Volta Abrupta no Tempo

Geração D, dizem uns; Geração Z, preferem outros; eu os chamo – com quem eu mais convivo -os Netos 2.0, nascidos neste terceiro milênio, para quem os artefatos digitais, as telas sensíveis ao toque, a conectividade, são dados, não variáveis.

Eu sempre os olhava como um novo grupo que cresce, em quantidade e qualidade, mas que precisava ser entendido e abordado por todos nós que nascemos no milênio passado de uma forma diferente, nesse mundo que agora ficou completamente diferente.

Ou seja, nós os imigrantes digitais, precisávamos nos adaptar, e rápido!
O que nunca havia prestado atenção era para as perguntas embaraçosas que eles podem nos fazer sobre o passado, como aconteceu comigo dias atrás, conversando com um jovem de 8 anos, ao lhe ser apresentada uma carta manuscrita, envelopada, selada, carimbada e endereçada e postada nos Correios no final dos anos 1970.

A escrita cursiva até que ele entendeu, mas o selo… “o que e isso, um carimbo?

E a assincronicidade da carta, fazê-lo entender o manuscrever, dobrar, envelopar, lamber e colocar selo, carimbar, mandar pelos Correios para chegar ao destinatário em alguns dias? “Por que não digitaliza e manda por email, ou posta no Facebook?“. Ou seja, para ele essas facilidades digitais existem naturalmente. Desde sempre.

Eu cheguei a pensar em contar a ele mais uma história “daquele tempo“: A do cara que precisava falar de Curitiba com seu escritório em São Paulo e precisava pedir a ligação e esperar 10 horas em um posto telefônico, isso em 1968, o ano do AI5 no Brasil, das rebeliões de jovens na França e, claro, de Woodstock! Desisti antes mesmo de dar mais esse nó na cabeça do moleque… Afinal, ele já conhece Skype e celular.

Numa dessas, precisamos mais é nos considerar definitivamente pré-historicos e começar a escrever Apps ou games bem transados sobre o segundo milênio antes que eles inventem a sua própria versão.

Para não pensar muito no assunto, fui ao iTunes, aluguei o Midnight in Paris, do Woody Allen, e revi esse filmaço com outros olhos. E não sei se não acabei na década de 1920 ou na Belle Époque, em 1890, tomando um absinto com meu amigo Edgar Degas

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