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2015 e o binário “0 – 1” vem com tudo

2015 começou quente. Não só nas temperaturas deste verão no hemisfério sul, Brasil em particular.

O massacre aos jornalistas do Charlie Hebdo, no dia 7 de janeiro, gerou uma repercussão mundial que ninguém poderia imaginar.

Independente do movimento Je Suis Charlie, que bombou nas redes sociais e nos cartazes dos eventos de protestos ou de obsequioso silêncio em respeito aos mortos dessa barbárie, ao momento em que essa postagem vai ao ar, o semanário satírico com circulação de 50.000 exemplares salta para inimaginados 3.000.000.

A campanha espontânea de angariação de fundos para recuperar as instalações do Charlie já geraram assinaturas e doações emblemáticas de pessoas e empresas que vão de Arnold Schwarzenneger e Google a Michelle Bachelet e ONU. Todos engajados no repúdio ao ato. Até Tim Cook, CEO da Apple, fez sua loja de aplicativos aprovar em 10 minutos o App Je Suis Charlie, para download gratuito.

Ponto para as redes sociais! O Je Suis Charlie foi o Trending Topic mais importante de todos os tempos no Twitter, O assunto mais comentado no Facebook e WhatsApp. Mostrou o poder das redes sociais, neste quente 2015.

Mas a história sempre tem dois lados. Dias depois, quando do desfecho da caça aos assassinos que gerou mais mortes, na sexta, 9, começaram a surgir informações -depois confirmadas- que Hackers ligados ao Estado Islâmico estariam por trás de ataques massivos aos sites e perfis em redes sociais de agências governamentais americanas.

Volta à baila com toda força, nesse 2015, o binarismo da era digital, o 0 ou 1, o liberdade e privacidade x controle e segurança.

Mais do que chegar a um modelo convergente, onde a essência de cada um dos lados seja preservado, corremos o risco de irmos para modelos onde não tenhamos nem liberdade, nem privacidade, nem controle , nem segurança.

Está chegando a hora da verdade

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Afinal, eles realmente sabem de tudo sobre nós?

Google is watching

Capa da revista “The Independent”

Pensei em falar sobre algoritmos, sobre nossa concordância com os termos de uso e políticas de privacidade dos grandes portais e redes sociais, do tal do Big Data, mas, mesmo assim, o assunto não seria esgotado em uma simples postagem. Então, fui para um exemplo prático:

Peguei dois aparelhos conectados à internet, abri os browsers e fiz buscas simultâneas no Google.

Tentei “Óculos de sol“. Tive o cuidado de colocar os argumentos de busca iguais em cada dispositivo (um PC e um iPad) e dar enter ao mesmo tempo. Os resultados foram bem diferentes, em cada aparelho. Os links patrocinados também vieram diferentes.

Depois fui de “Arroz com feijão“, e, do mesmo jeito, os resultados da busca foram diferentes no PC e no iPad

Descontadas as frações de segundo decorridas entre buscas iguais através de dois aparelhos diferentes, com sistemas operacionais diferentes, o que ajuda a explicar porque “Óculos de sol” e “Arroz com feijão” não são iguais no iPad e no PC são cookies armazenados em cada aparelho e hábitos de navegação, armazenados nos servidores do Google.

Como o Google armazena tudo, ou quase tudo, ele pode direcionar os resultados de buscas de acordo com o que ele assume sejam suas preferências, ou, por razões comerciais, atendendo aos interesses dos anunciantes.

Você pode reproduzir esse exercício com argumentos de busca próprios, que também darão resultados diferentes quando você usa o Facebook, o Twitter, ou acessa qualquer dos grandes portais.

Resumo da ópera: Sim, essa turma sabe muito mais sobre você do que você imagina. Mesmo sendo você uma exceção à regra que costuma ler e entender as políticas de privacidade e os termos de uso de cada um desses serviços. Afinal, ao concordar com eles, você também concorda que eles possam mudar as regras a qualquer momento, sem aviso prévio.

Parar de usar? Nem pensar. Mas cuide com o que você posta e por onde você navega.

Da série Liberdade X Controle 2: Restrições a redes sociais na empresa

A maioria das empresas não possui nenhuma política em relação ao uso de redes sociais no ambiente de trabalho e talvez nem se preocupe com o tema.

Nos extremos estão, de um lado, empresas que criam fortes restrições acompanhadas de punições aos colaboradores que fiquem acessando o Facebook ou Twitter em horário de trabalho; de outro estão aquelas que liberam geral, por entender que essa conectividade em rede, de fato, melhora a produtividade e o ambiente de trabalho.

Existem milhares de argumentos pró e contra, as condições variam por país, por ramo de atividade, por empresa, por departamento e por tipo de função do colaborador.  Matriz complicada de resolver.

Mas nem por isso deve ser ignorada, uma vez que cada vez mais as pessoas estão conectadas à internet através de seus dispositivos móveis. A pergunta a responder é: “o quê precisamos proteger?“.

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Da série Liberdade X Controle 1: Google condenado a pagar R$ 2,2 mi por conteúdo ofensivo

O Google foi condenado pelo pleno do TRE-SP a pagar R$ 2,2 milhões por não haver retirado do ar um blog que conteria de ofensas a candidata a prefeitura de Ribeirão Preto, SP, nas eleições de 2012.

Sem entrar a fundo nos detalhes, que estão no link acima, existem pontos que precisam ser muito bem discutidos para que cheguemos a uma solução abrangente e equilibrada quanto ao nível de controle que poderá ou deverá ser exercido sobre a internet.

No caso, a lei eleitoral pune propaganda fora de época e também difamação. E a candidata sentiu-se difamada e o juiz mandou tirar o conteúdo do ar. O Google não fez nada, alegando que apenas fornece a plataforma para publicação, no caso, o Blogspot. A decisão foi para o pleno do TRE-SP que referendou decisão anterior e “crau” no Google em R$ 2,2 milhões.

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Liberdade X Controle: de novo em pauta

ControlfreedomO atentado de Boston trouxe à baila o recorrente dilema da liberdade X controle na internet. Esse caso é bastante emblemático, e merece um aprofundamento. Vamos lá:

Para quem quer controlar: as receitas sobre como fazer as bombas com panelas de pressão estariam disponíveis na internet. Qualquer um, em tese, poderia fazer essa e outras barbáries mundo afora.

Para quem quer liberdade: Graças aos dispositivos móveis e câmeras de segurança foi possível identificar e buscar os dois chechenos em um prazo relativamente curto.

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Congestão Democrática na Internet

Pois é, este 4 de outubro foi mais uma data cívica, de colocarmos em dia nossas preferências, como eleitores e cidadãos, em cada município do Brasil, elegendo todos os vereadores e a maioria dos prefeitos, salvo poucos que ainda irão ao segundo turno.

Desta vez, as urnas eletrônicas deram poucos problemas, estatisticamente desprezíveis, consolidando, de vez, a forma digital de votação. Nem as costumeiras vozes do atraso que levantavam a lebre de possíveis fraudes estavam a trombetear a cabeça dos eleitores. Ponto para o TSE!

Mas, na hora de totalizar os votos, alguns servidores da Justiça Eleitoral engasgaram, ou então os telões de divulgação de resultados travaram, gerando impaciência entre candidatos, cabos eleitorais e cidadãos interessados nos números.

Anda mais, os portais de divulgação pela internet e os principais blogs de política tiveram um movimento inusitado de acessos, e alguns deles até ficaram temporariamente fora do ar.

Duas leituras, diferentes pelo ângulo, mas ambas relevantes:

1- É preciso que os sites de divulgação e os blogs estejam preparados para esses picos de acesso.. Já se foi o tempo que os resultado saiam a conta-gotas, levando dias, semanas até. O brasileiro acostumou-se a ter os resultados e as análises quase que instantaneamente.
2- O eleitor cidadão vai pedir cada vez mais, e, já para 2010, essas falhas serão impensáveis, e é bom que a Justiça Eleitoral planeje adequadamente o uso da intenet para o aperfeiçoamento do processo democrático, em vez de usar restrições que de nada adiantam para inibir a vontade de saber das coisas.

É a tecnologia parceira da democracia!

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