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Dinheiro do Contribuinte ou Dinheiro Público

“There is no Public money, only Taxpayer’s money!” (Lady Margaret Thatcher)

Isso foi lá na década de 1980, em sua campanha eleitoral para a Câmara dos Comuns, na Inglaterra, que iniciou uma guinada conservadora no país. Os mineiros de carvão estavam em greve havia mais de um ano, a indústria parada, as casas geladas no inverno por falta de calefação, a economia do antigo Império em frangalhos. Lá, tudo mudou.

Mas hoje, a ênfase é no tratamento do dinheiro público. Ou seja, o Estado tem o dever e o direito de arrecadar dos contribuintes, para fazer coisas boas para todos os cidadãos, inclusive com prioridades para universalizar a educação, a saúde, a segurança, preservar o meio ambiente…

Discutir, em pleno 2015, se o dinheiro é do contribuinte ou é público, talvez não leve a nada, aqui no Brasil. Ou talvez valha um mínimo de reflexão, que aqui é provocada por esse veterano engenheiro, que escreve sobre tecnologia, mas resolve agora dar um pitaco nesse tema, olhando, sobretudo, para a inquietação de boa parte do povo, a falta de soluções viáveis, e para uma polarização perigosa, capaz de aprofundar os problemas, em vez de resolvê-los.

Não pretendo resolver nada, só refletir. Vamos lá:

O dinheiro sempre sai do bolso do contribuinte para o Estado. Contribuintes pessoas físicas ou jurídicas, contribuimos com impostos (mas se algo é imposto, cabe a palavra contribuinte?) ou de contribuição (contribuimos com contribuições é pleonasmo, mas, tudo bem…)

O Estado arrecada tudo isso, às vezes ajudado por empréstimos ou por venda de ativos (privatizações, concessões, etc…) para fechar o caixa e cumprir a lei e as promessas de campanha. Ou tentar cumprir.

Ao receber esse dinheiro de nós, contribuintes, ele tira um pedaço para custear a tal da máquina (propinas não estão nesse raciocínio) e o que sobra é o dinheiro público disponível para serviços e obras governamentais.

A soma do dinheiro do contribuinte é sempre maior do que a soma do dinheiro público. A diferença é o custo do Estado. O dinheiro público, se bem aplicado, é transformado em bens e serviços demandados pela população, tais como as ações sociais de distribuição de renda, segurança pública, saúde, educação, proteção das fronteiras…

Os bens e serviços, entregues às custas do dinheiro do contribuinte transformado em dinheiro público terão mais recursos quanto mais eficaz for a máquina pública. O dinheiro público será tanto maior quanto mais eficiente for o funcionamento da máquina pública.

No Brasil, a ineficiência da máquina pública é, provavelmente, muito maior do que o que é gasto com corrupção, que nvemos não ser pequena. Aliás, a ineficiência da maioria dos processos é uma indutora da corrupção.

Ao não conseguir gerir com competência o dinheiro público, arrecadado doa contribuintes, o Estado cria regras cada vez mais complexas e de difícil entendimento, que dirá de cumprimento. A máquina fica mais complexa, gerando mais burocracia (em física, seria gerar mais calor e menos trabalho, para cada unidade de energia entregue). A sociedade fica menos atendida e as atividades produtivas, menos competitivas.

Faz sentido? Acho que é, no fundo, no fundo, algo mais complexo. Afinal, cada vez mais exige-se mais transparência, mais controles, mais isonomia, mais um monte de coisas. Mas o resultado final que o Estado se propõe a entregar, não aparece.

Usar a tecnologia (ufa! enfim alguma menção às origens desse blog) pode ajudar, desde que não seja apenas mais uma camada de custos para fazer tudo do jeito que era antes. Mas o custo da entrega de serviços básicos, como uma consulta no SUS é enorme, e os que estão lá na ponta buscando servir, ganham pouco. O memso vale para a educação, para a segurança, para a infraestrutura, para tudo!

TremUm exemplo? Pense em como fazer, nos dias de hoje, uma ferrovia de 100 km. Custo e prazo. Que tal 5 anos? Pois foi esse o tempo que o Império do Brasil levou para construir a ferrovia Curitiba-Paranaguá, entre 1880 e 1885. Sem muitos recursos tecnológicos. E ela ainda é a principal ligação para transporte de cargas a granel para o porto de Paranaguá, um dos mais movimentados do Brasil.

Quanto tempo mesmo levaríamos para fazer uma ferrovia dessas? E quanto custaria?

A Internet das Coisas já chegou!

comentamos sobre “A Internet das Coisas”, quando máquinas se comunicam, sem interferência de humanos, facilitando nossas vidas. Antes da Copa do Mundo de 2014, teremos mais dispositivos digitais conectados entre si do que com humanos. Falamos das redes de altíssima velocidade que permitirão casas inteligentes, carros interagindo com as estradas e muitas coisas mais, que deverão melhorar nossa qualidade de vida, aumentar a produtividade da nossa economia, ajudar a resolver problemas ambientais, por exemplo.

Mas, afinal, aonde estão essas maravilhas todas, mais parecidas com promessas de campanha eleitoral, se ainda temos internet lenta, estradas congestionadas, carros poluentes, casas mal acabadas, e, afinal, 2014 está bem ali?

E as máquinas vão efetivamente estar interligadas de forma a dispensar atividades humanas? Quais os benefícios?

Calma! Essa transformação já vem ocorrendo e nem nos damos conta, por enquanto, de forma bem básica, mas é assim que tudo começa. Por exemplo: já existem mais linhas de celular habilitadas no Brasil e no mundo do que habitantes. E esses aparelhos, quando ligados, estão dentro de redes digitais que possuem milhões de computadores conectados e tomando decisões automáticas sobre roteamento de tráfego, uso de rotas alternativas, no diagnóstico de falhas e até na antecipação de possíveis defeitos, visando manter a rede funcionando próximo de 100% do tempo, com qualidade dentro do exigido pelas agências reguladoras e pelos próprios assinantes de seus serviços.

Os aparelhos que usamos ficam cada vez mais sofisticados e executam múltiplos aplicativos. No caso de smartphones, o tráfego de dados já supera largamente o tráfego de voz. Eles são phones quase que só no nome, e substituem computadores pessoais ao ponto de já gerarem mais acessos à internet do que laptops, no uso não corporativo.

Esses bilhões de dispositivos digitais conectados à rede, estão conversando com os computadores da rede o tempo todo, dando sua localização, seus planos de acesso, tipo de uso, hábitos de navegação…

E já temos árvores, containers, caminhões, navios, trens e aviões que estão o tempo todo conectados. Estão em fase de lançamento os drones, aqueles aviõezinhos não tripulados que, por enquanto, têm uso quase que exclusivamente militar, para serviços de segurança civil, de combate a incêndio de florestas, de localização de pessoas perdidas em locais remotos ou em catástrofes, que requerem mínima intervenção humana.

A Internet das Coisas, versão 1.0, já chegou!

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