Transparência Tecnológica

No dia 12 de setembro de 2007, o Senado Federal, com 100% de presença -e em seção secreta- resolveu absolver o presidente da casa, Renan Calheiros, das acusações do primeiro processo em que o Conselho de Ética, por ampla maioria (11×4) havia recomendado sua cassação. As visões políticas, estratégicas, morais e éticas são muitas. Aqui vou falar da tecnologia, e como as coisas podem – e devem- melhorar.

A sessão do Senado foi fechada, secreta, sem som, sem gravadores, sem laptops e durou 5 horas e pico. Era para só saber quantos votaram a favor, quantos contra e quantos se abstiveram. Só.

Mas, graças à telefonia digital, a mídia e muita gente mais acompanhou a sessão, os discursos e até atitudes de alguns parlamentares. Não foram poucos os celulares de senadores e deputados -esses meros espectadores- que ficaram abertos para que o mundo exterior pudesse sentir o que ocorria naquela sessão.

O fato é que -por mais que se queira- não é possível mais ter sigilo total. Os celulares, as minicâmeras, as ligações wi-fi, tudo isso permite que o mais comum dos cidadãos possa romper barreiras impostas por regras que só valem no papel.

Ou seja, sessões secretas no Congresso já eram, de fato. Porque os senadores não admitem isso e limpam essa regra ultrapassada e inaplicável?

No outro lado do espectro -mas igualmente aterrorizante- vemos os chefes do crime organizado e do tráfico de drogas comandando impunemente suas atividades de dentro de presídios, que teoricamente deveriam ser blindados ao uso de celulares.

Como nunca é tarde para reforçar um argumento básico, lá vai de novo: a tecnologia é neutra, seu uso é que determina se ela é bem ou mal usada.

No caso dos presídios, o uso é condenável, a proibição deveria ser para valer, mas…

No caso do Senado e sua sessão secreta, quem abriu seu celular para vazar informações estava protegido pela imunidade parlamentar, e, de outro lado, a imprensa munida de seu dever de informar. Mas o regimento do Senado determina que as sessões que votam cassações de mandato sejam secretas.

A pergunta que fica: adianta ser secreta?

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