Sexta-feira à tarde, aeroporto de Congonhas, SP, com D. Pedro II

ImagemSexta-feira à tarde, aeroporto de Congonhas, SP. Numa sala VIP, aguardando embarque para Curitiba. Conto dezessete pessoas, fora eu e as três atendentes.

Chama minha atenção um fulano com índice de massa corpórea elevado, agitado, falando com alguém sobre algum problema de um lote de roupas que não havia chegado e o cliente chiava. Detalhe: o cara era o único a falar ao telefone, por acaso um smartphone.

Acaso? Olho a meu redor: As atendentes atendendo, o cara esbravejando, três pessoas vendo alguma coisa na TV da sala, três outros com seus tablets de 10″, mais um com um mini alguma coisa de 7″.

Os demais, nove ao todo, furiosamente interagindo com seus smartphones, fazendo sei lá o quê, exceto… falando ao telefone!

Veio-me à mente o encontro que nosso imperador, Pedro II, teria tido com Alexander Graham Bell, o inventor do telefone, na Exposição Mundial de 1876, em Filadélfia, com seu produto já patenteado e à venda.

Bell numa ponta da sala, D. Pedro na outra, começaram a conversar via telefone. D. Pedro: “Meu Deus, isso fala!

Realidade ou lenda urbana, pouco importa. Volto rapidamente com D. Pedro para 2013, no lounge de Congonhas. Olhamos para a turma com seus aparelhos, os nove originais mais o gordo falante que, desistindo da argumentação oral, aparentemente redige um e-mail para alguém. Pronto! todos os dez que estavam com os smartphones nas mãos faziam algo, menos falar.

D. Pedro ficou intrigado, ao ver a evolução daquele invento maravilhoso, 137 anos depois, e que não era mais usado para falar.

Ele, sujeito letrado, faria a análise semântica do substantivo “telefone” e diria que essa engenhoca que os dez da sala estavam a mexer poderia até ser um tele alguma coisa, pois estava servindo para mandar e receber letras e números à distância, mas ele não via ninguém falando, logo o “fone” não faria sentido algum.

Aí alguma alma com pena do imperador diz que ele estava à frente da maravilha da eletrônica digital, o smartphone! E D. Pedro, poliglota, que teria até corrigido alguma coisa que Bell lhe falara em inglês diria: “OK, eu compro o conceito do smart, pois uma coisa dessas minúscula assim e fazendo tantas coisas é necessariamente esperta! Mas o phone, não acredito… Se ela fala, como a que eu vi com meu amigo Alexander, em Filadélfia, por quê nenhum de vocês a usa para falar?

Alguém se dispõe a responder a dúvida de D. Pedro, talvez propondo um nome melhor para o smartphone?

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