Autor Arquivo: Guy Manuel

Apple X Google: Batalha Final?

ImagemOntem à noite tive uma troca de tweets com o Guilherme Nagüeva sobre o Mountain Lion, browsers, bugs. Ele, com o olhar técnico, eu, com o estratégico, concluindo que os bons tempos da estabilidade da plataforma de computadores da Apple, definitivamente já eram. Ele, que segue usando o Safari como browser, e eu tendo mudado para o Chrome, para me incomodar menos com os bugs.

Ao procurar encontrar o sono, minha cabeça revirou um pouco e concluí que, definitivamente, essa área de tecnologia está em fase de consolidação, não tem jeito. Por mais que você se esforce e queira ter o seu jeito de estar conectado, dificilmente você escapa desses caras aqui listados em ordem alfabética:

  • Apple
  • Facebook
  • Google
  • Microsoft

Desses aí, o único que ainda não entrou no mundo do hardware, por enquanto, é o Facebook.

Dirão os mais criteriosos: Não é bem assim, afinal a Samsung vende mais smartphones do que a Apple, a Oracle tem o predomínio dos bancos de dados e é dona do Java, a maioria dos celulares ainda é da Nokia, o software aberto veio para ficar e por aí vamos…

OK, mas já tivemos milhares de fabricantes de automóveis e aviões, bancos já foram centenas de milhares mundo afora, companhias aéreas cada cidadezinha de razoável porte tinha a sua, as baguettes em Paris eram efetivamente produzidas em cada padaria, café ou restaurante, só para pegar alguns exemplos.

Na área da tecnologia, já tivemos dezenas de fabricantes de microcomputadores no Brasil. Planilhas eletrônicas, processadores de texto relevantes no mercado já superaram os dedos das mãos. Hoje em dia, a até então líder de mercado mundial de computadores (HP) anuncia que vai sair da briga dos pessoais, a Samsung esnoba o Windows Phone e considera desenvolver seu próprio sistema operacional para não ficar refém do Google com o Android. Haverá espaço?

No mercado acionário, a Apple torna-se a mais valiosa empresa de todos os tempos, ontem superando o market cap de US$ 623 bilhões, mas o Facebook aponta para uma queda livre em suas cotações, ao quebrarem para baixo o patamar de US$ 19 por ação, metade do valor de referência do IPO em maio passado. Tem gente dizendo que a empresa de Mark Zuckerberg pode em breve ser o alvo de alguma das gigantes do ramo para fusão ou aquisição.

Aliás, a Apple já sinalizou que não quer mais nada com o Google, ao retirar o Google Maps como a App padrão de buscas e flertar com uma separação amigável com o YouTube.

Para mim, parece claro que teremos, num futuro próximo, a grande guerra dos titãs digitais: Apple e Google. Serão esses caras o duopólio a bater?

Enquanto essa pergunta fica no ar ou mesmo perde relevância, posso afirmar que hoje, no mundo digital, dificilmente escapamos de estar atrelados a um dos quatro que listei no início desta postagem. Mesmo que estejamos tuitando via Blackberry.

Falando nisso, onde estão aquelas reuniões de executivos top de linha onde todos usavam Blackberry? Para mim, isso já é passado. Nem nos congestionados portões de embarque de nossos aeroportos o outrora onipresente smartphone tem espaço.

É, meus amigos… mesmo com toda a mudança vertiginosa que o mundo digital nos oferece, mesmo com a quantidade enorme de startups onde algumas valem 1 bilhão de dólares pouco depois de começar as operações, pode ser que estejamos chegando a uma indústria madura, dominada por poucos.

Anatel briga com as operadoras: E nós, como ficamos?

Nessa briga da Anatel com as operadoras, nós, consumidores, só temos desvantagens:

Minha entrevista sobre o tema na CBN Curitiba.

 

 

O Velhinho de 5 Anos Que Mudou o Mundo

Imagem Há exatos 5 anos, a Apple definitivamente mudou o mundo como o conhecíamos, com o lançamento do iPhone. Como diz o Mashable Tech, ele ainda é sexy depois de todos esses anos

E aqui estão os dois lados de quem pretende analisar o passado e prever o futuro, nesse mundo alucinante da tecnologia: o lado bom é que você presencia muitos ciclos relevantes de transformação (você já listou quantos você já conheceu?); o lado ruim é que não dá para prever e garantir a credibilidade que os oráculos de outras áreas tinham, pois quando foram demonstrados seus erros de previsão, eles estavam, via de regra, devidamente mortos por decurso de prazo.

Mas é interessante ler as primeiras avaliações do iPhone para ver como mesmo os mais profundos conhecedores do mundo digital estavam ou pessimistas demais ou conservadores demais. Ninguém imaginou, por exemplo:

  • O conceito predominante de smartphone nascia ali, embora muitos celulares já transcendessem o simples falar + mandar torpedos;
  • A tela sensível ao toque já existia em muitos produtos que não colaram, salvo o recente iPod Touch, da própria Apple, que inovou na parte de gestão e compra de conteúdo musical;
  • A própria Apple teve um componente de defesa de território ao lançar o que foi exaustivamente chamado de um Ipod Touch que fala e tira fotos;
  • A Apple vendia ainda a imagem de Steve Jobs, mas se alguém fizesse uma boa pesquisa de mercado, a associação da marca ainda seria dominada pelos Mac, nas suas versões laptop e desktop.

E como estamos hoje, 5 anos depois?

  • 250 milhões de iPhones vendidos
  • Comparando o 2º trimestre de 2007 que antecedeu ao lançamento do iPhone com o 2º trimestre de 2012, as vendas da Apple subiram de US$ 6 bi para US$ 39 bi
  • O iPhone responde por 58% disso
  • Descontados desse total as vendas de iPhone, iPad e vendas pelsa iTunes e App Stores, o crescimento no faturamento foi mais do que chinfrim, comparando com o resto da indústria
  • Em faturamento no 2º trimestre de 2012, só com o iPhone, a Apple faturou 30% mais do que a Microsoft, mais do dobro do que a Coca-Cola e 2,4 vezes mais do que a Disney
  • Se olharmos todos os smartphones que usam os mesmo conceitos do iPhone, vemos que a Apple sozinha tem por volta de 1/3 do mercado, ou seja, estamos num mundo que tem vendas de algo como US$ 500 bilhões/ano e que nem existia em 2007
  • Enquanto isso, Nokia e RIM (BlackBerry) lutam pelo amanhã sem grandes perspectivas de vida autônoma.

E três anos depois veio o iPad, mais um estrondoso sucesso que muitos diziam que seria um fracasso, pois quem iria querer um iPhonão gigante que nem fala? Hoje o iPad, em vendas, é o dobro da Apple em 2007 e igual à Coca-Cola de 2012. Mas isso é tema para uma próxima postagem.

OK, você pode até não gostar nem da Apple nem do iPhone. Mas avalie o que mudou na vida de muitos de nós. E pense o que as novidades que estão pintando ainda podem transformar nosso mundinho. Veja o Google Glass, aqui apontado em uma postagem anterior. Veja seu literal lançamento de paraquedas, bike e corrida, esta semana em San Francisco. Não faça nada, só veja o vídeo e reflita.

Pode ser nada, pode ser tudo…

Google Glass: a melhor apresentação da internet até hoje

Quem não viu, tem mais é que ver como o Sergei Brin, do Google, apresentou o futurista Google Glass esta semana no Moscone Center, em San Francisco.

Realmente, a turma da Apple podia dormir sem essa…

Vejam a matéria do Tech Crunch e o video do YouTube

Novo tablet no mercado: o Surface da Microsoft; Julian Assange pede asilo no Equador

Ouça a entrevista deste blogueiro na CBN sobre o lançamento do Surface, o novo tablet da Microsoft, que pretende bater de frente com o iPad da Apple e o pedido de asilo do Julian Assange, do Wikileaks, ao Equador:

http://cbncuritiba.com.br/site/texto/noticia/Entrevista/7032

Facebook quer ser a sua web – e de todos os outros humanos também

Ouça a entrevista deste blogueiro na CBN em http://cbncuritiba.com.br/site/texto/noticia/Entrevista/7120

Hardware X Hardware X Hardware X Hardware

ImagemEnquanto escrevo este post, o Google revela na California seu novo tablet, o Nexus 7. Com o novo sistema operacional Android 4.1 Jelly Bean, promete criar forte concorrência tanto ao iPad quanto ao Kindle, da Amazon.

Com tela de 7″ de alta definição, vem com 8GB ($199) e 16GB ($249), e é muito bem projetado, vem com conexão HDMI, permite a expansão da capacidade de arquivamento através de um opcional e intercambiável cartão SD.

Semana passada, a Microsoft lançou o Surface, com tela um pouco maior que a do iPad, mas rodando o Office pleno e com um engenhoso teclado embutido na capa.

Tudo muito bom se a Apple não tivesse uma generosa dianteira em relação a todos os demais, e se tanto o Google quanto a Microsoft não tivessem embasado suas estartégias iniciais em parcerias com fabricantes de hardware. Agora, quem comprou algum tablet com Android ou Windows Phone vai se sentir micado, e com razão.

Os bastidores do Silicon Valley aventam, também, a hipótese do lançamento de um smartphone do Facebook, o que leva fatalmente ao passo seguinte: por quê não um Facebook Tablet?

E esses são os quatro gigantes do mundo digital desta segunda década do século 21: Apple, Facebook, Google e Microsoft. Não por acaso, a única que aposta forte em uma arquitetura quase que totalmente fechada é a Apple.

Configurado esse cenário, a batalha que definirá o fina da guerra pelo predomínio no mundo digital será travado no campo do hardware.

E aí, será que esses movimentos tectônicos são bons para nós?

Fim da Tendinite?

Essas geringonças digitais que possuem mouse, controle remoto ou teclado são a alegria dos neurologistas, ortopedistas e fisioterapeutas: Muito uso, má postura ou uma associação de ambos é tendinite na certa, só para ficar no incômodo mais comum.

Mas podemos ter esperanças de que as coisas mudem!

Minha percepção indica que podemos estar caminhando para o fim, ou na pior hipótese, para a minimização do uso dessas interfaces antinaturais.

Dia desses estava em uma loja dessas de shoppping, onde vi uma demonstração de um desses novos televisores espertos (cada marca tem seu nome, então uso uma denominação genérica), com direito a test-drive dos curiosos.

Esse aparelho, com tela lá pela beira das 50″, tinha sensor de movimento e reconhecimento de voz, e uma senhora nos seus sessenta, setenta e algo de idade mexia braços e mãos e falava com ele.

Dava para ver que ela (a senhora) não era das mais íntimas com dispositivos digitais, mas ia sem muito constragimento se iniciando nas maravilhas que o televisor -e o vendedor- prometiam.

Fiquei observando o ritual, e depois de uns 30 minutos vi que a venda acabava de ser feita, tão logo o marido chegou com o cartão de crédito.

Não resisti e fui perguntar ao casal qual a lógica da decisão de compra.

Ela: “Eu não aguentava mais o controle remoto para buscar o que queria, e agora posso só apontar para a TV e ela me obedece. Ou então mandá-la fazer o que quero”

Ele: “Ela quer mandar na TV assim como manda em mim”

Ela: “Tomara que a TV me obedeça, porque com você eu mando e você me ignora!”

Ele: “Mas eu tenho dúvidas se isso aí vai funcionar que nem na demonstração. O que eu queria mesmo era uma TV de alta definição e 3D, mas não sei como fica quando ela der uma ordem e eu não concordar. A TV obedece a quem??”

Ela: “Você ainda duvida, João*?”

Ali acabaram minhas dúvidas. Se antes, com os smartphones e tablets tomando de assalto a novíssima geração que não precisa mais de manual do usuário, agora podemos ter um novo nível de inclusão digital justamente naquela faixa dos resistentes à tecnologia, como o casal que conheci na loja.

Conversando com eles com mais calma, enquanto o pós-venda se perdia com a burocracia, acabei sabendo que eles são do tempo do videocassete que sempre ficava com o relógio piscando nas 12:00, porque eles não conseguiam ajustar. Mesmo quando a filha mostrava como fazer, já naquela época -meados dos anos 80- o dito cujo só servia para exibir fitas da videolocadora. Gravar programas de TV aberta, nem pensar!

Será que eles conseguirão se adaptar à nova maravilha da tecnologia? Ou eles acabarão se rendendo ao controle remoto, que vem junto?

Para mim, isso é irrelevante. O que parece ser inevitável é a chegada, para valer, do reconhecimento de gestos, voz e imagens, também pelos aparelhos de entretenimento doméstico. Daí para termos os eletrodomésticos conversando conosco é um passo.

Mas aí será necessário preparar os médicos, para evitar que encaminhem direto ao psiquiatra um paciente que afirma falar com o televisor e com a geladeira.


Afinal, pode ser uma pessoa muito saudável, não só da cabeça. Pode também não ter tendinite. 

*nome fictício

Fartura Digital

Você já parou para pensar nos recursos digitais disponíveis hoje em dia? Vamos fazer uma listinha, só para aquecer o dia frio:

  • Computador de mesa com acesso a banda bem larga
  • Laptop incrementado e leve que carrega junto seu escritório
  • Tablet para com centenas de Apps, dezenas de vídeos, livros, jornais e revistas e milhares de fotos, e músicas
  • Smartphone que nem o tablet, só que você de vez em quando usa para falar
  • Câmera fotográficas
  • Filmadora de alta definição
  • GPS no carro, para não se importar em decorar trajetos e complicados nomes de ruas
  • TV de alta definição, com centenas de canais, serviços de video on demand, pay-per-view e conectada a internet
  • Players de BluRay e DVD
  • Rede local para juntar as engenhocas
  • HDs externos de vários Terabytes para armazenar arquivos
  • Serviços de cloud (nuvem) para disponibilização de fotos, videos, arquivos de trabalho, agendas

Faltou algo? Com certeza, mas essa é uma amostra padrão, sem contar que, na maioria dos casos, você pode ter para si ou para sua família múltiplos dispositivos ou serviços listados acima. Como explicar, por exemplo, a relação de 1,5 linhas de celular habilitadas para cada habitante por esse Brasilzão afora?

 

Você já parou para contar quantas fotos digitais estão em seus arquivos? E destas, quantas você deixou para organizar mais tarde?

 

E as redes sociais, você deve estar em no mínimo duas, mas seus amigos ficam pedindo para você se juntar a outras, talvez igualmente atraentes. Dentro das redes sociais, os pedidos para aplicativos que você acha bom, adere e depois esquece? Quantos pedidos de calendários você recebeu no Facebook, quantos programas de TV você pode ter gravado e nunca visto? Ainda na TV, quantos canais da assinatura que você paga você jamais viu, ou até assistiu um ou outro programa, achou bom e prometeu voltar e esqueceu?

Sua filmadora ou câmera digital fica esquecida no armário, por conta da praticidade do smartphone? Você não está só!

E quando você se lembra de um evento, de um local ou de uma pessoa que você fez um registro especial, mas não lembra em qua dispositivo ou onde você armazenou? Ou então publicou um video no YouTube e não se lembra mais dele?

Pois é, você não está só! Esse tipo de comentário é recorrente nos papos sobre o mundo digital, versão 2012. E deve permanecer assim por algum tempo.

Mais tarde, dentro de um par de anos, quem sabe, começará a ficar clara a tendência de concentração em cima de plataformas de hardware, software e serviços de uso amplo. Explico: Se o Facebook não for lider de mercado em 2014, um sucedâneo seu será. Os dispositivos móveis não terão mais do que três sabores diferentes de sistema operacional, ficando os outros em nichos de mercado ou em estudos de laboratórios que estudam exotismos.

Nada diferente do que já ocorreu com carros, aviões, cinema, aplicativos tipo ERP, CRM e assemelhados.

Assim, talvez seja hora de você começar a fazer suas opções. Por exemplo, defina quais redes sociais você efetivamente participará e avise seus amigos que as outras estão fora de seu radar; faça uma limpeza das Apps que poluem o visual de seu smartphone ou tablet e que você não mais usará, que nem a gente faz -ou deveria fazer- com gavetas e prateleiras de armários de roupa.

Essa fartura digital de 2012 me faz lembrar aqueles resorts muito charmosos ou os super navios de cruzeiro, com seus monumentais buffets e serviços de comes e bebes nos intervalos. No começo, haja elasticidade do estômago e capacidade de processamento do fígado e rins. Depois, é hora de selecionar e comer e beber o essencial, ou então não aproveitamos o resto.

Os limites da internet

Os limites de segurança, de liberdade e de privacidade da internet sempre são objeto de discussões, de iniciativas de imposição de limites, das diferenças entre a internet e outros canais de comunicação.

Dos fechadíssimos Irã, Coréia do Norte e Cuba às comunidades anárquicas que pregam o “pode tudo”, passando pelo controverso WikiLeaks, O fato é que, com 1/3 da humanidade conectada principalmente através das redes sociais, aplicativos como o Google Maps e o Instagram fazem a festa dos que negam controles, restrições, censura.

No plano internacional, uma postagem no Twitter de uma rádio no Afeganistão quebrou o forte sigilo que a segurança de Barack Obama fez durante sua viagem a Kabul, neste 1° de maio. Assim que o Air Force 1 pousou na base militar americana o Twitter anunciou a chegada de Obama.

Seguiram-se desmentidos oficiais, logo tendo que ser des-desmentidos pelas autoridades. Mas a viagem secreta de Obama vazou…

No plano local, o ex governador Anthony Garotinho deitou e rolou com fotos e vídeos comprometedores de festas em restaurantes e cassinos caríssimos tendo como personagem principal seu ex-aliado e adversário preferido, o governador Sérgio Cabral.

Sem internet, nenhum desses eventos teria repercussão. Com ela, os eventos repercutidos dependem cada vez menos de seus criadores e muito mais das conexões da rede.

O quê fazer, se um caso pode impactar com a segurança do lider maior da potência maior e o outro pode mostrar a inconveniência maior de atitudes menores em detrimento de bens comuns, como a decIencia e o dinheiro público?

Para os defensores de um big brother centralizador e, de outro lado, os pregadores da liberdade total, uma boa e uma má notícia:

A internet, como toda inovação que transforma as relações humanas e ganha adoção em massa, terá algum tipo de regulação.

Essa regulação não será nem tão forte que dará gozo aos Kim-Jong da vida nem será frouxa demais que deixaria o Julian Assange, criador do WikiLeaks bradar “eu estava certo!”

Dependendo de quem as lê, a notícia boa e a ruim podem ser uma ou outra, assim fica livre à interpretação de cada um.