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Tony Bennett: Como estar conectado, ganhando prestígio e dinheiro aos 87 anos

TonyGagaQuem acha que o mundo digital é território exclusiva dos jovens, deveria saber quem é Tony Bennett, um famoso entertainer e cantor norte-americano. Sua interpretação mais famosa, que ainda provoca suspiros em românticos de todas as idades é I left my heart in San Francisco.

Tony Bennett é uma referência musical para muitas gerações. Desde a década de 1940, quando ele fazia duetos com Judy Garland, mãe de Liza Minelli, sua voz potente e com riqueza nas interpretações lhe rendeu mais de 17 Grammys e uma centena de álbuns. Suas apresentações, mundo afora, inclusive no Brasil, sempre renderam públicos enormes, e shows extras foram a regra, não exceção.

Pois nesta terça, 8/10, Tony Bennett incluiu na iTunes Music Store mais de 75 albuns, através da Sony Music. E isso foi feito com forte apoio de divulgação no Twitter e no Facebook, com participação ativa do cantor, um fã do iPad.

Tony faz uma observação interessante sobre a forma atual de guardar recordações de artistas:

É espantoso como a tecnologia mudou o nosso modo de vida e é fascinante imaginar o que nos espera no futurodisse Bennett ao site de tecnologia Mashable, antes de participar em um chat no Twitter. “Ninguém mais pede autógrafo. Eles tiram fotos com as câmeras dos smartphones e postam imediatamente no Facebook. Tudo é muito rápido!

Ah! Tony, aos 87 anos de idade, está terminando um novo album com Lady Gaga, na esteira do sucesso que foi o clip dos dois em The Lady is a Tramp. E o último clipe de Amy Winehouse, dias antes de morrer, foi um dueto com Tony Bennett em Body and Soul, referência da música popular americana dos 1930. Ele pode ser seguido no Twitter em @itstonybennett e no Facebook em http://www.facebook.com/tonybennett.

Ou seja, para seguir fazendo sucesso e influenciando as novas gerações de artistas, é fundamental vender música via lojas virtuais e ter participação ativa nas redes sociais. E ter talento. Independente da idade.

Multitarefa levada a extremos

Uma das características dos jovens que já nasceram conectados é a de poder fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. A chegada dos smartphones potencializou essa característica, e não é incomum encontrarmos pessoas vendo televisão enquanto checam suas redes sociais, só para ficar num exemplo bem básico. Mas serão só em atividades triviais?

Aí vem o inusitado: a multitarefa levada ao extremo, ao menos nos Estados Unidos, de onde vem uma pesquisa da Harris Interactive. Ela aponta que quase 20% dos jovens entre 18 e 24 anos costumam acessar seus smartphones durante o sexo, o dobro do que ocorre com os adultos na faixa etária imediatamente superior.

Ainda de acordo com a pesquisa, 33% dos adultos ficam usando smartphones durante um jantar a dois,  35% nas salas de cinema e 55% na direção de seu veículo. Mas apenas 12% acham que o uso dos smartphones está, de algum modo, atrapalhando uma relação.

Quem encomenda a pesquisa é a startup Jumio, que mostra ainda que o smartphone é usado por 12% dos pesquisados no chuveiro e por 19% na igreja. E a vasta maioria, ou 72%, mantém o aparelho a uma distância de si inferior a 2 metros na maior parte de seu tempo.

Aqui no Brasil ainda não temos estudos semelhantes, mas é razoável supor que os números não sejam muito diferentes. Você já percebeu alguma situação parecida por aqui?

O que podemos concluir, sem medo de cometer erro de avaliação, é que os smartphones estão mudando alguns de nossos hábitos fundamentais. E aqui não cabe discutir se isso é bom ou ruim. Está acontecendo, ponto!

Mas será que chegaremos a uma sociedade 100% conectada e 100% multitarefa? Provavelmente não, mas a tendência é que esses números cresçam, até se estabilizar ou mesmo diminuir, ao menos em alguns desses itens pesquisados entre os americanos.

Mais cedo ou mais tarde, as virtudes de ser monotarefa em algumas situações voltarão a ser valorizadas. Ao menos essa é minha aposta.

Redes Sociais são Manipuladoras?

Existem muitas teorias de conspirações, algumas pertinentes, outras nem tanto, sem conexão com a realidade.


O fenômeno recente das redes sociais trouxe à tona teses de manipulação de opinião, principalmente de jovens, que são os mais conectados, que serviriam de massa de manobra para interesses escusos, notadamente os de cunho político.

Matérias atribuidas ao patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, onde ele pega pesado nessa linha, e combate as redes sociais.

“A ingênua confiança de uma pessoa moderna na informação disponível em redes sociais, acompanhada pela desorientação moral e pelas perda de valores (morais) básicos tornam nossos jovens vulneráveis à manipulação”, teria dito o patriarca Kirill, segundo nota da Agência Estado.

Vamos por partes, como diria Jack, o Estripador

1- Manipulação: O Facebook, com cerca de 800 milhões de membros (mais de 10% da população do planeta ou cerca de 35% de todos os internautas conectados) ou mesmo o Twitter, que tem algo como um quarto desses totais, com certeza permitem a manipulação de mais gente, pelo simples fato que mais gente participa dessas redes do que de canais tradicionais, como jornais, rádios, TV aberta ou paga e mesmo as tradicionais correntes eletrônicas de e-mails ou de pps.

Pela mesma ótica dos números, a diversidade de opções existente na internet e nas redes sociais fazem com que o principal ingrediente de manipulação seja simplesmente a vontade de ser manipulado, de ser “Maria vai com as outras”, ou, no gênero masculino, “Mário vai com os outros”.

Ou seja, você só será manipulado pelas redes sociais se quiser ou se for muito desatento e preguiçoso. O mesmo não se aplica a outros canais de comunicação. É só ver, por exemplo, o conteúdo controlado que passou da Coréia do Norte durante as cerimônias de exéquias do líder (ditador? rei? dono?) Kim Jong-Il, com aquela multidão em pranto sincronizado.

No caso das recentes rebeliões populares na Tunísia, no Egito, no Iêmen, na Líbia, na Síria, as redes sociais foram usadas para manipular as massas ou as massas as usaram para comunicação entre si e dali para o mundo para manifestar sua insatisfação, por falta de opções de diálogo com os respectivos regimes?

E o Occupy Wall Street e o mais recente Occupy Facebook, são fenômenos de manipulação de gênios do mal contra o mercado financeiro e Mark Zuckerberg, respectivamente, ou expressam outras faces das moedas?

2- Jovens: Usa-se muito o argumento de que os jovens de hoje são alienados. Nada muito diferente do que se falava há 30, 40 ou 50 anos atrás. A diferença é que os jovens de hoje têm ao toque de um ou dois dedos toda a informação que precisam, e aprendem também a ver o outro lado de cada história. E os jovens das próximas décadas ainda mais informados e conectados, logo, em tese, menos influenciáveis por teses e doutrinas fabricadas em laboratório.

Eu acho que os velhos são muito mais alienados que os jovens. A conferir…

3- Controle das redes sociais: Quem propõe isso? Vamos desfilar aqui alguns nomes, que me passam pela cabeça, sem ordem de importância ou prioridade, e as figuras que chegam são essas, mesmo correndo o risco de alguma injustiça por inclusão ou por omissão:

Kim Jong-Il (OK, esse já foi), Fidel Castro (não é mais ele, mas seu irmão Raul), Hugo Chávez (e sua teoria segundo a qual os americanos estão gerando cancer em lideranças da América Latina); os déspotas depostos (ou a serem varridos) do Norte da África e do Oriente Médio, o bunga-bunga Berlusconi e até mesmo o marido da bela Carla Bruni, o Sarkozi que, incomodado com as pressões das ruas, teria proposto um maior controle da internet.

4- Os manipuladores: Quem são, na verdade, os manipuladores? Os que trafegam anarquicamente pelas redes sociais ou os que possuem as chaves de controle daquilo que pode ser divulgado? Os que criam códigos de verdade absoluta ou os que buscam aperfeiçoar o conhecimento?

Enfim, para refletir nessa virada de ano: Quem manipula mais, o Patriarca Kirill ou o jovem Mark Zuckerberg, que, por sinal, tirou uns dias de férias bem agora para “sumir” do Facebook e se isolar no interior do Vietnã, onde nem internet existe?

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