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TSE autoriza acesso a dados de eleições ao PSDB. Auditoria?

Por unanimidade, o Tribunal Superior Eleitoral – TSE, liberou acesso aos dados das eleições de 2014 e aos programas da totalização dos votos, atendendo a pedido do PSDB.

É uma auditoria? É possível identificar se houve fraudes?

GuyVEJANesta terça, antes da decisão do TSE, dei uma entrevista a Joice Hasselmann, âncora da TVEJA, sobre a possibilidade de fraudes

Vale ressaltar: contrariando a maioria dos analistas políticos, que achavam que o TSE negaria o pedido, baseado no parecer de Rodrigo Janot, Procurador Geral da República.

Mas é, de fato, abertura para uma auditoria? O TSE diz que sim. Mas, na prática, fica impossível replicar todo o processo, inclusive sobre os protocolos de segurança adotados.

É uma evolução, sem dúvida! Porém, é bom resgatar um trecho da nota do TSE, que diz “a legislação eleitoral e as resoluções do TSE 23.397 e 23.399, ambas de 2013, que tratam, respectivamente, da cerimônia de assinatura digital e dos atos preparatórios das eleições, entre outras questões, já davam total acesso aos partidos políticos, coligações, Ministério Público e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aos dados requisitados“.

Aí está a raiz do problema: A Justiça Eleitoral sempre procurou aprimorar o processo de votação, e, ao disponibilizar esses dados antes das eleições, aparentemente não desperta nem atenção nem prioridade dos partidos políticos, da entidades de classe e do eleitor em geral, com raras e pouco conhecidas exceções.

Ou seja, a decisão da Corte foi importantíssima para a democracia. Tomara que o PSDB indique um time de primeira para verificar o processo, e tomara que possíveis dúvidas possam ser esclarecidas para as devidas providências.

Sem ver esses resultados, a pergunta é: Existem brechas no sistema que possam permitir fraudes ou que levem a falhas? A resposta é afirmativa.

Assim como o sistema financeiro é vulnerável e pode atacar nossos bolsos, a super secreta agência de arapongagem NSA teve seus dados vulnerados. Não exsite sistema infalível, digital, analógico ou misto. A saída é buscar aprimorar o sistema de votação. Sempre.

E a democracia brasileira, ainda jovem, já pode dar um passo adiante para amadurecer. É preciso dirimir as dúvidas do pleito de 2014, mas é fundamental que a sociedade organizada e os partidos políticos comecem a trabalhar para aprimorar o sistema eleitoral para as eleições de 2016, 2018, 2020, 2022…

Para isso, basta pegar embalo no resultado das eleições recém terminadas. Afinal, metade dos eleitores votou de um jeito, metade, do outro. A diferença foi relativamente pequena, de 3,5 milhões de votos. Já pensou se fosse de meros 1.000 votos, como aconteceu nas eleições norte-americanas de 2000, quando George W. Bush acabou ganhando de Al Gore por essa diferença, justamente na Florida, por coincidência, governado por seu irmão, Jeb Bush?

E lá, o sistema de votação não era por urna eletrônica…

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Eleições 2014, internet e redes sociais: Alguma sinergia?

Na reta final da campanha do 1º turno das eleições 2014, já é possível fazer um balanço sobre o uso da internet e das redes sociais pelos candidatos, Brasil afora.

Se você que nos lê e ouve foi influenciado por alguém ou acha que influenciou alguém pela via digital, considere-se uma pessoa privilegiada.

Balanços feitos pela observação, pelo faro e pela comparação com campanhas passadas mostra que, no frigir dos ovos, a imensa maioria dos candidatos e seus comitês usaram as redes sociais como um complemento, um detalhe a mais. Foi generalizado, também, o uso de perfis falsos para denegrir adversários, republicar vídeos super manjados e aproveitar a facilidade de  edição para publicar notícias falsas.

Não dá para deixar de notar os ataques aos sites oficiais de campanhas, muitos dos quais ficaram indisponíveis ou passaram a exibir conteúdo ofensivo aos candidatos.

Ação de hackers amadores? Não! Trabalho de profissionais, com recursos e conhecimento técnico. Rastreando a origem desses ataques, chega-se facilmente a computadores de empresas de telecom, organismos governamentais e estatais no Brasil, sem contar IPs do exterior, mas sabidamente ligados a subterrâneos da internet nossa de cada dia.

Saldo para nós, eleitores? Péssimo! Poderia ser melhor? Talvez…

Comparando o que ocorre nas democracias mais consolidadas, mundo afora, temos em comum as baixarias, boatos e notícias falsas. Mas, em contrapartida, temas sérios são populares, e de iniciativa de eleitores ou de grupos organizados nem sempre ligados a partidos, mas a causas.

Nesses países, a pressão do eleitor é bem mais eficaz e bem mais forte.

Mas, se a tecnologia é a mesma, somos um povo diferente, menos desenvolvido, menos crítico? Provavelmente não. Somos talvez reféns de um modelo de organização partidária ineficaz, que gera, por exemplo, a tal da Propaganda Eleitoral Gratuita, que de gratuita não tem nada, pois é paga com a renúncia fiscal às emissoras, por terem de veicular sem custo esses programas que, ou são caríssimos e não correspondem à realidade ou são amadores com recados curtos que, para que possam pegar, devem ser ridículos. Vide Tiririca!

Tentar mudar esse quadro não é tarefa para a tecnologia, nem ela pode ser ferramenta de mudança. A coisa passa pelo Congresso que vamos eleger no dia 5 de outubro, mas aposto que, não importa quem sejam os eleitos, tudo que for objeto de iniciativas para provocar reformas políticas cairão nos pequenos remendos, que pouco mudam. Ou em tentativas de mudar radicalmente, no sentido ruim da palavra, para criar uma democracia tutelada, o que pode ser pior.

Eleições 2014 e as redes sociais

eleitor2014As Eleições 2014 entram de vez na agenda de nós, brasileiros. Com o começo do horário eleitoral obrigatório no rádio e na TV e com as campanhas nas ruas, mais do que nunca as redes sociais fazem parte da estratégia da maioria dos candidatos com alguma viabilidade de carimbar ou renovar um mandato a partir de 2015.

Esse ano os investimentos em inteligência digital estão a toda, e batalhões de profissionais e voluntários trabalham sob a batuta dos comandos de campanha ou formam grupos específicos com alguma autonomia. Tem as turmas a favor e a que atuam contra. Mas, o que esperar de resultados derivados desse trabalho nas redes sociais?

É bom lembrar que essas ferramentas ganharam corpo não faz muito tempo, na campanha de Barack Obama em 2008, quando ele concorria a seu primeiro mandato como presidente dos Estados Unidos. À época, ele conseguiu uma formidável legião de voluntários e de doadores, ao ponto de viabiliza-lo como candidato, começando pelas eleições primárias do Partido Democrata e depois no embate contra os desgastados republicanos de George Bush.

Aqui no Brasil, o processo começou mais lento, e como uma simples extensão do marketing tradicional, com raras e honrosas excessões, nos pleitos de 2010 e 2012. Casos de sucesso, contados nos dedos de uma só mão, e por iniciativas isoladas, nunca de comitês partidários ou de coligações.

Como agora a população digital votante já é majoritária, as atenções dos estrategistas e marqueteiros colocou holofotes e recursos sobre essa turma. Mais do que replicar programas de TV e propostas com programas de governo, ficou importantíssimo monitorar as tendências do eleitor, antes, durante e depois de algum evento importante.

A morte prematura de Eduardo Campos foi emblemática: das notícias desencontradas após a queda do Citation em Santos até o final do funeral, brotaram especulações -incentivadas ou não- e surgiram as tendências sobre o apoio do bloco partidário que o apoiava e as possíveis mudanças com a ascensão de Marina Silva à cabeça de chapa.

Ficou também o símbolo do mau gosto a selfie de uma jovem sorridente com o caixão do jovem político ao fundo, que foi a mais viralizada de todas as imagens do trágico episódio. Até isso foi monitorado para entender aonde estava a maioria dos comentários, sem com eles ou conosco.

Mas, se a conquista de um mandato não depende exclusivamente das redes sociais, ficar fora delas é um caminho certo ao anonimato. Assim, se você não quiser desperdiçar seu voto, antes de fazer sua listinha, veja se seus candidatos estão nas redes sociais. Se ausentes, poucas chances. Se presentes, como estão?

  • Só reproduzindo propostas batidas?
  • Têm muitos seguidores?
  • Esses gostam ou criticam as propostas?
  • Como está a atualização das postagens?
  • Quem são seus seguidores?
  • Dentre eles, muitos conhecidos seus que tenham afinidades com suas idéias?

Para nós, resta filtrar as informações fidedignas das falsas, os candidatos capazes e dispostos, mas isso não há tecnologia que resolva,

Pense nisso…

Sobre o 1º de Abril Digital

Já viraram tradição as pegadinhas anuais de 1º de abril dos grandões, como Facebook, Google, Microsoft e mesmo de milhões de conectados. Trinta dos meus amigos do Facebook anunciaram sua saída da rede de Mark Zuckerberg. Todos ainda estão por lá, postando. Duas anunciaram gravidez, um disse ter ganho na Mega-Sena, esquecendo que 1º de abril foi na terça, dia sem esse sorteio na loteria.

E muita gente foi atrás do Desafio Pokémon, do Google, que prometia emprego na empresa para quem ganhasse o jogo de achar os bichinhos no Google Maps. O LinkedIn para gatos também bombou, sem falar nos shelfies do Gmail, que permitiria a quem usa esse serviço de email de partilhar (share) suas auto-fotos (selfies) com quem recebesse as mensagens.

Essa do shelfie até que achei uma boa idéia. Mas era 1º de abril.

Indo um pouco além da data, dá para perceber que o Dia da Mentira digital é recorrente, e cabe em qualquer dia do ano.

Basta ver os sites piratas, os anúncios enganosos, os perfis fakes, as fotos photoshopadas, os vídeos editados.

Mas a culpa não é da tecnologia. Trata-se do uso dos recursos tecnológicos e da capacidade da internet de propagar conteúdo devidamente calibrado, para os mais diversos fins, que não necessariamente ligados à pura diversão.

Talvez fosse o caso de alguém lançar o Dia da Verdade, quem sabe 1º de outubro, 6 meses depois do 1º de abril. Mas… acho que não daria certo, claro que não daria.

Mas, ao menos no Brasil, podemos ter o nosso Dia da Verdade, não em 1º de outubro, mas no domingo, 5. Dia de eleições gerais. E, daqui até lá, podemos usar as ferramentas tecnológicas ao nosso dispor para que possamos brincar no 1º de abril e falar sério no 5 de outubro.

Tecnologia e as promessas de campanha

Ainda falta chegar a Copa do Mundo, mas os atores do mundo político já se preparam para costurar alianças, ganhar tempo de televisão, estruturar propostas baseadas nas expectativas da população.

Segurança, Saúde, Educação, Infraestrutura, Meio-ambiente devem ser objeto de 11 entre 10 temas abordados no horário eleitoral.

E a tecnologia, que hoje é fundamental para cada uma dessas áreas?

Veremos discussões sobre inclusão digital, banda-larga gratuita, computadores e tablets nas escolas…

As redes sociais vão ser mais centrais nas estratégias de campanha, e por elas surgirão discussões interessantes e também muita baixaria.

Mas e aí, teremos propostas que sejam viáveis de implantar e que aproveitem ao máximo da tecnologia existentes para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos e contribuintes? Como essa tecnologia pode ajudar na redução das desigualdades sociais, sem agredir o meio-ambiente?

Segurança X Privacidade; melhoria da qualidade na educação e na saúde; segurança pública e individual; a melhora rápida do Brasil nos diversos rankings globais que nos colocam, via de regra, em posições pouco invejáveis.

E como a tecnologia pode apoiar aumentos de produtividade em cada setor da economia, em cada região de nosso país? Essa questão é essencial para que possamos crescer a renda per-capita real sem pressões inflacionárias.

Não estou a querer pautar o debate eleitoral, até porque a tecnologia, em si, não é capaz de proporcionar essas melhorias que ansiamos, independente de posições partidárias. Mas a ferramenta é poderosa.

Se avaliarmos o desempenho das economias que mais cresceram no mundo nas últimas 4 décadas, veremos que todas elas usaram a tecnologia digital como aliada.

Pode até ser que esse debate sobre tecnologia não seja prioritário. E nem deve ser mesmo. Mas não há como imaginar que, por exemplo, os serviços públicos possam melhorar proporcionalmente ao crescimento do número de funcionários. Há que se modernizar a máquina, melhorar e simplificar processos, diminuir a burocracia.

Como existem infinitas possibilidades de usar a tecnologia para podermos crescer mais e melhor, não custa trazer esse tema à baila.

É bom lembrar aos candidatos que a maioria dos 150 milhões de eleitores habilitados a votar terão acesso à informação por conta da tecnologia. Tentar o discurso fácil para ganhar uma eleição pode não ser o suficiente. 

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