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iTunes no Google Play? Pode ser!

O blog 9to5Mac mostra que a Apple está em negociações com o Google para lançar o iTunes no mundo Android, oferecendo o App e os serviços através do Google Play. Provavelmente, essa oferta incluirá também o serviço de streaming de áudio e vídeo, para concorrer com o Spotify e congêneres.

Isso implicaria em um upgrade do iTunes Radio, que é até bonzinho, mas pouca gente usa. Seria também uma reviravolta na linha traçada por Steve Jobs em 2011, quando ele explicou, em entrevista, que a Apple havia feito a versão do iTunes para Windows com o objetivo de vender mais iPods e mais músicas, e que uma versão para Android só serviria para tornar os usuários Android mais felizes e ele não queria que os usuários de aparelhos com Android ficassem felizes.

Passados 3 anos, Steve Jobs se foi, o Android vende mais que o iOS, e a venda de músicas no modelo do iTunes começa a apresentar sinais de fadiga. O iPod, sucesso estrondoso no passado recente está com as vendas declinando fortemente, pois o modelo Touch é só um pouco mais barato que o iPhone e tem pouca razão de ser; os mais baratinhos Nano até que sobrevivem, como um acessório prático para malhadores, ciclistas e fundistas ouvirem suas músicas preferidas enquanto se exercitam.

Mas até esse nicho pode perder a razão de ser com o anúncio iminente e inevitável do iWatch, que acabará sendo um iPod Nano de pulso, agregando funções de monitoramento de dados vitais dos seus donos, com a chegada do iOS 8.

Para nós, que compramos os aparelhos e as músicas, dois sinais diferentes: de um lado, será bom podermos ter nosso acervo musical acessível independente do aparelho que estamos usando num determinado momento; de outro, mais uma possível colaboração entre os gigantes da tecnologia que podem tornar os serviços menos inovadores e talvez mais caros, pela diminuição da concorrência.

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Analógico e Digital, juntos para nosso deleite

Tem gente que diz que o analógico é o antigo, o digital, o novo. E aí, ou você é analógico, ou é digital. No máximo, você pode estar ora analógico, ora digital. Pois eu acabo de sair de uma experiência fantástica de uma mistura que mostra como usar a tecnologia para apresentar música clássica. 

A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo -OSESP- completa 60 anos em 2014 e já começou a celebrar, com uma programação bastante versátil e contando com regentes e solistas locais e internacionais. E sempre tem alguém a explicar, de forma didática, a obra que está sendo apresentada, cada movimento, o compositor, o solista… Tratando de relembrar os iniciados e encantar os iniciantes na música clássica.

Esse concerto de ontem, com a regência da incrível e premiada nova-iorquina Marin Alsop e com os solos ao piano do nosso internacional patrício Nelson Freire foi simplesmente encantador! No programa, Chopin e Mahler.

Uma orquestra sinfônica é a essência da disciplina, do empenho, da colaboração e da necessidade de superação, a cada apresentação.

Uma orquestra sinfônica é também a essência do analógico, unplugged. Pois a OSESP tem esse programa Concerto Digital, que ou você assiste ao vivo, ou pela internet. Lá na Sala São Paulo, ou em qualquer lugar do mundo. E dá para assistir na telona da sua TV, em alta definição, com um som de primeiríssima qualidade. Basta uma TV ou um home theater com acesso à internet ou então conectar seu laptop ou tablet à tela grande com um cabo HDMI, ou, mais fácil ainda, através de uma Apple TV.

A qualidade da transmissão impressiona. Talvez valesse a pena aumentar o número de câmeras que capturam as imagens para tornar o todo mais dinâmico. E, para dar certo, é essencial uma boa conexão de banda larga, no mínimo 5 Mb reais, para evitar soluços do streaming.

Ora“, dirão alguns, “vídeo HD pela internet tem no YouTube e em milhares de outros portais; ao vivo, idem

Eu até concordo… Mas que esse Concerto Digital foi de primeiríssimo nível, foi. E usou muito bem a tecnologia para disseminar boa música. Merece aplausos. Até num comentário sobre tecnologia.

Finalmente a confraria das gravadoras se rende ao streaming

É natural que indústrias e países definam práticas e políticas para proteger seus produtos e mercados. Só que essa proteção não pode ser eterna, seja à luz dos tratados internacionais, seja pela evolução da tecnologia e dos hábitos e necessidades desses mesmos mercados.

Hoje nossa reflexão vai sobre a toda poderosa RIAA – Recording Industry Association of America, a associação da indústria das gravadoras dos Estados Unidos.

Como todo grupo de interesse  que tem mercados enormes, como o da música, administrar um modelo de sucesso em um ambiente de forte mudança é algo complexo, e a postura normalmente é reativa. É o que vem acontecendo na mensuração do que se ouve e se vê de conteúdo musical.

Após longas batalhas jurídicas, a RIAA conseguiu eliminar ou enquadrar nos rigores das leis os sites que permitiam, nos primórdios da internet, a troca informal de arquivos musicais, sem gerar nenhum tipo de receita às gravadoras, aos autores e aos intérpretes. Destaques para os falecidos Kazaa, Emule e Limewire .

Surgiram então os serviços de vendas de músicas através de download, dentre os quais a iTunes Sore, da Apple, que pegaram o vácuo da oportunidade e transformaram o mercado de venda de músicas, com preços muito acessíveis. Esse modelo desestimulou a pirataria, pelo simples fato de que a origem era confiável, o serviço garantido e de qualidade e, especialmente, permitia aos consumidores montar sua coleção personalizada de músicas.

A maioria dos países do mundo legalizou esse canal, e aí as vendas físicas de CDs e DVDs despencaram, colocando no limbo as grandes redes de varejo do ramo. A RIAA foi reativa a essa realidade até verificar que não havia alternativa.

Mas a tecnologia não parou de avançar,  com oferta de músicas e filmes não mais apenas para download. Surgem os serviços de streaming, aproveitando-se do aumento da velocidade das conexões de internet e da tecnologia de nuvem, ou cloud. Nessa modalidade, não há a necessidade de baixar o conteúdo, como no Mog e no Yahoo Music, e se expande com a rapidez espantosa, ao ponto de indicar a necessidade de revisão do modelo de sucesso da iTunes Store, especialmente com o lançamento recente do Google Play Music All Access.

Ocorre que a RIAA não media para as premiações, até agora, esse canal não estruturado, mas legal, de distribuição de conteúdo musical, como o Spotify e o YouTube, e as outrora indiscutíveis categorias de discos de ouro e platina deixaram de fazer sentido, com o consumidor nem dando bola para o que ocorria com os números de sucesso da associação.

Não mais. A RIAA rendeu-se ao streaming e à enorme audiência dos múltiplos canais de distribuição e agora passa a contabilizar esses números para chegar a premiações mais condizentes com a realidade de nós, os consumidores.

É verdade que, para a RIAA, um clip visto por streaming, no MTV.com ainda não conta tanto como o mesmo clip comprado por download. Mas o sinal dos tempos chegou à vetusta associação, que faz uma plástica e reconhece a evolução da tecnologia. Daqui em diante, os discos de ouro e platina passarão a premiar efetivamente os mais populares. 

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