“Holerite” e tecnologia

O pai do mundo digital

O pai do mundo digital

Se você trabalha sob contrato regido pela CLT ou pelo Estatuto do Funcionário Público, você deve receber um Holerite, o demonstrativo do que você ganhou, menos os descontos, cujo saldo você tem disponível na sua conta-corrente ou no seu bolso.

Se você acompanha este blog sobre tecnologia, você deve ter e usar um computador, um tablet ou um smartphone. Pode até ter uma combinação desses aparelhos, ou mais de um de cada.

Se você recebe seu Holerite e está ligado em tecnologia, que é parte de sua vida desde pequeno, é provável que você não associe Holerite com tecnologia digital. Vamos resgatar essa parte da história?

Tudo começou com os preparativos para o censo norte-americano de 1890, quando o Brasil recém saia do império. O território dos Estados Unidos já ia do Atlântico ao Pacífico, a mobilidade da população era grande, pela vinda de imigrantes de todas as partes e pela marcha para o oeste. O governo tinha necessidade de ter mais e melhores dados através do censo decenal, cada vez mais complexo.

Apresento-lhes Herman Hollerith, um empresário nascido em Buffalo, no estado de Nova York que enxergou uma oportunidade de negócio e criou a máquina eletromecânica de tabulação de dados a partir de cartões perfurados. Com ela, os resultados do censo surgiram em apenas um ano. O de 1880 levou 7! Hollerith ficou milionário, fundou a IBM, emprestou o sobrenome ao demonstrativo de pagamento no Brasil. O resto é história.

Ali surgia a aplicação em massa usando tecnologia digital, ou binária, representada apenas por dois algarismos: 0 e 1; com furo ou sem furo; sim ou não; um dos pilares da álgebra de Boole, base da lógica dos programas de computador.

A coisa funcionava assim: uma perfuração no cartão, valia 1. A ausência do furo, zero. Essa unidade mínima de dados foi chamada de bit, contração de binary digit.  Para representar algarismos, letras e símbolos, o cartão tinha colunas onde podiam ser perfurados bits. Para representar todos os símbolos usados, uma combinação -ou coluna- de 8 bits chegava. Esses 8 bits foram batizados de byte. 1 byte = 8 bits. O cartão mais comumente usado tinha 80 colunas, aptas a representar 80 bytes. E cabia coisa num cartão, até porque os computadores tinham capacidade limitada.

Com a evolução da tecnologia, era preciso gerar e processar mais bytes. E surgiu o kylobyte, ou 1.024 bytes. A próxima etapa foi o megabyte, ou 1.024 kilobytes. O gigabyte, ou 1.024 megabytes, já é mais recente e conhecido. Mas convivemos também com o terabyte, ou 1.024 gigabytes. Nem vale a pena fazer a conta para saber quantos cartões de 80 colunas precisariam ser perfurados para gerar um terabyte de dados, espaço que conseguimos de graça na nuvem do Flickr.

Os processadores começaram a trabalhar com blocos maiores de dados. Os chips começaram a se popularizar quando trataram 4 bits de cada vez, lá nos anos 1970. Depois vieram os chips de 8 bits, os de 16 bits inauguraram a era dos PCs, depois chegaram os de 32 bits e hoje, os modernos chips da Intel, da Qualcomm e da Apple de 64 bits já equipam smartphones e laptops topo de linha. 

Na sua máquina tabuladora, Hollerith usou o mesmo princípio do francês Joseph Marie Jacquard, criador dos teares programáveis por cartões perfurados, um dos grandes avanços da Revolução Industrial.

Nos computadores até a década de 1980, o principal meio de entrada de dados era através de cartões ou fitas perfuradas. Quase um século depois da máquina de Hollerith. A revolução da mobilidade digital tem pouco mais de uma década, e a imensa maioria de seus usuários não associa Hollerith como um dos seus viabilizadores.

Bits e bytes, by Herman Hollerith!

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