Arquivos Mensais: fevereiro \27\America/Sao_Paulo 2013

As Fazendas do Google

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A grande maioria dos cidadãos digitais da segunda década do século 21 usa serviços “na nuvem” do Google, da Amazon, da Apple, da Microsoft, do Facebook, do Twitter e de muitos outros menos cotados, a maioria gratuitos, ou “patrocinados”, como queira o leitor.

O que nós não nos damos conta é qual a infraestrutura tecnológica que está por trás desses serviços.

Eu uso aqui uma galeria de imagens e textos curtos do Google para que possamos navegar pelas entranhas dessas fazendas de servidores.

Vale a pena investir uns minutos para entender sua dimensão. Um número, apenas, para reflexão: os serviços de busca do Google usam mais de um milhão de servidores, espalhados mundo afora.

Normalmente esses data centers estão situados em zonas rurais, onde a terra é mais barata, e substituem fazendas tradicionais que produzem alimentos e viram fazendas de informação. Cada um deles consome energia elétrica equivalente a cidades nem tão pequenas assim e abrigam dezenas de milhares de servidores. Cada servidor é um computador dedicado a alguma tarefa, e é várias vezes mais parrudo do que essa máquina que você está usando nesse momento.

Esses data centers possuem conexão com os demais data centers sempre de forma redundante, para que, em caso de pane, outras conexões possam suportar o tráfego de dados. Os servidores também possuem redundância local e remota, assim como alternativas em caso de apagão, inclusive com geração local de energia eólica, painéis solares, e biomassa.

No caso do Google, só a parte de buscas -hoje um pedaço apenas da multiplicidade de ofertas da companhia- atende a mais de 1 bilhão de consultas ao dia!

Mas, com toda essa parafernália de equipamentos e clones de segurança, assim mesmo eles podem falhar e precisam ser reparados ou substituidos.

Aí painéis de controle extremamente sofisticados dão o diagnóstico e apontam o tipo e local do equipamento defeituoso. E a maioria dos reparos é feita não por humanos, mas por robôs.

As equipes técnicas ficam lá para tratar de exceções ou de casos mais complexos, onde os robozinhos não possam atuar.

O incrível de tudo isso é que a atividade dos data centers é de tal modo intensiva em todos seus principais componentes que normalmente eles surgem como o principal empregador, gerador de renda e de tributos nos locais onde estão estabelecidos.

Mais ainda: para conseguir alvarás de funcionamento, eles precisam estar aderentes às mais modernas práticas de sustentabilidade e respeito ao meio ambiente. Além da boa imagem criada localmente e no mercado em que atuam, eles servem também de cobaias para novas tecnologias ambientais.

Em resumo: Assim como o alimento que nos nutre o corpo, o alimento de informações que nos chegam pela internet também devem estar desprovidas de pragas e agrotóxicos (virus, malwares em geral, no mundo digital).

A segurança digital passa a ser quase tão relevante quanto a segurança alimentar.

A criação de empregos para cuidar dessa enorme estrutura de data centers que se espalham pelo mundo já aparece nas estatísticas com um bom peso específico. Cowboys de data centers, já pensou? Pois eles existem, sim…

Aproveite a visita ao Google. Vocês também podem buscar imagens de outros data centers e tirar suas próprias conclusões. Mas uma delas é inevitável: o mundo está mudando bem rápido!

AppleCop em NY; Em Breve, Nos Melhores Pontos do Planeta!

A perspectiva de sermos todos explicitamente monitorados por conta dos recursos da tecnologia digital me desperta desde sempre visões conflitantes entre a privacidade e a segurança.

Para quem leu o 1984, de George Orwell (ou viu o filme, tanto faz), parecia que nada daquilo iria ocorrer e, ao contrário, a liberdade apresentada pela internet impediria para sempre a existência de um estado policialesco.

Pode ser, mas a notícia da colaboração da Apple com a Polícia de New York (NYPD) para ajudar na recuperação de iGadgets roubados é, no mínimo, instigante, quem sabe, preocupante!

Eu já usei o recurso Find My iPhone para encontrar meus iGadgets ou mesmo para bloquear um iPad que eu possa ter deixado aberto em algum lugar, mesmo que seguro.

Lendo a matéria do Mashable com atenção, consigo entender algumas coisas boas:

  • A Apple procura valorizar seis produtos à medida em que aumenta a taxa de recuperação dos iGadgets roubados;
  • A NYPD tem seu trabalho facilitado e tornado mais eficaz, e os primeiros resultados mostram isso;
  • A vida dos ladrões fica mais complicada;
  • O problema de furtos e roubos de aparelhos de valor com conteúdo de maior valor ainda passa a ser tratado pela comunidade, como uma PPP (Parceria Público-Privada);
  • A experiência de New York pode ser replicada para outros lugares, aumentando a segurança dos usuários que, normalmente, zanzam mundo afora.

Mas existe o outro lado dessa história:

  • A Apple talvez saiba mais sobre nossa vida digital do que gostaríamos de admitir;
  • Essas informações podem ser usadas de muitas maneiras que sequer imaginamos;
  • O que vale para a Apple também se aplica aos Google, Facebook, Twitter e outros menos visíveis;
  • O arcabouço legal hoje disponível está a milhares de anos-luz atrás do desenvolvimento dos produtos e serviços digitais, e essa distância vai aumentar ainda mais, num futuro previsível;
  • Supondo que tanto a Apple quanto a NYPD façam parte dos mocinhos dessa trama, nada impede que os bandidos digitais possam fazer a mesma coisa com nossos iGadgets e seu conteúdo;
  • A experiência de New York pode ser replicada para outros lugares, aumentando a exposição dos usuários que, normalmente, zanzam mundo afora.

Será que ainda há tempo hábil para estabelecer um modelo onde segurança e privacidade estejam jogando no mesmo time?

 

4G Chega a Curitiba. Vamos nessa?

Nós que estamos acostumados a atrasos em quase tudo que é obra de infraestrutura, tivemos a grata surpresa com o anúncio da Claro da disponibilização da tecnologia 4G em Curitiba, bem antes do prazo estipulado, no final de 2013.

Significa que podemos ter na ponta dos dedos aparelhos que vão fazer conexões à internet com velocidades muito maiores daquelas que estamos acostumados na velha, lenta e ranzinza rede 3G, ou até mesmo quando comparadas com a da maioria das conexões fixas de banda larga.

Quem precisa de velocidade e mobilidade, então a opção 4G é inadiável, certo?

Vejamos:

SIM é sua opção se você realmente precisa de banda larga rápida e móvel de imediato, e está em Curitiba, Recife, Campos do Jordão, Paraty ou Búzios. De cara, dá para dizer quer Curitiba está, nesse início da rede 4G, em excelente companhia.

SIM também se você não se importa com a limitada oferta inicial de aparelhos, hoje limitada aos bons Motorola RAZR HD ou o SAMSUNG GALAXY S III 4G. E os melhores planos estão destinados a quem se dispõe a migrar para a Claro, numa jogada de marketing ousada da operadora para aumentar sua base de clientes.

SIM se você quer um modem para conectar seu laptop ou mesmo ter o 4G em sua casa ou escritório.

SIM se seu bolso estiver forrado. Os planos iniciais são bem caros, aproveitando a dianteira que a Claro obteve e dirigida aos early adopters, que sempre buscam as novidades.

NÃO se você quer 4G em seus smartphones ou tablets da Apple. Eles vão funcionar, mas no modo 3G ou então no WiFi.

NÃO se você viaja muito para fora dessas cidades que já possuem 4G. Até o final do ano, outros aparelhos, outras regiões e outras operadoras estarão disponíveis, e as opções de comparacão, maiores.

NÃO se você espera velocidades altíssimas, padrão coreano do sul. De início, a disponibilização de banda pela Claro não permitirá velocidades maiores que 5Mb. Mas essa é uma limitação temporária.

NÃO se você ler as letras miudas das ofertas. Excedida a franquia (um plano padrão oferece 5GB de dados/mês), a velocidade cai a míseros 128KB, digna da rede 2G, de trsite memória. E para quem vai desfrutar dos recursos da rede 4G, com muito vídeo e teleconferência em alta definição, esse limite chega rapidinho. Como parâmetro, 5GB equivale ao conteúdo de um DVD (480p) e um filme em HD  consome quase toda essa banda. Você pode ficar com a sensação de ter uma Ferrari no meio de um congestionamento da cidade grande…

OU SEJA: na maioria dos casos, vai valer a pena esperar um pouco. A tecnologia 4G veio para ficar, vai modificar -e muito- os hábitos de consumo de tráfego digital e vai fazer com que esqueçamos as redes 3G, salvo para piadas ou papos nostálgicos do tipo “naquele tempo…

Vale também registrar a rapidez da Claro em conseguir uma boa cobertura em Curitiba bem antes do prazo proposto. Isso nos surpreende positivamente, embora devesse ser a regra no Brasil.