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>Compras pela internet: Cuidado com as entregas!

>Lá na Lapônia, ou onde quer que seja sua casa, Papai Noel está colocando a turma para trabalhar nas encomendas dos presentes e fazendo a revisão do trenó e das renas, para enfrentar a maratona de entrega nas casas de todo o mundo.


Espera aí: Mas todas as entregas vão ser feitas por Papai Noel? Nem todas… As compras pela internet dependem da logística das empresas de entrega ou dos Correios, e neste Natal de 2010 as vendas pela internet devem crescer uns 40%. E…
E aí que suas preocupações devem estar focadas este ano. Mesmo com o aprimoramento dos processos logísticos, estamos com nossa infraestrutura no talo, sem margens para erros ou imprevistos. No dia que faço esta postagem, a Anac proíbe a TAM de vender passagens novas para voos até o final da semana, dado o mini-apagão desta segunda, 29/11, que fez com que mais de 100 voos seus tenham sido cancelados.
E é bom lembrar que a alta temporada de festas sequer começou e que aviões transportam muita carga, em especial as encomendas urgentes.
Assim, se você quer dar um bom presente aos que você ama (você incluido) e aos que você –noblesse oblige– precisa, e pretende usar a internet para essas compras, cuidado! Eu, se fosse você, adotaria as seguintes margens de segurança:
  • De hoje até 10 de dezembro,  dobraria o prazo em relação ao prometido de entrega pela empresa vendedora;
  • De 11 a 17 de dezembro, eu dobraria de novo a margem, o que, à medida em que o tempo passa, acaba limitando compras a situações onde o vendedor promete entregar no máximo em um ou dois dias úteis.
  • De 18 de dezembro em diante, eu ou pensaria em encarar aqueles shoppings lotados ou prepararia uma boa desculpa preventiva com os potenciais presenteados, dizendo que o presente depois do Natal será melhor curtido ou coisa que o valha.
Eu já cansei de, todo ano, ver na TV, ouvir no rádio e ler em jornais, revistas e na internet sobre os problemas de entrega em cima da hora, nessa época de festas. E, com vendas crescendo 40% ao ano, mais a infraestrutura pedindo água, a certeza de uma dor de cabeça fica óbvia, caso cuidados adicionais não sejam tomados.
No sábado, 4/11, vou debater na CBN Curitiba sobre quais as melhores opções de presentes digitais para este Natal. Já estou pensando no assunto e, durante a semana, espero fazer algumas postagens que sinalizem aquilo que tenho observado.
Mas, para realmente poder colaborar, comecei por essa dica: se for comprar pela internet, comece já. Afinal, você não quer se sentir mal e levar tristeza aos presenteados em potencial.
Até porque existe uma perspectiva de um Natal quentíssimo em vendas, e pode ocorrer que aquilo que você pretenda comprar esteja em falta, mais para frente.
Está dada a primeira dica!

Compras pela internet: Cuidado com as entregas!

Lá na Lapônia, ou onde quer que seja sua casa, Papai Noel está colocando a turma para trabalhar nas encomendas dos presentes e fazendo a revisão do trenó e das renas, para enfrentar a maratona de entrega nas casas de todo o mundo.


Espera aí: Mas todas as entregas vão ser feitas por Papai Noel? Nem todas… As compras pela internet dependem da logística das empresas de entrega ou dos Correios, e neste Natal de 2010 as vendas pela internet devem crescer uns 40%. E…
E aí que suas preocupações devem estar focadas este ano. Mesmo com o aprimoramento dos processos logísticos, estamos com nossa infraestrutura no talo, sem margens para erros ou imprevistos. No dia que faço esta postagem, a Anac proíbe a TAM de vender passagens novas para voos até o final da semana, dado o mini-apagão desta segunda, 29/11, que fez com que mais de 100 voos seus tenham sido cancelados.
E é bom lembrar que a alta temporada de festas sequer começou e que aviões transportam muita carga, em especial as encomendas urgentes.
Assim, se você quer dar um bom presente aos que você ama (você incluido) e aos que você –noblesse oblige– precisa, e pretende usar a internet para essas compras, cuidado! Eu, se fosse você, adotaria as seguintes margens de segurança:
  • De hoje até 10 de dezembro,  dobraria o prazo em relação ao prometido de entrega pela empresa vendedora;
  • De 11 a 17 de dezembro, eu dobraria de novo a margem, o que, à medida em que o tempo passa, acaba limitando compras a situações onde o vendedor promete entregar no máximo em um ou dois dias úteis.
  • De 18 de dezembro em diante, eu ou pensaria em encarar aqueles shoppings lotados ou prepararia uma boa desculpa preventiva com os potenciais presenteados, dizendo que o presente depois do Natal será melhor curtido ou coisa que o valha.
Eu já cansei de, todo ano, ver na TV, ouvir no rádio e ler em jornais, revistas e na internet sobre os problemas de entrega em cima da hora, nessa época de festas. E, com vendas crescendo 40% ao ano, mais a infraestrutura pedindo água, a certeza de uma dor de cabeça fica óbvia, caso cuidados adicionais não sejam tomados.
No sábado, 4/11, vou debater na CBN Curitiba sobre quais as melhores opções de presentes digitais para este Natal. Já estou pensando no assunto e, durante a semana, espero fazer algumas postagens que sinalizem aquilo que tenho observado.
Mas, para realmente poder colaborar, comecei por essa dica: se for comprar pela internet, comece já. Afinal, você não quer se sentir mal e levar tristeza aos presenteados em potencial.
Até porque existe uma perspectiva de um Natal quentíssimo em vendas, e pode ocorrer que aquilo que você pretenda comprar esteja em falta, mais para frente.
Está dada a primeira dica!

>No Brasil, faça como os Búlgaros

>Durante o segundo turno das eleições brasileiras de 2010, um tema que ganhou alguma notoriedade, embora com pouca importância nos debates, foi a origem búlgara da então candidata, hoje presidente eleita Dilma Roussef.

Circularam pela web até informações falsas sobre seu passado, e isso me despertou alguma curiosidade. Aí eu procurei no Google por jornais búlgaros, inclusive os que supostamente a acusavam de ter nascido na Bulgária, logo seria inelegível para um cargo reservado a brasileiros natos. Eu até brinquei com o tradutor do Google e postei no Twitter que Дилма Русеф – със силен мандат, но я смятат за “автопилота на Лула” http://www.dnevnik.bg/985814/ via @Dnevnik, na segunda feira após a vitória de Dilma, ou Dilmano Rousseff – com um mandato forte, mas como “piloto automático Lula” http://www.dnevnik.bg/985814. Até aí, bricadeira pura, mas serviu ao menos para me mostrar que o Google Translate está melhorando, embora possa melhorar muito mais.*

Aí fui ver a edição em inglês do jornal Bulgaria Gazette e achei uma postagem de 2009 que comentava a melhoria da qualidade dos serviços de internet banda larga lá, chegando perto da Coréia do Sul e ganhando de Lituânia, Suécia e Romênia. Aí eu postei um comentário no site, pedindo mais informações sobre o relatório que gerou a notícia e as respectivas fontes. Claro que dei uma tuitada sugerindo à presidente eleita que procurasse se informar do tema, até antes de tomar posse, pois, numa dessas, até poderíamos tentar aprimorar nossa banda larga tupiniquim, que deixa muita gente irritada com a qualidade e de bolsos vazios pagando as faturas.


Feita a provocação, segui cuidando da vida até que recebi uma resposta do administrador, no mesmo dia, dizendo o seguinte (vai mesmo em inglês):


admin said:

Hello,
Obviously, this article is somewhat old. However, there is a more recent information about the subject, which came out just a couple of weeks ago, in the third annual broadband study by CISCO systems and the Oxford university. A link to the article:
http://newsroom.cisco.com/dlls/2010/prod_101710.html
The basic conclusion is that Bulgaria, while not topping the charts in terms of absolute numbers, is one of the countries with the most improvement in broadband quality compared to previous years, especially among it’s direct competitors in the group of the developing economies or as mentioned in the article: “topping the list of the Efficiency-driven economies”.
I personally cannot complain at all about the Internet quality since a couple of years already. I live in one of the major bulgarian cities and have a cable Internet, but DSL Internet is available almost anywhere, even in small villages.

Indo ao link da pesquisa da Cisco/Universidade de Oxford acima, vemos que houve um aumento da qualidade global da banda larga de 24% este ano, comparado com 2009. E que são hoje 14 países prontos para as “aplicações da internet de amanhã”, tais como TV de alta definição via web e serviços de videocomunicações de alta qualidade (telepresença para o consumidor) devem estar em alta dentro de poucos anos. E são esses os países, em ordem decrescente de avanço: Coréia do Sul, Japão, Letônia, Suécia, Bulgária, Finlândia, Romênia, Lituânia, Holanda, Hong Kong, Alemanha, Portugal, Dinamarca e Islândia. Esse ranking compara com apenas 9 países em 2009 e só o Japão 2008. O estudo deixa claro, todavia, que Letônia, Bulgária, Romênia e Lituânia têm taxas de penetração de banda larga bem menores que os demais. Vale a pena dar uma fuçadinha nesse bem estruturado estudo…

Aos que querem justificar nossa não presença na lista, não faltam argumentos: Nenhum país dos Bric (Brasil, Russia, Índia e China) estão lá e eles têm em comum o alto crescimento, enormes extensões geográficas e populações imensas. O mesmo se aplicaria aos Estados Unidos e Canadá, exceto pelo recente falta de crescimento das economias de ambos e a população pequena do Canadá, se não contarmos ursos polares e focas.
Mas, pensando 10, 20 anos para frente, eu temo que nossas discussões acadêmicas e políticas, e as iniciativas quixotescas de ampliar quantidade de acessos de banda larga, sem se preocupar com qualidade e velocidade disponíveis em escalas cada vez maiores sejam tão somente os panos de fundo para um potencial freio nessa fase boa de crescimento que vive o Brasil.
Numa sociedade do conhecimento, ter acesso de banda larga de qualidade e a preços acessíveis é uma das premissas básicas para caminhar ao sucesso.
Um dos problemas que temos é que sempre nos colocamos em comparação com as chamadas nações desenvolvidas, de primeiro mundo.
Numa dessas, com a era Dilma Rousseff se aproximando em janeiro, poderemos aprender com o simpático país do leste europeu, que até por laços familiares de nossa futura presidente, poderemos chamar de país irmão e, humildemente, aprender o bom caminho.
Vou seguir estudando o assunto da banda larga na Bulgária… O que era uma curiosidade meramente intelectual despertou em mim a vontade de entender com mais profundidade o que ocorre por lá.



* Um teste que fiz foi pegar o texto original em búlgaro, vertê-lo para o inglês e depois passar ao português para finalmente voltar ao búlgaro. Resultado: entrada = saída, coisa impensável há um ano atrás.

No Brasil, faça como os Búlgaros

Durante o segundo turno das eleições brasileiras de 2010, um tema que ganhou alguma notoriedade, embora com pouca importância nos debates, foi a origem búlgara da então candidata, hoje presidente eleita Dilma Roussef.

Circularam pela web até informações falsas sobre seu passado, e isso me despertou alguma curiosidade. Aí eu procurei no Google por jornais búlgaros, inclusive os que supostamente a acusavam de ter nascido na Bulgária, logo seria inelegível para um cargo reservado a brasileiros natos. Eu até brinquei com o tradutor do Google e postei no Twitter que Дилма Русеф – със силен мандат, но я смятат за “автопилота на Лула” http://www.dnevnik.bg/985814/ via @Dnevnik, na segunda feira após a vitória de Dilma, ou Dilmano Rousseff – com um mandato forte, mas como “piloto automático Lula” http://www.dnevnik.bg/985814. Até aí, bricadeira pura, mas serviu ao menos para me mostrar que o Google Translate está melhorando, embora possa melhorar muito mais.*

Aí fui ver a edição em inglês do jornal Bulgaria Gazette e achei uma postagem de 2009 que comentava a melhoria da qualidade dos serviços de internet banda larga lá, chegando perto da Coréia do Sul e ganhando de Lituânia, Suécia e Romênia. Aí eu postei um comentário no site, pedindo mais informações sobre o relatório que gerou a notícia e as respectivas fontes. Claro que dei uma tuitada sugerindo à presidente eleita que procurasse se informar do tema, até antes de tomar posse, pois, numa dessas, até poderíamos tentar aprimorar nossa banda larga tupiniquim, que deixa muita gente irritada com a qualidade e de bolsos vazios pagando as faturas.


Feita a provocação, segui cuidando da vida até que recebi uma resposta do administrador, no mesmo dia, dizendo o seguinte (vai mesmo em inglês):


admin said:

Hello,
Obviously, this article is somewhat old. However, there is a more recent information about the subject, which came out just a couple of weeks ago, in the third annual broadband study by CISCO systems and the Oxford university. A link to the article:
http://newsroom.cisco.com/dlls/2010/prod_101710.html
The basic conclusion is that Bulgaria, while not topping the charts in terms of absolute numbers, is one of the countries with the most improvement in broadband quality compared to previous years, especially among it’s direct competitors in the group of the developing economies or as mentioned in the article: “topping the list of the Efficiency-driven economies”.
I personally cannot complain at all about the Internet quality since a couple of years already. I live in one of the major bulgarian cities and have a cable Internet, but DSL Internet is available almost anywhere, even in small villages.

Indo ao link da pesquisa da Cisco/Universidade de Oxford acima, vemos que houve um aumento da qualidade global da banda larga de 24% este ano, comparado com 2009. E que são hoje 14 países prontos para as “aplicações da internet de amanhã”, tais como TV de alta definição via web e serviços de videocomunicações de alta qualidade (telepresença para o consumidor) devem estar em alta dentro de poucos anos. E são esses os países, em ordem decrescente de avanço: Coréia do Sul, Japão, Letônia, Suécia, Bulgária, Finlândia, Romênia, Lituânia, Holanda, Hong Kong, Alemanha, Portugal, Dinamarca e Islândia. Esse ranking compara com apenas 9 países em 2009 e só o Japão 2008. O estudo deixa claro, todavia, que Letônia, Bulgária, Romênia e Lituânia têm taxas de penetração de banda larga bem menores que os demais. Vale a pena dar uma fuçadinha nesse bem estruturado estudo…

Aos que querem justificar nossa não presença na lista, não faltam argumentos: Nenhum país dos Bric (Brasil, Russia, Índia e China) estão lá e eles têm em comum o alto crescimento, enormes extensões geográficas e populações imensas. O mesmo se aplicaria aos Estados Unidos e Canadá, exceto pelo recente falta de crescimento das economias de ambos e a população pequena do Canadá, se não contarmos ursos polares e focas.
Mas, pensando 10, 20 anos para frente, eu temo que nossas discussões acadêmicas e políticas, e as iniciativas quixotescas de ampliar quantidade de acessos de banda larga, sem se preocupar com qualidade e velocidade disponíveis em escalas cada vez maiores sejam tão somente os panos de fundo para um potencial freio nessa fase boa de crescimento que vive o Brasil.
Numa sociedade do conhecimento, ter acesso de banda larga de qualidade e a preços acessíveis é uma das premissas básicas para caminhar ao sucesso.
Um dos problemas que temos é que sempre nos colocamos em comparação com as chamadas nações desenvolvidas, de primeiro mundo.
Numa dessas, com a era Dilma Rousseff se aproximando em janeiro, poderemos aprender com o simpático país do leste europeu, que até por laços familiares de nossa futura presidente, poderemos chamar de país irmão e, humildemente, aprender o bom caminho.
Vou seguir estudando o assunto da banda larga na Bulgária… O que era uma curiosidade meramente intelectual despertou em mim a vontade de entender com mais profundidade o que ocorre por lá.



* Um teste que fiz foi pegar o texto original em búlgaro, vertê-lo para o inglês e depois passar ao português para finalmente voltar ao búlgaro. Resultado: entrada = saída, coisa impensável há um ano atrás.

>Eleições Digitais 2010

>@font-face { font-family: “Times”;}@font-face { font-family: “Cambria”;}p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal { margin: 0cm 0cm 10pt; font-size: 12pt; font-family: “Times New Roman”; }div.Section1 { page: Section1; }

Embora possa correr o risco de cometer injustiças, prefiro soltar aqui minhas impressões sobre o uso e desfrute da internet e das redes sociais nessas eleições 2010, à luz de observações e do resultado dentre os principais candidatos eleitos e os que foram ao segundo turno.

A palavra que me vem à cabeça de forma recorrente é decepcionante. Esse é o adjetivo que se aplica ao todo. Eu esperava que, no primeiro turno, muitos candidatos com chances relevantes usassem as facilidades criadas pela legislação e suportadas pela tecnologia para (a) captar recursos financeiros, (b) mobilizar a militância e (c) usar as redes sociais para disseminar idéias, planos e plataformas, além de propagar as mensagens e interagir com as bases.

A realidade de um ou outro candidato, desta ou daquela região do país pode me desmentir, mas, se essas eleições fossem algo como um ENEM para classificar candidatos aptos a aproveitar o mundo digital para ganhar eleições e fazer boa política, provavelmente sobrariam vagas e as excessões confirmariam a regra.

Em 2006, a referência veio do Rio Grande do Sul, onde a jovem e então desconhecida Manuela D’Ávila elegeu-se deputada federal centrada em uma inteligente campanha feita pelo Orkut. Pois bem, em 2010, Manuela reelegeu-se com folga, quase testando a marca de 500.000 votos.  Até o momento em que escrevo essa coluna não consigo identificar casos semelhantes Brasil afora.

E os/as demais?

Marina Silva fez bonito na votação e na captação de recursos de pessoas físicas pela internet. Terão sido esses os motores principais de seus quase 20 milhões de votos? Pouco provável, mas Marina demonstrou de forma pontual como participar do pleito com apoio da tecnologia digital. Talvez ela não tivesse tantos votos, não fosse uma captação de dinheiro miudo de modo tão pulverizado e uma razoável repercussão de suas mensagens nas redes sociais e que apareceram de forma expressive em algumas medicos de tráfego.

OK, a maioria dos candidatos a cargos eletivos criou ou deu um upgrade no Twitter, tentou animar comunidades no Orkut e no Facebook, postou videos no YouTube, mas poucos, muito poucos mesmo, conseguiram estar entre os mais populares.

Tirando as postagens dos comerciais do Tiririca, talvez mais divulgados pelo inusitado do candidato e da facilidade de distribuição na web, eu não consigo fazer uma associação direta entre candidatos bem votados e uma inteligente estratégia digital de campanha.

Ah! Ia esquecendo dos chatos que entupiram caixas postais de entrada ou de spam com e-mails que replicavam os santinhos de papel e as mensagens forjadas de difamações a candidatos com alguma liderança nas pesquisas. Mas essa comunicação via e-mail eu desconsidero, por ineficaz e antiga

Já o segundo turno da campanha presidencial começou quente com a polêmica levantada sobre o aborto, gerando tráfego relevante em todas as redes sociais e quase sempre originada por não militantes partidários e muito menos dos comitês de campanhas, e isso pode ser um indicativo de rumo para o  futuro, com estratégias pautadas pelas características  específicas das autoestradas do mundo digital

Com o desenrolar do pós-campanha, com certeza surgir novos casos de sucesso. Mas não nos esqueçamos das disputas havidas entre os comitês das campanhas mais abonadas para conquistar –a peso de ouro- o concurso de colaboradores ou consultores que trabalharam nas eleições americanas de 2008, eu esperava mais. E o que vimos ficou muito longe do que deles se esperava.

Especialmente em se tratando do Brasil que sempre inova nessa area de tecnologia digital.

Qual o motivo? Vou arriscar um palpite: os marqueteiros tradicionais conseguiram impor mais do mesmo, aproveitando-se das regras do jogo, que passam pelo tal do horário eleitoral gratuito.

Eu esperava um pouco mais de presença das mídias digitais nas eleições 2010, em função do que vem ocorrendo no mundo inteiro e da quantidade de brasileiros conectados regularmente a internet, hoje já a maioria da população

Pode ser -ou é- assim que se elegem nossos representantes, com estratégias calcadas nessa legislação antiga e nas realidades do século XX.

Será melhor assim? Pode até ser, mas eu achei muito chato.

Eleições Digitais 2010

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Embora possa correr o risco de cometer injustiças, prefiro soltar aqui minhas impressões sobre o uso e desfrute da internet e das redes sociais nessas eleições 2010, à luz de observações e do resultado dentre os principais candidatos eleitos e os que foram ao segundo turno.

A palavra que me vem à cabeça de forma recorrente é decepcionante. Esse é o adjetivo que se aplica ao todo. Eu esperava que, no primeiro turno, muitos candidatos com chances relevantes usassem as facilidades criadas pela legislação e suportadas pela tecnologia para (a) captar recursos financeiros, (b) mobilizar a militância e (c) usar as redes sociais para disseminar idéias, planos e plataformas, além de propagar as mensagens e interagir com as bases.

A realidade de um ou outro candidato, desta ou daquela região do país pode me desmentir, mas, se essas eleições fossem algo como um ENEM para classificar candidatos aptos a aproveitar o mundo digital para ganhar eleições e fazer boa política, provavelmente sobrariam vagas e as excessões confirmariam a regra.

Em 2006, a referência veio do Rio Grande do Sul, onde a jovem e então desconhecida Manuela D’Ávila elegeu-se deputada federal centrada em uma inteligente campanha feita pelo Orkut. Pois bem, em 2010, Manuela reelegeu-se com folga, quase testando a marca de 500.000 votos.  Até o momento em que escrevo essa coluna não consigo identificar casos semelhantes Brasil afora.

E os/as demais?

Marina Silva fez bonito na votação e na captação de recursos de pessoas físicas pela internet. Terão sido esses os motores principais de seus quase 20 milhões de votos? Pouco provável, mas Marina demonstrou de forma pontual como participar do pleito com apoio da tecnologia digital. Talvez ela não tivesse tantos votos, não fosse uma captação de dinheiro miudo de modo tão pulverizado e uma razoável repercussão de suas mensagens nas redes sociais e que apareceram de forma expressive em algumas medicos de tráfego.

OK, a maioria dos candidatos a cargos eletivos criou ou deu um upgrade no Twitter, tentou animar comunidades no Orkut e no Facebook, postou videos no YouTube, mas poucos, muito poucos mesmo, conseguiram estar entre os mais populares.

Tirando as postagens dos comerciais do Tiririca, talvez mais divulgados pelo inusitado do candidato e da facilidade de distribuição na web, eu não consigo fazer uma associação direta entre candidatos bem votados e uma inteligente estratégia digital de campanha.

Ah! Ia esquecendo dos chatos que entupiram caixas postais de entrada ou de spam com e-mails que replicavam os santinhos de papel e as mensagens forjadas de difamações a candidatos com alguma liderança nas pesquisas. Mas essa comunicação via e-mail eu desconsidero, por ineficaz e antiga

Já o segundo turno da campanha presidencial começou quente com a polêmica levantada sobre o aborto, gerando tráfego relevante em todas as redes sociais e quase sempre originada por não militantes partidários e muito menos dos comitês de campanhas, e isso pode ser um indicativo de rumo para o  futuro, com estratégias pautadas pelas características  específicas das autoestradas do mundo digital

Com o desenrolar do pós-campanha, com certeza surgir novos casos de sucesso. Mas não nos esqueçamos das disputas havidas entre os comitês das campanhas mais abonadas para conquistar –a peso de ouro- o concurso de colaboradores ou consultores que trabalharam nas eleições americanas de 2008, eu esperava mais. E o que vimos ficou muito longe do que deles se esperava.

Especialmente em se tratando do Brasil que sempre inova nessa area de tecnologia digital.

Qual o motivo? Vou arriscar um palpite: os marqueteiros tradicionais conseguiram impor mais do mesmo, aproveitando-se das regras do jogo, que passam pelo tal do horário eleitoral gratuito.

Eu esperava um pouco mais de presença das mídias digitais nas eleições 2010, em função do que vem ocorrendo no mundo inteiro e da quantidade de brasileiros conectados regularmente a internet, hoje já a maioria da população

Pode ser -ou é- assim que se elegem nossos representantes, com estratégias calcadas nessa legislação antiga e nas realidades do século XX.

Será melhor assim? Pode até ser, mas eu achei muito chato.

>De como jogar 534 anos no lixo

>

O escriba aqui está irado! Ontem foi dia de pagar o licenciamento anual de veículo, coisa que antes era simples: checar o Renavam na internet, emitir a guia, ou recebê-la pelo correio e pagar na rede bancária, tanto na agência como pela rede mundial de computadores. Tecnologia a serviço do contribuinte, do Estado e do órgão gestor dessas coisas que ajudam a fazer com que trabalhemos 5 meses por ano para pagar a tal da carga tributária.

Agora não é mais assim, aqui no Paraná… Os leitores do blog que residem em outros Estados ou países vão rolar de rir, mas a coisa funciona assim:

  1. O Detran emite uma correspondência ao proprietário comunicando a necessidade de pagar o licenciamento e o seguro obrigatório para um determinado veículo, placas tal e Renavam tal, com os valores e data de vencimento informados.
  2. Para efetuar o pagamento (transcrevo parte do comunicado oficial), emitir nos caixas de auto-atendimento do Banco do Brasil o “protocolo para pagamento on-line”, informando o número do Renavam que consta do documento do veêculo e dirigir-se ao caixa para pagamento. Só pode ser pago no Banco do Brasil ou correspondentes autorizados.
  3. Aí o motorista entra na sala dos caixas e tem de pegar uma senha e esperar. Mais um papel e mais tempo, seguranças à espreita de possíveis criminosos que estejam usando celulares na agência, que aqui em Curitiba é proibido por lei, sim, isso mesmo… 
  4. Consolo: soube que não estamos sós, existem cidades onde é proibido usar celular na agência bancária, até para evitar sequestros relâmpagos de clientes marcados por marginais que avisam seus comparsas para que os peguem na saída com bolsos ou bolsas fornidas de reais. Proibir celular, tudo bem, prender bandido é secundário.
  5. Como efeito colateral, os funcionários das agências também estão proibidos de usar celular dentro de suas instalações. Ou seja, impede-se de usar o termômetro em vez de cuidar da febre, que é a onda de criminalidade que assola o país.
  6. Depois de estourados todos os prazos previstos em lei e o prescrito no Código de Defesa do Consumidor,  é hora de sair da agência e tentar tirar o carro do estacionamento lotado, claro que só depois de pagar a estada, de mais de uma hora.
  7. E aí, de volta ao trânsito caótico, que poderia ter muitos carros a menos, não fosse a exigência absurda que campeia aqui no Paraná, de só poder pagar os valores devidos ao governo do Estado em um só banco.

Em 2009, o Paraná tinha exatos 4.683.631 veículos licenciados, ou quase 1 veículo para cada 2 habitantes. Começa aí uma insidiosa discriminação do governo estadual, ao concentrar os pagamentos e uma pressão desnecessária sobre o Banco do Brasil que, mesmo remunerado adequadamente pelo serviço prestado, recebe um aumento de tráfego de pessoas em suas agências que, com certeza, prejudica os clientes que lá estão para tratar de outros assuntos.

Em tempo de internet banking, quando as transações pela rede já superam as convencionais, voltar ao passado por conta de uma briga ideológica é um atentado à paciência do cidadão/contribuinte.

Nem dá mais para usar o surrado argumento que diz que o carro é coisa de elite, de rico. Não mais, onde a maioria dos adultos que aqui residem têm carro. Facilitar sua vida é preciso.

Mesmo na hipótese da manutenção do contrato de arrecadação com o Banco do Brasil, nada contra, desde que fosse possível a qualquer cidadão pagar pela internet, ou usando a tradicional ficha de compensação.

Mas não é assim aqui na terra das (poucas) araucárias. Um ex-governador que brigou com todo mundo, inclusive com os bancos, exige um processo absolutamente fora da realidade do ano de 2010. E as coisas ficam assim, e ninguém reclama!

Pois bem, eu reclamo! E tomara que o próximo governador comece revogando essa aberração, onde todos perdem. Usar os recursos da tecnologia para fazer os processos fluirem melhor não custa nada, retira muito CO2 da atmosfera ao eliminar viagens desnecessárias e economiza, no mínimo, 5 milhões de hora/ano dos motoristas, fazendo uma conta simples: 1 hora/carro, contando o tempo de deslocamento e espera. Dividindo por 24 horas de um dia, temos  195.151 dias jogados fora, que, transformados em anos, dá algo como 534 anos no lixo, mais de meio milênio.

Eta birrinha cara!

De como jogar 534 anos no lixo

O escriba aqui está irado! Ontem foi dia de pagar o licenciamento anual de veículo, coisa que antes era simples: checar o Renavam na internet, emitir a guia, ou recebê-la pelo correio e pagar na rede bancária, tanto na agência como pela rede mundial de computadores. Tecnologia a serviço do contribuinte, do Estado e do órgão gestor dessas coisas que ajudam a fazer com que trabalhemos 5 meses por ano para pagar a tal da carga tributária.

Agora não é mais assim, aqui no Paraná… Os leitores do blog que residem em outros Estados ou países vão rolar de rir, mas a coisa funciona assim:

  1. O Detran emite uma correspondência ao proprietário comunicando a necessidade de pagar o licenciamento e o seguro obrigatório para um determinado veículo, placas tal e Renavam tal, com os valores e data de vencimento informados.
  2. Para efetuar o pagamento (transcrevo parte do comunicado oficial), emitir nos caixas de auto-atendimento do Banco do Brasil o “protocolo para pagamento on-line”, informando o número do Renavam que consta do documento do veêculo e dirigir-se ao caixa para pagamento. Só pode ser pago no Banco do Brasil ou correspondentes autorizados.
  3. Aí o motorista entra na sala dos caixas e tem de pegar uma senha e esperar. Mais um papel e mais tempo, seguranças à espreita de possíveis criminosos que estejam usando celulares na agência, que aqui em Curitiba é proibido por lei, sim, isso mesmo… 
  4. Consolo: soube que não estamos sós, existem cidades onde é proibido usar celular na agência bancária, até para evitar sequestros relâmpagos de clientes marcados por marginais que avisam seus comparsas para que os peguem na saída com bolsos ou bolsas fornidas de reais. Proibir celular, tudo bem, prender bandido é secundário.
  5. Como efeito colateral, os funcionários das agências também estão proibidos de usar celular dentro de suas instalações. Ou seja, impede-se de usar o termômetro em vez de cuidar da febre, que é a onda de criminalidade que assola o país.
  6. Depois de estourados todos os prazos previstos em lei e o prescrito no Código de Defesa do Consumidor,  é hora de sair da agência e tentar tirar o carro do estacionamento lotado, claro que só depois de pagar a estada, de mais de uma hora.
  7. E aí, de volta ao trânsito caótico, que poderia ter muitos carros a menos, não fosse a exigência absurda que campeia aqui no Paraná, de só poder pagar os valores devidos ao governo do Estado em um só banco.

Em 2009, o Paraná tinha exatos 4.683.631 veículos licenciados, ou quase 1 veículo para cada 2 habitantes. Começa aí uma insidiosa discriminação do governo estadual, ao concentrar os pagamentos e uma pressão desnecessária sobre o Banco do Brasil que, mesmo remunerado adequadamente pelo serviço prestado, recebe um aumento de tráfego de pessoas em suas agências que, com certeza, prejudica os clientes que lá estão para tratar de outros assuntos.

Em tempo de internet banking, quando as transações pela rede já superam as convencionais, voltar ao passado por conta de uma briga ideológica é um atentado à paciência do cidadão/contribuinte.

Nem dá mais para usar o surrado argumento que diz que o carro é coisa de elite, de rico. Não mais, onde a maioria dos adultos que aqui residem têm carro. Facilitar sua vida é preciso.

Mesmo na hipótese da manutenção do contrato de arrecadação com o Banco do Brasil, nada contra, desde que fosse possível a qualquer cidadão pagar pela internet, ou usando a tradicional ficha de compensação.

Mas não é assim aqui na terra das (poucas) araucárias. Um ex-governador que brigou com todo mundo, inclusive com os bancos, exige um processo absolutamente fora da realidade do ano de 2010. E as coisas ficam assim, e ninguém reclama!

Pois bem, eu reclamo! E tomara que o próximo governador comece revogando essa aberração, onde todos perdem. Usar os recursos da tecnologia para fazer os processos fluirem melhor não custa nada, retira muito CO2 da atmosfera ao eliminar viagens desnecessárias e economiza, no mínimo, 5 milhões de hora/ano dos motoristas, fazendo uma conta simples: 1 hora/carro, contando o tempo de deslocamento e espera. Dividindo por 24 horas de um dia, temos  195.151 dias jogados fora, que, transformados em anos, dá algo como 534 anos no lixo, mais de meio milênio.

Eta birrinha cara!

>A Tecnologia a serviço do Consumidor

>ESTE BLOG AVISA: Essa postagem representa um caso de ataque digital sofrido pelo autor. É real e pode acontecer com cada um de vocês. Mas mostra como a tecnologia adequada e seu uso correto pode proteger o patrimônio do cidadão, aqui vestido de Consumidor.  Ao relato:


O blogueiro aqui dirige pelo trânsito complicado de Curitiba, no meio da tarde, quando toca o celular. Atento às leis de trânsito, peço um segundo ao interlocutor e acho um cantinho para estacionar. Aí veio o pepino.

A pessoa que me chamava, muito gentil, disse ser da TAM, da área de prevenção de fraudes e me perguntou se eu havia comprado uma passagem aérea internacional na madrugada anterior, no valor de quase R$ 6.000, com cartão  de crédito.  Depois de checar a validade do interlocutor, disse-lhe que não e ele me explicou que essa compra fugia do meu padrão normal e que era procedimento de sua área investigar.

Aí ele me explica que iria bloquear o bilhete, ainda não usado, e acionar as polícias competentes, inclusive Interpol, e que eu não me preocupasse, mas que deveria acionar a operadora do cartão.

Ato contínuo, ligo para a operadora e meu cartão Mastercard é bloqueado e cancelado, com outro processo de investigação de fraude iniciado.

O interessante nesse episódio é que a compra inusitada não levantou suspeitas na operadora do cartão, mas sim na ponta da venda do serviço. De todo modo, os sofisticados algoritmos de prevenção de fraude funcionaram bem, sem me causar prejuízos.

Agora aguardo o desfecho das investigações, esperando que o fraudador seja devidamente punido.

Mas o preocupante é ver que, mesmo com a evolução da tecnologia, os bandidos sempre saltam um degrau mais acima. Meu agora ex-cartão tinha chip, o que dificulta o uso por terceiros, mas em compras pela internet não é necessária senha do cartão, mas normalmente os portais de compra pedem dados pessoais, como CPF e nome completo do portador.

Sei lá… Mas, como passei ileso nessa, só tenho a agradecer à prontidão e à eficiência da estrutura de gestão de fraude de uma companhia aérea, mesmo quando a operadora de cartão não acusa nada  de anormal.

Menos mal. Fica a sensação de proteção de uma estrutura eficaz e do uso inteligente da tecnologia a serviço do consumidor.

>O Software Imperfeito

>As relações humanas nesse início de século estão cada vez mais complexas, requerendo codigos cada vez mais complexos e detalhados, tanto pela sofisticação crescente das sociedades como pelo aumento da diversidade das relações em um mundo cada vez mais globalizado. São constituições, leis, decretos, contratos, auto-regulamentações e outros quetais que regem nossas vidas e a maioria deles nem nos damos conta, por rigorosa impossibilidade de conhecê-los todos.

Da mesma forma, no mundo digital conectado e com toda essa variedade de dispositivos, as regras do jogo são ditadas pelo software, ou programas escritos por humanos para que as engenhocas funcionem adequadamente.

Adequadamente? São cada vez maiores as queixas contra o software, que trava, dá pau, vaza dados para terceiros, é inseguro, não funciona direito na nova máquina, é instável, enfim, é o culpado de todas as mazelas dos bits e bytes.

Nos anos 1960, quando os poucos computadores custavam milhões de dólares cada e suas funcionalidades eram extremamente limitadas, o custo do software era uma fração mínima do total do orçamento de informática e sua complexidade era limitada a aplicativos relativamente simples.

Hoje em dia, um simples smartphone tem um poder computacional maior do que a soma de todos os computadores do projeto Apollo da NASA, responsável pela chegada do homem à lua, naquele longínquo 20 de julho de 1969.  Com quase 20% de todos os seres humanos conectados à internet com uma enorme variedade de dispositivos, cada um com sua peculiaridade de tamanho de tela, capacidade de memória, sistema operacional, linguagem natural, linguagem de programação, fora os bilhões de aplicativos que rolam pela rede fizeram do mundo digital algo bem mais intrincado que o mundo das leis analógicas, aquelas que, no começo dessa postagem eu dizia que eram extremamente complexas.

E existe pelo menos uma forte razão para corroborar o que aqui afirmo: no mundo digital, as regras precisam ser obedecidas cada vez mais em tempo real, de execução, sem possibilidade de recurso, ao contrário do mundo das regras do papel.

Daí o peso cada vez maior e os holofotes cada vez mais centrados no software, pois ele governa nossas vidas de maneira cada vez mais invasiva, sem chances de retorno.

Basta ver, por exemplo, a quantidade de recalls feitos pelas montadoras para que os carros sejam levados a oficinas não só para trocar cabos defeituosos que podem causar defeitos, mas também para atualizar programas de gerenciamento do veículo que igualmente podem causar panes fatais. É novamente o software cada vez mais complexo e sempre imperfeito que requer atualizações e correções.

E aí, quando teremos um software perfeito? Provavelmente nunca, salvo para aplicações irrelevantes. Lembro aqui de um colega meu de engenharia que produziu uma engenhoca para seu trabalho de graduação que se chamava “Nãofazímetro de Nada”. Era uma caixa que, quando ligada a uma tomada elétrica, abria a tampa superior e de lá saia uma mãozinha mecânica que puxava o fio da tomada, e, ato contínuo, voltava ao conforto da caixa, que se fechava.

Não servia para nada, mas era um sofisticado servomecanismo programado, que ganhou prêmio por demonstrar o conhecimento dos processos de realimentação e da montagem de um dispositivo relativamente sofisticado que funcionava sem falhas. A polêmica ficou por conta de sua utilidade, que o autor justificou pelo próprio nome que deu a sua criação, o “Nãofazímetro de Nada”…

No mundo digital e conectado de bilhões de aplicações, todavia, elas precisam ser úteis, e, por conta disso, ficam cada vez mais complexas.

Torná-las a prova de falhas é tarefa que cada vez mais ocupam os profissionais e empresas do setor. Mas é preciso, igualmente, que os clientes que encomendam esses programas forneçam as especificações exatas, missão cada vez mais difícil.

À medida em que mais e mais dispositivos com novos aplicativos forem conectados por mais e mais pessoas, essa complexidade aumenta, e os problemas também.

Resta cuidar melhor das especificações e da construção do software, mas isso por vezes implica em custos e prazos que não estão disponíveis. Então, para resolver os conflitos, existem as leis do papel e os advogados, que recentemente descobriram o filão do direito digital, cada vez mais suculento.