Mais um acidente Aéreo… Acidente?

Terça-Feira, 17 de julho de 2007. Um avião da TAM sai da pista de Congonhas e se espatifa contra um prédio da própria TAM e um posto de gasolina, do outro lado da Avenida Washington Luiz. Total de mortos próximo de 200.

Mais uma tragédia, mais um acidente? Tragédia, sim, acidente, pouco provável. A omissão dos teoricamente responsáveis -empresas aéreas, controladores de vôo, Infraero, Anac, Comando da Aeronáutica, Ministério da Defesa- já mostra que, no Brasil, é melhor varrer detritos para baixo do tapete, como aconteceu com a colisão de um novíssimo Boeing da Gol com um Legacy recém comprado por uma empresa americana, em outubro passado.

Duas tragédias, quase 400 vidas ceifadas.

Nesse meio de tempo, queda de braço entre os vários atores, cada um jogando a culpa nos outros, e os passageiros, desorientados, desesparados, começam a achar normal um vôo que atrasa “só” uma hora e, após esse da TAM, vão achar bom simplesmente poder chegar com vida.

A Wikipedia, poderosa enciclopédia virtual e comunitária da internet assim define, nesta data, a palavra “acidente”:

Acidente

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Um acidente é um evento indesejável e inesperado que causa danos pessoais, materias (danos ao patrimônio), danos financeiros e que ocorre de modo não intencional. Exemplos físicos incluem colisões e quedas indesejadas, lesões por tocar em algo afiado, quente, elétrico ou ingerir veneno. Exemplos não-físicos são revelar um segredo não intencionalmente, esquecer um compromisso, etc.

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Por óbvio, o ocorrido com o vôo da TAM (e o da Gol) não foi “inesperado”… Talvez não tenha sido nem “não intencional”.

Dado o desconto que controladores, autoridades, pilotos, diretores de empresas aéreas não têm a intenção de matar ninguém, fica no ar essa interminável discussão sobre de quem é a culpa, e os culpados não aparecem. Mas que o pior poderia ter acontecido -e aconteceu- isso já era sabido.

Pior: Não se tomam providências para termos a quantidade de controladores adequada, os equipamentos que não falhem, os aeroportos devidamente estruturados e com pistas decentes e as aeronaves com manutenção em dia e programadas para poderem voar com tripulações descansadas, que não sejam submetidas a situações permanentes de stress.

Se atualizarmos as estatísticas, o Brasil deve estar lá no “topo inferior” da segurança de vôo, parafaseando o inesquecível Bussunda.

Agora, dentro da linha do nosso blog, de “Pensar Estratégico”: com as ações e inações atuais, o que acontecerá se o tráfego aéreo continuar a crescer às taxas atuais? E se o governo criar um bem-sucedido PAC Aéreo, um plano que acelere ainda mais o crescimento do tráfego de aviões no Brasil? Mais tragédias, mais problemas em aeroportos, mais desculpas.

Quando ouço que o que acontece é por causa de nosso crescimento, e que nossas aerovias estão congestionadas, fico pensando: será que as pessoas responsáveis pela aviação civil no Brasil sabem realmente o que se passa? Ou o tráfego aéreo na Amazônia, onde houve a colisão do Boeing da Gol com o Legacy é mais denso do que os corredores Londres-Paris ou Nova Iporque-Chicago? Ou que a quantidade de passageiros no Brasil já teria superado o da franja asiática ou da Comunidade Europeía?

Mais do que tudo, me preocupa, ao ouvir as pessoas que deveriam zelar pela segurança e qualidade do tráfego aéreo, é a sensação que tenho de que as coisas só tendem a piorar.

O tiroteio já começou, cada qual tentando se eximir de responsabilidades, e vôos são transferidos para aeroportos já cpngestionados ou com pistas com limite de vida útil ultrapassado. Ganha dimensão o “pitch”, ou espaço entre assentos, se devem acomodar com conforto Nelson Jobim ou Nelson Ned.

É preciso não esquecer que os modernos aviões são máquinas altamente sofisticadas e com níveis de segurança elevadíssimos; o sistema de controle de tráfego aéreo era, até outubro, considerado de primeira linha; os aeroportos, razoavelmente eficientes, embora desconfortáveis e pouco funcionais. O que está errado?

Tomara que seja eu quem esteja errado. Ou que eles acordem de seu berço esplêndido.

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