No Brasil, faça como os Búlgaros

Durante o segundo turno das eleições brasileiras de 2010, um tema que ganhou alguma notoriedade, embora com pouca importância nos debates, foi a origem búlgara da então candidata, hoje presidente eleita Dilma Roussef.

Circularam pela web até informações falsas sobre seu passado, e isso me despertou alguma curiosidade. Aí eu procurei no Google por jornais búlgaros, inclusive os que supostamente a acusavam de ter nascido na Bulgária, logo seria inelegível para um cargo reservado a brasileiros natos. Eu até brinquei com o tradutor do Google e postei no Twitter que Дилма Русеф – със силен мандат, но я смятат за “автопилота на Лула” http://www.dnevnik.bg/985814/ via @Dnevnik, na segunda feira após a vitória de Dilma, ou Dilmano Rousseff – com um mandato forte, mas como “piloto automático Lula” http://www.dnevnik.bg/985814. Até aí, bricadeira pura, mas serviu ao menos para me mostrar que o Google Translate está melhorando, embora possa melhorar muito mais.*

Aí fui ver a edição em inglês do jornal Bulgaria Gazette e achei uma postagem de 2009 que comentava a melhoria da qualidade dos serviços de internet banda larga lá, chegando perto da Coréia do Sul e ganhando de Lituânia, Suécia e Romênia. Aí eu postei um comentário no site, pedindo mais informações sobre o relatório que gerou a notícia e as respectivas fontes. Claro que dei uma tuitada sugerindo à presidente eleita que procurasse se informar do tema, até antes de tomar posse, pois, numa dessas, até poderíamos tentar aprimorar nossa banda larga tupiniquim, que deixa muita gente irritada com a qualidade e de bolsos vazios pagando as faturas.


Feita a provocação, segui cuidando da vida até que recebi uma resposta do administrador, no mesmo dia, dizendo o seguinte (vai mesmo em inglês):


admin said:

Hello,
Obviously, this article is somewhat old. However, there is a more recent information about the subject, which came out just a couple of weeks ago, in the third annual broadband study by CISCO systems and the Oxford university. A link to the article:
http://newsroom.cisco.com/dlls/2010/prod_101710.html
The basic conclusion is that Bulgaria, while not topping the charts in terms of absolute numbers, is one of the countries with the most improvement in broadband quality compared to previous years, especially among it’s direct competitors in the group of the developing economies or as mentioned in the article: “topping the list of the Efficiency-driven economies”.
I personally cannot complain at all about the Internet quality since a couple of years already. I live in one of the major bulgarian cities and have a cable Internet, but DSL Internet is available almost anywhere, even in small villages.

Indo ao link da pesquisa da Cisco/Universidade de Oxford acima, vemos que houve um aumento da qualidade global da banda larga de 24% este ano, comparado com 2009. E que são hoje 14 países prontos para as “aplicações da internet de amanhã”, tais como TV de alta definição via web e serviços de videocomunicações de alta qualidade (telepresença para o consumidor) devem estar em alta dentro de poucos anos. E são esses os países, em ordem decrescente de avanço: Coréia do Sul, Japão, Letônia, Suécia, Bulgária, Finlândia, Romênia, Lituânia, Holanda, Hong Kong, Alemanha, Portugal, Dinamarca e Islândia. Esse ranking compara com apenas 9 países em 2009 e só o Japão 2008. O estudo deixa claro, todavia, que Letônia, Bulgária, Romênia e Lituânia têm taxas de penetração de banda larga bem menores que os demais. Vale a pena dar uma fuçadinha nesse bem estruturado estudo…

Aos que querem justificar nossa não presença na lista, não faltam argumentos: Nenhum país dos Bric (Brasil, Russia, Índia e China) estão lá e eles têm em comum o alto crescimento, enormes extensões geográficas e populações imensas. O mesmo se aplicaria aos Estados Unidos e Canadá, exceto pelo recente falta de crescimento das economias de ambos e a população pequena do Canadá, se não contarmos ursos polares e focas.
Mas, pensando 10, 20 anos para frente, eu temo que nossas discussões acadêmicas e políticas, e as iniciativas quixotescas de ampliar quantidade de acessos de banda larga, sem se preocupar com qualidade e velocidade disponíveis em escalas cada vez maiores sejam tão somente os panos de fundo para um potencial freio nessa fase boa de crescimento que vive o Brasil.
Numa sociedade do conhecimento, ter acesso de banda larga de qualidade e a preços acessíveis é uma das premissas básicas para caminhar ao sucesso.
Um dos problemas que temos é que sempre nos colocamos em comparação com as chamadas nações desenvolvidas, de primeiro mundo.
Numa dessas, com a era Dilma Rousseff se aproximando em janeiro, poderemos aprender com o simpático país do leste europeu, que até por laços familiares de nossa futura presidente, poderemos chamar de país irmão e, humildemente, aprender o bom caminho.
Vou seguir estudando o assunto da banda larga na Bulgária… O que era uma curiosidade meramente intelectual despertou em mim a vontade de entender com mais profundidade o que ocorre por lá.



* Um teste que fiz foi pegar o texto original em búlgaro, vertê-lo para o inglês e depois passar ao português para finalmente voltar ao búlgaro. Resultado: entrada = saída, coisa impensável há um ano atrás.

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