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Tecnologia Digital e o Significado das Palavras

Para refletir sobre a evolução da tecnologia digital, vamos trabalhar com oito palavras que há poucos anos tinham significado principal radicalmente diferente do que temos em 2010.


Acompanhe comigo:

Arquivo: antigamente, ou uma pasta cheia de papel ou muitas pastas dentro de um armário de madeira ou metal. Muito infectado por cupins. Mais recentemente, informações estruturadas armazenadas em cartões perfurados, fitas magnéticas, disquetes de vários tamanhos e mesmo em CDs, DVDs e discos magnéticos, infectados por vírus eletrônicos. Hoje a maioria dos arquivos está guardada na nuvem (vide verbete), como suas mensagens do GMail, do Yahoo ou do MSN.

Enciclopédia: Em 1768 foi lançada a Enciclopædia Britannica, com inusitados três volumes. Duzentos anos depois, a Britannica tinha 25 volumes, isso no rebelde ano de 1968. Hoje, enciclopédia é a Wikipedia, que, na sua versão em inglês tem incríveis 3.319.499 artigos publicados (e crescendo a cada minuto), sem contar suas outras 31 edições em diferentes línguas, inclusive o Esperanto.


Correio: No meu tempo de jovem, Correio era algo para você inventar uma desculpa de não haver recebido uma carta, a “Culpa do Correio” era subjetivamente aceita como verdade ou faz-de-conta. Nos anos 80, começou o “Correio Eletrônico”, que já criou mais de 100 bilhões de contas, ou seja, quase 20 contas ativas para cada ser humano, alfabetizado ou não, conectado ou não. Mesmo o Correio Eletrônico sai da moda, dando lugar às mensagens instantâneas e ao bate-papo digital, ou “Chat”.


Computador: Em 1943, o presidente da IBM, ao anunciar o primeiro computador produzido pela empresa, declarou que o mundo não teria mercado para mais de cinco computadores. Hoje, contando computador de mesa, laptop, smartphone e outras bugigangas, mais de 200 milhões de domicílios contam com cinco ou mais desses dispositivos digitais. E um carro de 2010, razoavelmente moderno e equipado tem mais poder computacional que as naves do projeto Apollo, que levaram o homem à Lua, 41 anos atrás.

Telefone: Quando D. Pedro II viu pela primeira vez um telefone funcionando na Feira de Nova Iorque de 1876, disse “Meu Deus, isso fala!”, e trouxe a novidade para o Brasil. Pois o tal do telefone levou mais de 100 anos aqui para aprender a falar, passando antes pela fase de bem de capital cotado em dólar, que os mais afortunados alugavam aos mais necessitados a 3% ao mês e declaravam ao imposto de renda. Hoje temos mais celulares ativos do que brasileiros, e, passada a fase da voz, o tráfego de dados já supera o falatório.

Mala Direta: Quando o Correio deixou de servir de desculpa às pessoas, os marketeiros sacaram a idéia de mandar propaganda impressa direto aos domicílios. Hoje essa prática ainda é forte, mas, no mundo digital, virou o tal de “spam”, ou mensagem espalhada aos trilhões nas caixas de e-mail do planeta. Em breve, os marketeiros descobrirão o valor da imagem de uma empresa que não incomoda seu cliente, mas que, quando ele precisa, vai dar as informações que ele quer. Será a “onda verde” na qualidade da informação.

Rede: Nos bons tempos, um artefato de tecido ou corda, usado para ser pendurado entre dois pontos e servindo para o balanço reconfortante de seus usuários. Depois da internet, tudo é “rede”. Mas, dessa rede global, não há escapatória: Ou você está lá, ou provavelmente já morreu, sempre por fora do que está se passando no mundo.

Nuvem: No céu curitibano, é coisa que dificilmente deixa de aparecer, e aqui é quase sempre molhada. No mundo digital, significa um lugar indefinido, para você, onde estão armazenados seus dados e seus aplicativos, como, por exemplo, seus e-mails, fotos do Picasa, vídeos do YouTube. Estão na nuvem, mas quando você precisa, eles aparecem. Uma tendência para todos os aplicativos que hoje travam e dão problemas em sua casa ou escritório.

Numa próxima revisãode conceitos, dentro de alguns anos, essas definições de hoje poderão parecer defasadas, antiquadas. Não se assuste! Busque apenas se manter minimamente antenado, pois o impacto no seu dia-a-dia pessoal e profissional seguirá mudando rapidamente.

Ou seja, quando o assunto é tecnologia digital, a única coisa que não muda rapidamente é a própria mudança…

Afinal, o que devo comprar neste Natal Digital? – II

Seguindo a postagem anterior, com uma pitada de nostalgia apenas para ilustrar o ponto.  Eu sou do tempo que:

  1. O telefone servia para telefonar (quando dava linha);
  2. O computador fazia processamento de dados
  3. O arquivo estava em disco ou fita magnética
  4. A câmera fotográfica só tirava fotos
  5. O televisor pegava uns poucos canais de TV aberta
  6. O som estéreo ficava na sala principal da casa
  7. Torpedo era coisa mandada por submarino

 Às vésperas do Natal de 2009 e do Ano Novo de 2010, a coisa ficou  mais ou menos assim:

  1. O telefone serve mais para ouvir música, jogar joguinho, mandar torpedo
  2. O computador serve para falar ao vivo com outras pessoas, com imagem de vídeo
  3. O arquivo que eu mais preciso eu guardo na ‘nuvem’
  4. Filmes do dia-a-dia podem ser feitos com câmera fotográfica ou com o telefone
  5. O televisor mostra as fotos que tirei, acessa o YouTube e raramente passa o Fantástico
  6. O som de qualidade está em qualquer lugar, em múltiplos dispositivos, menos na sala
  7. O Submarino é loja virtual, ao menos até o Brasil construir os seus nucleares

Então, reforçada a dificuldade de posicionar um produto no mercado digital, ouvi de um dos criadores do telefone celular, Martin Cooper, que o melhor mesmo são os aparelhos mais simples. Esse cara que é nostálgico!

Para quem já tem vários aparelhos digitais, então o Natal pode ser um bom momento de consolidar esse investimento.  Pode ser uma boa hora de construir uma rede doméstica, não aquela de pendurar nas paredes ou nas árvores, mas uma rede de computadores que vai servir a muitos aparelhos digitais, inclusive a computadores!

Além dos aparelhos que vou conectar através de cabos da rede, se precisar ligar aparelhos através de um roteador sem fio, a dica é aproveitar a queda de preços do padrão 802.11n, que, além de mais rápidos, normalmente oferecem maior alcance e guardam compatibilidade com os padrões anteriores, o b e o g. Um roteador wireless n hoje custa um pouquinho mais que um equivalente g.

Não é uma boa dica para presente a quem tem tudo, e numa faixa de R$ 300?

Mas esse mundo digital está cada vez mais interessante, fácil de usar e difícil de explicar.  Ao menos à luz de premissas saudosistas…

 

O "gap" entre gerações é cada vez maior. Você sente isso?

Lá atrás, no século XVIII e mesmo antes, as mudanças de referências, valores, conhecimentos e especialmente avanços tecnológicos eram lentos. Muitas gerações se passavam antes que um marco significativo de mudança ocorresse. Hoje as coisas acontecem em espaços menores que uma década. Como a tecnologia e seus avanços podem colocar você em uma situação de desvantagem?

Vamos lá, das grandes navegações dos séculos XV e XVI até a Revolução Industrial do século XVIII pouco mudou. Desta até a introdução em escala da energia elétrica, da telefonia e do avião decorreu mais de um século. A expressão bíblica “naquele tempo…” significava muito, muito tempo atrás.

Vamos agora chegar ao terço final do século XX, mais precisamente na década de 1970. O homem já havia chegado à Lua, a energia nuclear era usada para fins pacíficos e os satélites de comunicação tornavam quase trivial falar ao telefone entre as maiores cidades do mundo, os computadores eram grandes, poucos e caros mas já influiam na vida dos cidadãos.

Quem estava no mercado de trabalho e, portanto, tinha mais de 20 anos, deveria lembrar as Copas do Mundo anteriores quando não havia transmissão ao vivo, muito menos em cores. Deveriam lembrar também da dificuldade de fazer uma ligação telefônica, local ou interurbana, dada a tecnologia primitiva e os altos custos.

===> Fast-forward para o século 21, que prefiro grafar em algarismos arábicos em vez de romanos, para não parecer tão antigo. Bem… o termo fast forward já é anacrônico, numa época em que a maioria da população jovem pode nunca ter visto uma fita cassete ou VHS.

O que quero marcar aqui é a enorme diminuição do tempo entre mudanças relevantes na tecnologia e seu impacto nas nossas vidas. E como você, ainda jovem, pode estar virado um dinossauro, sem perceber.

Imaginemos um cidadão brasileiro de 35 anos de idade. Ele ou ela estão no mercado de trabalho há 10, 15 anos, e presenciaram, só para ficar nos básicos, a chegada da internet e da telefonia celular. É possível que tenham tido um celular analógico, e tenham usado bastante a internet discada.

Agora vamos ao jovem de 20 anos: para ele ou ela, o computador pode ter feito parte de sua vida desde a mais tenra idade, e o telefone é mais um aparelho de uso pessoal (celular) do que doméstico (fixo).

Vamos à moçada de 10 anos: para essa turma, os botões, teclados e a comunicação com o mundo, de forma multi-tarefa são dados, não variáveis. Mostrar-lhes uma enciclopédia de papel ou uma calculadora eletrônica é algo próximo de levá-los a um museu de antropologia.

Chegamos aos mais jovens, de até 5 anos de idade: com o advento das telas sensíveis ao toque, da ergonomia “multi-touch” de um iPod e da banda larga da internet em qualquer lugar fará com que eles vejam no teclado e no mouse dois candidatos sérios ao mesmo museu do parágrafo anterior.

Ora, dirão alguns, mas as coisas sempre mudaram e mudarão sempre. E daí?

Daí que, ao modelar os novos profissionais para o mercado de trabalho, cada vez mais competitivo, é cada vez mais fácil adaptar os mais jovens e cada vez mais complicado reciclar os mais “experientes”, salvo se estes estiverem permanentemente em processo de reciclagem de conhecimento e de postura perante o mundo.

Com a crise econômica instalada no planeta, será que você vai querer ficar de fora? Ou você está sempre se atualizando? Outro dia assisti uma palestra do grande marqueteiro e também colunista aqui da CBN, o Eloi Zanetti, que disse tudo, em relação ao seu posicionamento no mundo de hoje: “Eu sou um eterno estudante“.

Só sendo eternos estudantes é que poderemos nos manter competitivos, acreditem! Você está confortável? Melhor mudar rápido!

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