais mesma tradição pode oferecer melhores condições de preço, mais funcionalidades, melhor desempenho.

>Dica de presente alternativo: Pendrive ou espaço na nuvem?

>Sábado, 4/12, rolou no debate da CBN a dica de presente baratinho: um pendrive. Muito boa, especialmente agora que os preços estão caindo e você pode comprar vários Gb por poucas dezenas de reais. Se você pode comprar e trazer um do exterior, melhor ainda. Eles cabem em qualquer lugar da mala, do bolso ou da quota e custam menos da metade do preço daqui.



Mas…

Aqui vai um depoimento pessoal: eu acho pendrives muito práticos, e o fato de eles terem cada vez mais capacidade de armazenamento por um preço cada vez menor embutem riscos de perda, roubo ou simples esquecimento de onde ele está. Mas eu fiquei uns três meses procurando não um, mas dois pendrives que tinham informações importantes (felizmente duplicadas em outro lugar) que eu cheguei a pensar que estavam em mãos erradas.

Isso não deve ser empecilho a que você considere um pendrive como presente de Natal. Até porque é algo muito útil e nem todos são tão desorganizados quanto esse veterano escriba.  Você pode achar pendrives de 2Gb a 128Gb que estejam no seu orçamento de Papai Noel.

Considere, porém, as alternativas de nuvem, que vão desde R$ 0 ( 1Gb no Picasa, do Google) até R$ 170 (US$ 99) para 10Gb/ano, no MobileMe da Apple. A vantagem é que as informações estão lá na nuvem, seguras (o que quer que isso seja em tempos de WikiLeaks) mas, sobretudo, acessíveis a qualquer tempo, desde que haja uma conexão à internet.

Outra alternativa é a assinatura de um plano para e-mail e acesso ao portal, como o UOL, que vale R$ 9,90/mês nos 3 primeiros meses e R$ 19,90 após, e dá direito a 5Gb de armazenamento nas 4 caixas postais disponibilizadas.

É verdade que a maioria desses serviços pode estar associado a alguma limitação (fotos/vídeos no Picasa, correio eletrônico no UOL) mas existem outros serviços associados, gerando mais valor. E as informações estão lá, não perdidas em alguma gaveta ou achadas por alguém que não deveria vê-las, no assento de um taxi, na calçada de uma rua, por exemplo.


Considere ambas as alternativas como presente. Elas têm bom valor agregado!

Dica de presente alternativo: Pendrive ou espaço na nuvem?

Sábado, 4/12, rolou no debate da CBN a dica de presente baratinho: um pendrive. Muito boa, especialmente agora que os preços estão caindo e você pode comprar vários Gb por poucas dezenas de reais. Se você pode comprar e trazer um do exterior, melhor ainda. Eles cabem em qualquer lugar da mala, do bolso ou da quota e custam menos da metade do preço daqui.



Mas…

Aqui vai um depoimento pessoal: eu acho pendrives muito práticos, e o fato de eles terem cada vez mais capacidade de armazenamento por um preço cada vez menor embutem riscos de perda, roubo ou simples esquecimento de onde ele está. Mas eu fiquei uns três meses procurando não um, mas dois pendrives que tinham informações importantes (felizmente duplicadas em outro lugar) que eu cheguei a pensar que estavam em mãos erradas.

Isso não deve ser empecilho a que você considere um pendrive como presente de Natal. Até porque é algo muito útil e nem todos são tão desorganizados quanto esse veterano escriba.  Você pode achar pendrives de 2Gb a 128Gb que estejam no seu orçamento de Papai Noel.

Considere, porém, as alternativas de nuvem, que vão desde R$ 0 ( 1Gb no Picasa, do Google) até R$ 170 (US$ 99) para 10Gb/ano, no MobileMe da Apple. A vantagem é que as informações estão lá na nuvem, seguras (o que quer que isso seja em tempos de WikiLeaks) mas, sobretudo, acessíveis a qualquer tempo, desde que haja uma conexão à internet.

Outra alternativa é a assinatura de um plano para e-mail e acesso ao portal, como o UOL, que vale R$ 9,90/mês nos 3 primeiros meses e R$ 19,90 após, e dá direito a 5Gb de armazenamento nas 4 caixas postais disponibilizadas.

É verdade que a maioria desses serviços pode estar associado a alguma limitação (fotos/vídeos no Picasa, correio eletrônico no UOL) mas existem outros serviços associados, gerando mais valor. E as informações estão lá, não perdidas em alguma gaveta ou achadas por alguém que não deveria vê-las, no assento de um taxi, na calçada de uma rua, por exemplo.


Considere ambas as alternativas como presente. Elas têm bom valor agregado!

Dica de presente alternativo: Pendrive ou espaço na nuvem?

Sábado, 4/12, rolou no debate da CBN a dica de presente baratinho: um pendrive. Muito boa, especialmente agora que os preços estão caindo e você pode comprar vários Gb por poucas dezenas de reais. Se você pode comprar e trazer um do exterior, melhor ainda. Eles cabem em qualquer lugar da mala, do bolso ou da quota e custam menos da metade do preço daqui.



Mas…

Aqui vai um depoimento pessoal: eu acho pendrives muito práticos, e o fato de eles terem cada vez mais capacidade de armazenamento por um preço cada vez menor embutem riscos de perda, roubo ou simples esquecimento de onde ele está. Mas eu fiquei uns três meses procurando não um, mas dois pendrives que tinham informações importantes (felizmente duplicadas em outro lugar) que eu cheguei a pensar que estavam em mãos erradas.

Isso não deve ser empecilho a que você considere um pendrive como presente de Natal. Até porque é algo muito útil e nem todos são tão desorganizados quanto esse veterano escriba.  Você pode achar pendrives de 2Gb a 128Gb que estejam no seu orçamento de Papai Noel.

Considere, porém, as alternativas de nuvem, que vão desde R$ 0 ( 1Gb no Picasa, do Google) até R$ 170 (US$ 99) para 10Gb/ano, no MobileMe da Apple. A vantagem é que as informações estão lá na nuvem, seguras (o que quer que isso seja em tempos de WikiLeaks) mas, sobretudo, acessíveis a qualquer tempo, desde que haja uma conexão à internet.

Outra alternativa é a assinatura de um plano para e-mail e acesso ao portal, como o UOL, que vale R$ 9,90/mês nos 3 primeiros meses e R$ 19,90 após, e dá direito a 5Gb de armazenamento nas 4 caixas postais disponibilizadas.

É verdade que a maioria desses serviços pode estar associado a alguma limitação (fotos/vídeos no Picasa, correio eletrônico no UOL) mas existem outros serviços associados, gerando mais valor. E as informações estão lá, não perdidas em alguma gaveta ou achadas por alguém que não deveria vê-las, no assento de um taxi, na calçada de uma rua, por exemplo.


Considere ambas as alternativas como presente. Elas têm bom valor agregado!

>WikiLeaks: Um 1984 ao contrário

>Quando publicou seu livro 1984, George Orwell parecia haver antecipado o futuro em varias ocasiões e geografias, como que descrevendo cada uma das principais ditaduras do século e mostrando o apetite dos poderosos de plantão em controlar a vida de seus cidadãos. Mas a visão orwelliana, descrita em 1949, ficou mais próxima da realidade após a revolução digital da internet, quando todas, ou quase todas as nossas ações parecem monitoradas por uma gigantesca rede de câmeras de vídeo e computadores conectados entre si.



O que ele certamente não imaginou foi a monumental inversão de conceitos, passando do controle de informações e de privacidade do indivíduo pelo Estado para a abertura de segredos desse mesmo Estado ao cidadão comum em escalas tsunâmicas, com o advento do WikiLeaks.

Não adianta questionar, ficar irado, querer fazer picadinho de seu criador, o australiano Julian Assange, 39 –que acaba de ser preso na Inglaterra, enquanto eu escrevo essa postagem– ou mesmo tirar o site do ar, que a mudança de referencial já está feita. A maior parte do conteúdo vazado, na casa de centenas de milhares de documentos secretos, já está armazenado em milhares de computadores do mundo, para o bem ou para o mal.

É razoável supor que medidas punitivas sejam tomadas contra Assange, mas isso coloca alguns argumentos defendidos pelas grandes democracias (Estados Unidos à frente) em cheque no tema de privacidade x liberdade na internet.

Ácidos críticos das restrições de acesso a informações impostas por países como Irã, Cuba, China e Coréia do Norte, em maior ou menor grau, agora o feitiço virou contra o feiticeiro e, seguramente, algumas medidas restritivas de controle de acesso e mesmo os marcos legais e regulatórios serão revistos para impor uma nova ordem que, no mínimo, tornem vazamentos dessa natureza menos prováveis.

Ocorre que essa linha de ação vai contra a própria arquitetuta da internet e mesmo da natureza humana. Se novas restrições forem impostas, novas alternativas serão criadas, numa escalada de forças sem precedentes.

 Vale lembrar que os backbones principais da internet são controlados a partir dos Estados Unidos. Logo, querer ser ingênuo ao ponto de acreditar no poder do clique do mouse nas mãos do internauta individual é entrar no mundo da Carochinha do século 21.

Mas, ao mesmo tempo, e pelas proporções do estrago causado pelo WikiLeaks, com certeza as negociações de alto nível da diplomacia mundial terão de ser revistas, ou ao menos seus métodos de registro.

É razoável supor que a franqueza de argumentos em uma conversação reservada fiquem diluidos por um ritual imposto pela Nova Segurança, atrasando acordos e ações de interesse das nações.

Não nos iludamos. A reação dos governos à ação da Wikileaks, qualquer que seja o desfecho, mostra o poder da internet e das tecnologias digitais e que essa força deve ser cada vez mais levada em conta na formulação de estratégias governamentais, corporativas e individuais.

George Orwell pode até não estar se revirando na tumba, mas, com certeza, seu espírito deve estar refletindo sobre a oportunidade perdida de escrever uma suite de seu best-seller: 2010!

WikiLeaks: Um 1984 ao contrário

Quando publicou seu livro 1984, George Orwell parecia haver antecipado o futuro em varias ocasiões e geografias, como que descrevendo cada uma das principais ditaduras do século e mostrando o apetite dos poderosos de plantão em controlar a vida de seus cidadãos. Mas a visão orwelliana, descrita em 1949, ficou mais próxima da realidade após a revolução digital da internet, quando todas, ou quase todas as nossas ações parecem monitoradas por uma gigantesca rede de câmeras de vídeo e computadores conectados entre si.



O que ele certamente não imaginou foi a monumental inversão de conceitos, passando do controle de informações e de privacidade do indivíduo pelo Estado para a abertura de segredos desse mesmo Estado ao cidadão comum em escalas tsunâmicas, com o advento do WikiLeaks.

Não adianta questionar, ficar irado, querer fazer picadinho de seu criador, o australiano Julian Assange, 39 –que acaba de ser preso na Inglaterra, enquanto eu escrevo essa postagem– ou mesmo tirar o site do ar, que a mudança de referencial já está feita. A maior parte do conteúdo vazado, na casa de centenas de milhares de documentos secretos, já está armazenado em milhares de computadores do mundo, para o bem ou para o mal.

É razoável supor que medidas punitivas sejam tomadas contra Assange, mas isso coloca alguns argumentos defendidos pelas grandes democracias (Estados Unidos à frente) em cheque no tema de privacidade x liberdade na internet.

Ácidos críticos das restrições de acesso a informações impostas por países como Irã, Cuba, China e Coréia do Norte, em maior ou menor grau, agora o feitiço virou contra o feiticeiro e, seguramente, algumas medidas restritivas de controle de acesso e mesmo os marcos legais e regulatórios serão revistos para impor uma nova ordem que, no mínimo, tornem vazamentos dessa natureza menos prováveis.

Ocorre que essa linha de ação vai contra a própria arquitetuta da internet e mesmo da natureza humana. Se novas restrições forem impostas, novas alternativas serão criadas, numa escalada de forças sem precedentes.

 Vale lembrar que os backbones principais da internet são controlados a partir dos Estados Unidos. Logo, querer ser ingênuo ao ponto de acreditar no poder do clique do mouse nas mãos do internauta individual é entrar no mundo da Carochinha do século 21.

Mas, ao mesmo tempo, e pelas proporções do estrago causado pelo WikiLeaks, com certeza as negociações de alto nível da diplomacia mundial terão de ser revistas, ou ao menos seus métodos de registro.

É razoável supor que a franqueza de argumentos em uma conversação reservada fiquem diluidos por um ritual imposto pela Nova Segurança, atrasando acordos e ações de interesse das nações.

Não nos iludamos. A reação dos governos à ação da Wikileaks, qualquer que seja o desfecho, mostra o poder da internet e das tecnologias digitais e que essa força deve ser cada vez mais levada em conta na formulação de estratégias governamentais, corporativas e individuais.

George Orwell pode até não estar se revirando na tumba, mas, com certeza, seu espírito deve estar refletindo sobre a oportunidade perdida de escrever uma suite de seu best-seller: 2010!

WikiLeaks: Um 1984 ao contrário

Quando publicou seu livro 1984, George Orwell parecia haver antecipado o futuro em varias ocasiões e geografias, como que descrevendo cada uma das principais ditaduras do século e mostrando o apetite dos poderosos de plantão em controlar a vida de seus cidadãos. Mas a visão orwelliana, descrita em 1949, ficou mais próxima da realidade após a revolução digital da internet, quando todas, ou quase todas as nossas ações parecem monitoradas por uma gigantesca rede de câmeras de vídeo e computadores conectados entre si.



O que ele certamente não imaginou foi a monumental inversão de conceitos, passando do controle de informações e de privacidade do indivíduo pelo Estado para a abertura de segredos desse mesmo Estado ao cidadão comum em escalas tsunâmicas, com o advento do WikiLeaks.

Não adianta questionar, ficar irado, querer fazer picadinho de seu criador, o australiano Julian Assange, 39 –que acaba de ser preso na Inglaterra, enquanto eu escrevo essa postagem– ou mesmo tirar o site do ar, que a mudança de referencial já está feita. A maior parte do conteúdo vazado, na casa de centenas de milhares de documentos secretos, já está armazenado em milhares de computadores do mundo, para o bem ou para o mal.

É razoável supor que medidas punitivas sejam tomadas contra Assange, mas isso coloca alguns argumentos defendidos pelas grandes democracias (Estados Unidos à frente) em cheque no tema de privacidade x liberdade na internet.

Ácidos críticos das restrições de acesso a informações impostas por países como Irã, Cuba, China e Coréia do Norte, em maior ou menor grau, agora o feitiço virou contra o feiticeiro e, seguramente, algumas medidas restritivas de controle de acesso e mesmo os marcos legais e regulatórios serão revistos para impor uma nova ordem que, no mínimo, tornem vazamentos dessa natureza menos prováveis.

Ocorre que essa linha de ação vai contra a própria arquitetuta da internet e mesmo da natureza humana. Se novas restrições forem impostas, novas alternativas serão criadas, numa escalada de forças sem precedentes.

 Vale lembrar que os backbones principais da internet são controlados a partir dos Estados Unidos. Logo, querer ser ingênuo ao ponto de acreditar no poder do clique do mouse nas mãos do internauta individual é entrar no mundo da Carochinha do século 21.

Mas, ao mesmo tempo, e pelas proporções do estrago causado pelo WikiLeaks, com certeza as negociações de alto nível da diplomacia mundial terão de ser revistas, ou ao menos seus métodos de registro.

É razoável supor que a franqueza de argumentos em uma conversação reservada fiquem diluidos por um ritual imposto pela Nova Segurança, atrasando acordos e ações de interesse das nações.

Não nos iludamos. A reação dos governos à ação da Wikileaks, qualquer que seja o desfecho, mostra o poder da internet e das tecnologias digitais e que essa força deve ser cada vez mais levada em conta na formulação de estratégias governamentais, corporativas e individuais.

George Orwell pode até não estar se revirando na tumba, mas, com certeza, seu espírito deve estar refletindo sobre a oportunidade perdida de escrever uma suite de seu best-seller: 2010!