Ainda sobre a História…

Da postagem anterior, sobre as armadilhas do sucesso da tecnologia, recebi alguns comentários no Twitter e no Facebook que me fizeram refletir um pouco mais e… voltar ainda mais ao passado, aquele que nem eu conheci, mas aprendi nos livros. Com um pouquinho de licença poética para interpretar sagas milenares a favor de minhas teses.

Na primeira iniciativa da humanidade para fazer face à então nascente globalização, o problema residia na dificuldade de comunicação entre os povos, dada a existência de milhares de linguas e dialetos, muitas das quais tinham alcance limitado a aldeias remotas.

Mas avançar era preciso! Então o caminho escolhido foi a construção de uma gigantesca torre lá pela Mesopotâmia, mesmo lugar dos conflitos de hoje onde é o Iraque. Seria uma espécie de Torres Gêmeas que vieram abaixo com os atentados de 11 de setembro.

Não deu certo e a Torre de Babel ficou no limbo da história. A se basear no Genesis, a coisa é um pouco diferente, em um tempo onde todos já falariam uma só lingua e resolveram fazer a torre mais alta do mundo para chegar perto de Deus, que, irado, condenou a humanidade a falar uma infinidade de linguas e, como consequência, nunca mais se entender.

Eu acho que não. Para mim, Babel significa, antes de tudo, a tentativa de integração que não deu certo. A compatibilidade do projeto teria ficado prejudicada por conta da chegada de novas tribos, novas linguas, novas escritas. Então, circular uma simples oferta de preços de tâmaras ficou prejudicada e as práticas mercantís voltaram ao modo primitivo.

Nós, no século 21, não retornamos à era das cavernas com os problemas de compatibilidade entre os diversos dispositivos digitais e seus monitores de regras, esses sistemas operacionais cada vez mais sofisticados, cheios de versões em diferentes linguas e linguagens de programação. Mas, cada vez que algum deles atinge o Nirvana da dominação do mercado, lá vem a praga dos céus que os condena à eternidade (enquanto dura, segundo Vinicius de Morais) das desculpas aos bilhões de usuários insatisfeitos.

A outra tentativa global de criação de um novo mercado foi feita -e bem- por Noé, com a primeira agência de turismo global que, por determinação divina, atingiu em cheio um tema que hoje é tanto decantado quanto descascado, dependendo da posição de cada um: a Diversidade. Noé efetivamente contemplou 100% das espécies e dos gêneros então conhecidos ao embarcar um casal de cada em sua arca para sobreviver ao dilúvio.

Projeto bem sucedido, sob o ponto de vista da preservação das espécies, mas o tema diversidade perdeu-se no tempo.

E as agências de turismo verdadeiramente globais ainda hoje são um problema: cada vez que uma delas atinge um ponto de aceitação global, ou mesmo nacional, como sabemos bem aqui no nosso Brasil, elas quebram, lesando milhares ou milhões de consumidores.

Quando o ser humano tenta fazer algo global demais, parece que as coisas desandam.


Mas, hoje em dia, não conseguimos viver sem essas marcas globais, suas vantagens e seus problemas. E no futuro?

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