Os blogs e a campanha eleitoral

A CBN Curitiba faz reportagem sobre o possível impacto dos blogs na campanha eleitoral de 2008 e as infrações que podem ser cometidas por candidatos, na visão do TRE (leia a íntegra aqui).

De fato, a proliferação de blogs, de comunidades de relacionamento e a própria arquitetura da internet, como uma rede aberta, poderiam, em tese, favorecer a prática de ilicitudes, difíceis de controlar.

Mas não é tão simples assim… É importante enfatizar que hoje em dia, ninguém mais é anônimo na internet. É possível rastrear o site que está hospedando o blog, ou qual computador postou um comentário nesse mesmo blog, na comunidade virtual, ou mesmo em um site específico. Identificar o autor é coisa relativamente trivial. Já sua punição, se estiver fora da lei, é outro departamento.

Na hipótese de tanto o autor da matéria irregular quando seu hospedeiro estarem no Brasil ou em país com quem o Brasil tem algum tratado de reciprocidade, é possível, sim, rastreá-los e, se for o caso, puni-los. É possível, também, mesmo que o conteúdo esteja em local “inóspito”, mas o autor estiver por aqui, usar as técnicas de rastreamento para fazer valer a lei. É bom lembrar que, em qualquer caso, uma propaganda mal feita, seja contra ou a favor, pode fazer o feitiço virar contra o feiticeiro, em termos de marketing eleitoral

Nem mesmo a principal dificuldade de fiscalização, a característica passageira dos conteúdos de internet é mais fator de inibição do rastreamento. Ferramentas como o Google registram em seus computadores (memória cache) quase todo o conteúdo da internet. Assim, mesmo que a matéria seja veiculada por pouco tempo, as chances de que ela seja capturada pelos vários mecanismos de busca é enorme, embora haja dúvidas se uma evidência dessa natureza tenha validade legal.

Dada a baixa credibilidade dos políticos em geral, é importante avaliar se uma propaganda veiculada na internet e fora dos parâmetros legais ajuda ou atrapalha… Eu acho que mais atrapalha do que ajuda, mas sempre vão existir os fanáticos por uma luz ao sol ou os desesperados que vão para o “tudo ou nada” que estão dispostos a correr riscos. Eu não recomendaria, mas, como conselho se valesse alguma coisa seria cobrado, e não dado, fica apenas o registro.

Na prática, o que provavelmente veremos -até bem antes do período permitido, 6 de julho de 2008- será uma enxurrada de blogs, comunidades e sites falando bem e mal de muitos candidatos, especialmente os mais cotados para a vitória. As denúncias, de fato, já começaram, e tanto o Ministério Público como a Justiça Eleitoral podem ter muito trabalho.

São as dores da democracia, agora com o fator tecnologia fazendo parte indissociável do processo. Como tudo que é novo, precisaremos aprender a conviver, aproveitar as vantagens e eliminar as desvantagens.

Na minha opinião, a incorporação definitiva da internet no processo da discussão de propostas leva ao aprimoramento da verdadeira e talvez não tão utópica democracia. A conferir…

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